ARCANO XVI - A TORRE
Esse arcano talvez seja o que mais variedade de denominações possua. É mais conhecido como A Torre, porém também, pode ser encontrado como A Casa de Deus, A Destruição, O Raio, A Casa do Fogo, A Fragilidade, A Guerra.
Seu número é 16 e, segundo alguns autores, 4x4 significa o extremo da matéria, a matéria que atinge tamanha concentração e acaba por se desintegrar.
Na sua representação gráfica uma torre é fulminada por um raio – ou pelo fogo, em outras representações. É possível ver duas pessoas caindo no chão.
A Torre é o arcano da destruição, da mutabilidade, da transformação dolorosa. O raio ou a labareda que vem do céu representa a força que está além da nossa, a força dos Deuses, a força da qual não podemos escapar ou a qual não podemos enganar. A Torre é o símbolo da perda total. Ao fim do processo que A Torre encerra, teremos de construir novamente, tijolo a tijolo nosso lar, nossa vida, nosso amor, nosso trabalho, nossas amizades.
A destruição que a Torre traz é de tudo aquilo que construímos e que acabou nos aprisionando, ainda que neguemos isso, ainda que não notemos.
Esse arcano simboliza a destruição das formas, dos conceitos, de tudo aquilo que foi por nós construído, tijolo a tijolo, com dedicação e amor. Pode parecer um arcano nefasto numa primeira análise, pois tira de nossas mãos o que amamos, nos derruba dos postos que alcançamos com tanto empenho, destrói relações que construímos e mantivemos de forma profunda. O raio que atinge a Torre nos tira o chão, ou melhor, nos lança ao chão sem aviso. É doloroso, é por vezes traumático, mas é preciso que compreendamos que o raio destrói padrões que devem ser mudados. Muitas vezes construímos uma Torre linda, que nos protege das dores do mundo, é nosso lar, nosso refúgio. Sentir esse refúgio ser destruído por um raio é doloroso demais, deixa marcas, nos faz chorar, nos faz sangrar.
No entanto, a destruição da Torre é necessária.
Quando transformamos nossa Torre numa prisão, ela precisa ser destruída. Pode ser que nem notemos que transformamos nossa Torre numa prisão, pode ser que continuemos dizendo para nós mesmos que aquele é nosso lar, aquela é nossa vida, aquela Torre é nosso trabalho, é nosso amor, aquela Torre é nós mesmos...
A Torre destrói a vida organizada, a rotina, aniquila prisões externas (modo de vida, pessoas, trabalho) e internas (identidade, o eu). É o implacável fim doloroso, a destruição do véu de Maya (ilusão), a explosiva desintegração.
Se conseguirmos passar pela Torre e deixar aniquilar tudo aquilo que é necessário, passaremos para um estágio bem mais sereno. Lembre-se que as pessoas, na representação gráfica da carta, caem no chão, na Terra, na Mãe Terra... São sementes lançadas.
O raio que destrói a Torre nos abala, abala todas as nossas estruturas, nossa fé, nosso eu. Simboliza um poder acima do nosso, note que o raio, ou fogo, vem do céu, a morada dos Deuses.
É um arcano de vivência complicada e delicada, pede muita clareza e compreensão para passar pela situação que A Torre implica, para que não nos percamos durante a lição desse arcano.
PALAVRAS-CHAVE: destruição, evolução, dinamismo, mudança, transformação.
SITUAÇÃO: mudança inevitável e acima de nossa vontade. Destruição material ou não de uma situação que existia há bastante tempo.
PERSONALIDADE: pessoa transformadora, que traz mudanças ou que traz perdas.
ASPECTOS POSITIVOS: mudança, liberação, liberdade, tomada de consciência, destruição ou rompimento com padrões limitadores.
ASPECTOS NEGATIVOS: crise, destruição, perdas, quebras, ruína, desestabilização por erros próprios, decepção, fim doloroso de algo bom.
A TORRE E A SENDA INICIÁTICA
“A Deusa destrói, mas destrói apenas para construir”... Possivelmente vocês já ouviram ou leram tal assertiva. Somente compreendemos essas palavras quando somos atingidos pelo raio e a nossa Torre se desfaz.
Na senda iniciática, estabeleci a transição entre o segundo grau e o terceiro de iniciação como sendo de domínio da Torre, pois é nesse momento do nosso trilhar mágico que tudo se desfaz, que somos forçados a deixar para trás certos aspectos nossos, os Deuses destroem nossas proteções, nossas certezas. É um momento de perdas acentuadas, de destruição de certos valores que dávamos por certo, somos impelidos e forçados a questionar tudo e todos. É aquele momento em que nos perguntamos “O que foi que eu fiz? Onde foi que eu errei? Onde estão os Deuses?”.
Devo deixar claro, novamente, que passamos por momentos de perdas e destruição em outros momentos de nossas vidas, apenas estabeleci esse arcano no momento de transição entre o segundo grau e o terceiro grau por questão de observação, sinto que é nesse período que esse arcano mais se apresenta. O que não impede de vivenciarmos o mesmo em outras fases da senda, o que certamente acontece.
Lembrem-se a senda iniciática não é algo linear ou “certinho” que podemos explicar de forma cartesiana e matemática. Embora eu busque aqui uma relação e um certo padrão, esse artifício serve tão somente para direcionar os estudos tanto de tarô quanto da senda mágica, um modo de auxiliar os que trilham o caminho dos Antigos.
Retornemos à Torre.
Esse arcano surge no momento em que já estamos estruturados há um bom tempo, adquirimos um saber aparente completo, como se a nossa jornada iniciática estivesse chegando ao fim. Relembramos nossos primeiros passos na Arte, ou na vida. Quantos tombos, quantas vezes vacilamos, recuamos, desistimos, seguimos, quantos obstáculos passamos. Olhamos para o ontem e nos sentimos velhos, cheios de sabedoria, estamos quase prontos para conhecer a face anciã da Deusa e receber Dela o pouco que nos resta para sermos nós mesmos Anciãos em nossa Arte.
Estamos preenchidos de muito saber, conhecimento e confiança. Ensinamos o outro, construímos laços com outras pessoas por meio da Arte, orientando, dedicando, iniciando o outro. Somos tidos como exemplos e é assim que nos sentimos também. Afinal, tijolo por tijolo construímos nosso conhecimento, nosso saber, nossa imagem. Somos sacerdotes e sacerdotisas agindo segundo as crenças da nossa religião e tudo vai muito bem, só falta mais um pouco para chegar ao fim da jornada e sermos um iniciado de terceiro grau, um Ancião, um sábio, um mestre completo.
E então, sem aviso, um raio, ou o fogo, vem e destrói tudo o que construímos. Destrói nossas certezas, nossa confiança, nossa imagem, nossa crença, nossa filosofia. Assistimos sem poder nada fazer para impedir a destruição. Choramos.
Toda a construção que, tijolo a tijolo, erguemos é dinamitada, é consumida pelo fogo. Nós sobrevivemos, mas caímos.
Esse é o cenário desse arcano importantíssimo.
A queda, a destruição da Torre nos mostra a dor da perda. No momento em que o fogo destrói nossa Torre, não conseguimos compreender o que acontece, vacilamos, nos revoltamos e choramos.
No entanto, após passada a experiência, percebemos que a destruição nos libertou da Torre que ilusoriamente construímos para nos proteger, mas que nos aprisionava, nos impedia de crescer.
Não significa que a dor diminua, nunca é fácil ver qualquer coisa que tenhamos construído acabar, mas podemos compreender o quão importante foi a destruição.
Ao compreender e passar bem pela Torre, estamos prontos para certas revelações que não compreenderíamos antes desse processo.
Durante todo o nosso trilhar mágico, buscamos por verdades, por desvendar mistérios, por querer saber. A Torre é a necessária quebra para que possamos atingir certas verdades, tocar um ínfimo pedaço de alguns mistérios. A Torre nos mostrará um pouco de algumas verdades.
A Arte é um caminho de perguntas, bem mais que de respostas. No entanto, caso queira trilhar verdadeiramente esse caminho, os Deuses lhes darão algumas respostas. Nem todas são agradáveis e quase todas trazem conseqüências. Portanto, se você não quer ouvir CERTAS VERDADES, não pergunte, ou seja, não trilhe o caminho.
A Torre destrói talvez aquilo que faltava para que pudéssemos passar para o próximo estágio, na Bruxaria, o terceiro grau. E para tanto, precisamos ver o fogo consumir e destruir tudo o que construímos e que nos limitava, precisamos ser lançados da Torre ao chão, à Mãe Terra.
Como sementes, germinando após a destruição das formas que a Torre traz.
QUESTIONAMENTOS IMPORTANTES ACERCA DO ARCANO 16
Eu já passei por algum processo que lembre A Torre? Como foi? O que aprendi?
Tenho em minha vida alguma Torre, que eu pensei ser um refúgio, uma proteção e acabou por se revelar uma prisão?
Em relacionamentos eu já estive presa numa torre?
Costumo deixar morrer aquilo que precisa morrer em minha vida, mesmo que esse processo seja doloroso e brusco?
Quantas vezes eu caí na vida e o que aprendi com tudo isso?
Eu me deixo aprisionar facilmente?
Eu consigo distinguir proteção, cuidado e segurança de prisões?
Figura: http://www.hezicostarot.com/









2 Comentários:
Olá, Meninas.
Esse texto da Senda Iniciática é maravilhoso. Estou aprendendo muito da Wicca com vocês.
Ah, A Torre saiu para mim num jogo recente. Ela caiu na casa da Religião. Ai, ai, ai...
Beijokas
Oi, Jana!!!
Que bom que gostou!!!
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