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. : Encantamento : .


Giremos em torno do caldeirão,
para lá jogarmos intestinos envenenados.
Sapo, que durante trinta e um dias
e trinta e uma noites
ficaste dormindo embaixo de pedra fria,
teu veneno vertendo, ferve,
em primeiro lugar na panela encantada.

Dobrem e redobrem
a lida e o trabalho.
O fogo cante
e o caldeirão borbulhe.

Filé de serpente dos pântanos,
no caldeirão ferve e cozinha.
Olhos de camaleão e dedo de rã,
pêlo de morcego e língua de cão,
forquilha de víbora e ferrão de lacrau,
perna de lagarto e asa de corujinha,
para fazer um encantamento de poderosa força,
fervei e borbulhai, como filtro infernal.

Dobrem e redobrem
a lida e o trabalho.
O fogo cante
e o caldeirão borbulhe.

Escamas de dragão, dente de lobo,
múmias de feiticeiras, mandíbulas e estômago
de voraz tubarão,
raiz de cicuta arrancada nas trevas,
fígado de judeu blasfemo, fel de bode
e ramos de teixo cortados em noite de eclipse da lua,
nariz de turco e lábios de tártaro,
dedo de criança estrangulada ao nascer
e lançada pela mãe num fosso,
fazei que a massa fique espessa e viscosa.
Acrescentemos, em nosso caldeirão,
entranhas de tigre como ingredientes.

Dobrem e redobrem
a lida e o trabalho.
O fogo cante
e o caldeirão borbulhe.

Vamos esfriá-lo com sangue de babuíno
para que o feitiço seja firme e forte.


in Macbeth, Shakespeare (1606)



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Já viraram porcos

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Sábado, Fevereiro 7

ARCANO I - O MAGO


O Mago, também chamado por alguns autores como O Saltimbanco ou O Mágico, representa o princípio, o início da concretização de uma vontade, a ação que leva a uma concretização. Somos nós agindo de acordo com a nossa vontade primeira. Essa é a idéia primeira do arcano um, o que explicaria, inclusive, O Mago ser o primeiro arcano.

O um simboliza tudo o que vem primeiro, a independência, a liderança, a iniciativa, o vanguardista, o pioneirismo em qualquer área da vida, a capacidade de pensar e realizar.

O Mago é O Louco maduro para alguns, aquele que já detém algum conhecimento, mas que não sabe de toda a sua potencialidade, aquele está no início de alguma etapa. É o aprendiz, o estudante, o candidato, o iniciante, o neófito com muito potencial que poderá tornar-se um dia O Hierofante, o mestre, o sacerdote, o superior hierárquico, o chefe, o conselheiro.

Num sentido mais espiritual, O Mago é aquele que possui aptidões para lidar com os elementos (ar, fogo, terra e água), é o bruxo no início de sua jornada.Nesse mesmo sentido, O Mago sabe criar através da manipulação dos elementos, mas não sabe por que faz isso e nem para que faz isso. Talvez falte no Mago um pouco de maturidade, compreensão e vivência para conhecer os mistérios espirituais.

No mundo dito profano, ou seja, no mundo material, podemos pensar no universitário recém formado (ou até aquele que ainda está se graduando) que é dedicado, que é estudioso, que conhece bem aquilo que seus professores lhe ensinaram, mas que ainda não possui vivência prática de seu ofício. É com certeza um profissional em potencial que poderá se tornar um grande líder, um grande mestre, mas ainda está no início de seu caminho. Talvez possa ser até um pouco arrogante... Mas isso é por que ele ainda está aprendendo.

No Tarô Mitológico, e também em outros baralhos, a figura mitológica atribuída a esse arcano é Hermes, Mercúrio, o mensageiro dos Deuses, o portador do Caduceu. Crowley chama O Mago de o portador do bastão, que é o símbolo do poder mágico. É com o bastão que o mago cria, dá forma no mundo material.

Para os autores do Tarô Mitológico, O Mago representa o mestre espiritual.

Para mim, mestre espiritual é O Hierofante.

O Mago seria, portanto, o aspirante, aquele que um dia poderá ser o mestre, O Hierofante.

No Mago temos a primeira iniciativa que nos levará ao Hierofante, buscamos no Mago a independência espiritual, nos tornando mestres de nós mesmos em muitos aspectos, ainda que ainda sejamos aprendizes de alguém.

Em boa parte dos tarôs, O Mago possui um chapéu em forma de oito deitado (lemniscata) que é o símbolo do infinito e do conhecimento esotérico.A mão esquerda do Mago está direcionada para o alto e a mão direito para o chão. Isso significa que O Mago conhece a máxima "em cima, como embaixo", de Hermes Trismegisto. Desta forma, O Mago conhece certas leis e faz uso delas para concretizar sua vontade.

A mão erguida segura o bastão, símbolo do poder ativo, do princípio masculino, o fogo.

Sobre a mesa podemos ver os símbolos dos outros três elementos dispostos.

A Taça, símbolo da água, princípio feminino, aquele que mantém a forma, o amor, a beleza; a espada, símbolo do ar, da mente, do astral, da transformação,da ousadia; o masculino; e a terra, símbolo da matéria, da posse, do feminino.

Há também uma tulipa aos pés do Mago (em outras representações verde, grama) que significa o início das atividade do Mago, a iniciação.

PALAVRAS-CHAVE: independência, iniciativa, pioneirismo, potenciais.VERBOS: iniciar, começar, agir, fazer.

SITUAÇÃO: o início de algo, o começo de uma empreitada.

PERSONALIDADE: um líder em formação, um jovem ou uma pessoa que inicia algo, um candidato, um pretendente, um aspirante, o ser humano que pode influenciar os acontecimentos naturais, alguém que poderá a ser uma pessoa importante na vida (ou na vida do consulente).

ASPECTOS POSITIVOS: início de alguma atividade, capacidade de organizar o início de algo, iniciativa, prontidão, força de decisão, vontade de criar/iniciar algo, vitalidade, eloqüência, comunicação, capacidade de aceitar riscos, inteligência, persuasão, habilidade, criatividade intelectual, capacidade analítica, capacidade de percepção.

ASPECTOS NEGATIVOS: arrogância, presunção, exibicionismo, mentira, falácia, roubo, engano,ambição desmedida, falta de escrúpulos, amotinação, atividades sem razão, falta de atenção, falta de paciência, empreendimentos infelizes, desentendimentos, isolamento.


O MAGO E A SENDA INICIÁTICA

"Saber, querer, ousar e calar" é outra máxima bem conhecida no mundo pagão.
Mas o que, de fato significa?
Para responder essa questão, devemos nos ater ao Mago, o neófito, o aprendiz,o iniciante, o dedicado.
O Mago somos todos nós no início da nossa senda mágica. Já não somos mais O Louco na beira do penhasco refletindo, já nos lançamos no abismo. E aqui, de fato, iniciamos nossa jornada dentro dos mistérios wiccanos.
Já vivenciamos O Louco, deixamos para trás certos conceitos, religião, dogmas, dúvidas para adentrar os domínios dos Antigos. Já ouvimos o chamado da Deusa, agora estamos trilhando o caminho da Velha Arte.
O arcano 1 é toda a potencialidade do dedicado/dedicando. Nessa fase aprendemos os conceitos básicos da Bruxaria.
Com relação à magia, uma das primeiras coisas que aprendemos é a manipulação dos elementos ar, terra, fogo e água.
No período de dedicação, início do nosso treinamento mágico, realizamos inúmeros exercícios com os elementos a fim de aprendermos a manipulá-los. Na imagem do Mago isso fica bem claro.
Quando aprendemos que somos senhores dos nossos destinos, que podemos manipular certas forças a ponto de influenciar os acontecimentos naturais nos tornamos o arcano 1. Sim, já sabemos operar magia em alguns níveis.
Pode ser que até nos gabemos disso, nos sintamos melhores, especiais, poderosos... Mas o que O Mago nos alerta é que aprender a manipular os elementos, aprender a fazer magia é apenas uma pequenina etapa dentro de todo o caminho que trilhamos.
O Mago sabe que pode criar no mundo material se, por meio de sua mente, criar no astral. Ele conhece a máxima "saber, querer, ousar e calar", pois seu mestre lhe disse o que é ou o solitário leu em algum material. Ele faz uso de tudo isso e tem sucesso muitas vezes... Mas ainda não compreende certos mistérios, ainda não conhece profundamente a máxima "saber, querer, ousar e calar".
O aprendiz deve prosseguir em sua senda para interiorizar de verdade essas palavras e outros conceitos que aprende durante seu período de dedicação.
Possivelmente muitos de nós, quando iniciam o trilhar mágico na Arte, pensam que a dedicação, a iniciação e o sacerdócio na Bruxaria se refere exclusivamente em saber operar magia. Porém, ser um Bruxo implica muito mais que saber manipular elementos e lançar feitiços.
O Mago possui dois aspectos.
O primeiro aspecto é aquele que já tratamos, os primeiros estudos, o conhecimento mágico básico adquirido.
Nesse ponto de nossa jornada somos tomados, às vezes, por uma certa prepotência. E aqui mora o perigo, talvez o primeiro de muitos que encontraremos no decorrer da nossa vida na Bruxaria.
Se nos deixarmos levar pela idéia de que uma vez aprendido os conceitos básicos, uma vez aprendido como lançar feitiços, como influenciar acontecimentos com magia, somos Bruxos, somos diferentes, somos irreverentes, estaremos começando um período de estagnação.
É nesse ponto que muitos deixam a Arte... Afinal, depois de um tempo deixará de fazer sentido tudo aquilo que aprendemos (ou melhor, achamos que aprendemos).
Vemos então uma série de ex-bruxos, alguns até convertidos em religiões que atacam a Bruxaria, dando testemunhos de que a Bruxaria é coisa ruim, de que Bruxaria é superficial, de que Bruxaria é bobagem.Essas pessoas não conhecem O Caminho.
Só COMEÇAMOS a conhecer verdadeiramente o caminho, quando então passamos para o segundo aspecto de O Mago.
O segundo aspecto diz respeito a conhecimentos e aprendizagens também, mas num nível bem mais profundo.
No primeiro aspecto aprendemos os conceitos básicos e como manipulá-los. Agora, já vivenciando O Mago mais profundamente, começamos a compreender que os conceitos que aprendemos são bem mais complexos. É como um despertar vagaroso.
Iniciamos uma jornada incrível de conhecimento e sabedoria (conceitos que não são sinônimos).
Saímos da capacidade analítica e racional, para a capacidade de percepção espiritual.
Um exemplo disso é a compreensão de que os elementos ar, terra, fogo e água são usados para transformar também internamente. Passamos a vivenciar essas transformações e compreendemos os rituais,os exercícios que fizemos e fazemos com esses elementos.
Nesse ponto, muita coisa que lemos ou ouvimos de nossos mestres passa a fazer sentido, um sentido que antes não conseguíamos sequer vislumbrar, pois estávamos tão felizes com nossos novos conhecimentos mágicos, com nossos rótulos de bruxos, dedicados, que não percebemos.
Compreendemos então o que verdadeiramente significa saber, querer, ousar e calar.
Não pretendendo aqui esgotar o assunto, mesmo por que existem conhecimentos que só são entendidos quando a pessoa vivencia, são impossíveis de exprimir em palavras.
O que posso dizer é que saber não é apenas saber operar magia; querer não significa apenas a vontade de mudar algo, de manipular algo; ousar não significa apenas realizar um ritual, lançar um feitiço, operar magia, e calar não significa somente não contar para ninguém o feitiço que se fez.
Esse despertar deve ser vivido durante a dedicação e é por essa razão que esse período não dura uma no e um dia.
Um ano e um dia refere-se a uma dedicação formal, em que vivenciamos o primeiro aspecto do mago. O segundo aspecto não tem período estabelecido, vai depender de cada dedicado.
É possível, inclusive, que vivenciemos o segundo aspecto do Mago após a nossa primeira iniciação.
Para alguns pode ser sem sentido, mas eu digo a vocês que é possível, pois a dedicação vai "perseguir" vocês o resto da vida!

Bênçãos,
Lua Serena
Figuras: The Yeager Tarot of Meditation e The Wirth Tarot

publicada por Lua Serena às 7:35 PM

2 Comentários:

Blogger Babi Guerreiro disse...

Olá Lua Serena...vi q é seguidora do meu blog...fico contente...meu carinho à vc!!!

O blog de vcs é muito interessante...parabéns!!!

5:09 PM, Fevereiro 10, 2009  
Blogger Lua Serena disse...

Oi, Babi!

Seu blog é muito legal!!!
Beijoca

12:53 PM, Fevereiro 12, 2009  

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