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Giremos em torno do caldeirão,
para lá jogarmos intestinos envenenados.
Sapo, que durante trinta e um dias
e trinta e uma noites
ficaste dormindo embaixo de pedra fria,
teu veneno vertendo, ferve,
em primeiro lugar na panela encantada.

Dobrem e redobrem
a lida e o trabalho.
O fogo cante
e o caldeirão borbulhe.

Filé de serpente dos pântanos,
no caldeirão ferve e cozinha.
Olhos de camaleão e dedo de rã,
pêlo de morcego e língua de cão,
forquilha de víbora e ferrão de lacrau,
perna de lagarto e asa de corujinha,
para fazer um encantamento de poderosa força,
fervei e borbulhai, como filtro infernal.

Dobrem e redobrem
a lida e o trabalho.
O fogo cante
e o caldeirão borbulhe.

Escamas de dragão, dente de lobo,
múmias de feiticeiras, mandíbulas e estômago
de voraz tubarão,
raiz de cicuta arrancada nas trevas,
fígado de judeu blasfemo, fel de bode
e ramos de teixo cortados em noite de eclipse da lua,
nariz de turco e lábios de tártaro,
dedo de criança estrangulada ao nascer
e lançada pela mãe num fosso,
fazei que a massa fique espessa e viscosa.
Acrescentemos, em nosso caldeirão,
entranhas de tigre como ingredientes.

Dobrem e redobrem
a lida e o trabalho.
O fogo cante
e o caldeirão borbulhe.

Vamos esfriá-lo com sangue de babuíno
para que o feitiço seja firme e forte.


in Macbeth, Shakespeare (1606)



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Quinta-feira, Novembro 12

Povo,
Em dezembro estarei no 9º Encontro Anual de Bruxos palestrando sobre o Sacerdócio Solitário na Bruxaria. A idéia é falar do caminho mágico solitário, abordando temas como desenvolvimento mágico solitário, conexão com os Deuses, dedicação e iniciação no caminho solitário, entre outros.

Vai ser bem legal!

Beijos,

Lua Serena

publicada por Lua Serena às 10:56 AM 0 Comentários

Segunda-feira, Novembro 9

ARCANO VIII - A JUSTIÇA


Esse arcano é também conhecido pelo nome de O Ajustamento, pois muito mais que justiça – que é um conceito deveras humano e relativo – o arcano 8 simboliza os ajustes da vida, que muitas vezes podem ser bem distantes da justiça compreendida pelos homens.

A justiça é em si um conceito complexo que depende de muitos fatores, tais como cultura, momento histórico, enfim, não é dessa justiça que trata o arcano 8.

A Justiça do Tarô está relacionada com as forças que equilibram a vida, forças essas que, novamente vale dizer, podem não ser justas na concepção humana do termo.

Nas palavras de Crowley, “apesar de ser exata, a Natureza não é justa sob nenhum ponto de vista teológico ou ético”.

Esse arcano nos fala da causa e efeito de nossos atos, o recebimento do troco por nossas ações como forma de equilíbrio natural das coisas.

É a carta da lógica, da sequência de atos, da razão muitas vezes incompreensível ao ser humano. Isso por que essa carta nos mostra o sistema organizado da teia cósmica, a ordem do universo, a lógica obscura de dar aquilo que se recebe.

Em outras palavras, embora possamos prever os movimentos dessa carta, não podemos prever ou compreender sua lógica, como a própria vida: tudo aquilo que transmitimos a nós retorna, mas não necessariamente nos exatos moldes que transmitimos. A causa pode gerar diferentes efeitos, mas sempre gerará efeitos invariavelmente. É como dizem, se pegarmos o cabo de uma panela quente, vamos nos queimar, por melhores que sejam as nossas intenções ao pegar a panela.

A lógica e a razão inerentes a esse arcano não devem ser interpretadas como frieza ou indiferença. A própria imparcialidade simbolizada nessa carta não significa indiferença. Talvez a imagem de uma mulher nas representações gráficas queira nos dizer exatamente que a razão/lógica/imparcialidade não devem ser vistas como frieza.

A incompreensão dessa idéia também se pode ver exprimida nas Deusas que encontramos representadas nesse arcano: Atena e Ma’at.

Vistas muitas vezes erroneamente como Deusas frias, tanto Atena como Ma’at são Deusas da sabedoria, da estratégia, da lógica das coisas.

Atena nos ensina a vencer a guerra através da mente, da sabedoria, do conhecimento das leis cósmicas. Ma’at, Aquela que é a Verdade, coloca em sua balança uma pena de coruja em um prato e o coração humano no outro. É preciso que o coração seja tão ou mais leve que a pena para que suas bênçãos nos alcancem.

Por vezes implacáveis, essas Deusas nos mostram a verdade por detrás de nossas ações. O resultado daquilo que plantamos explicita a relativa impotência de nossa vontade perante as leis cósmicas.

É o arcano que nos ensina a não culpar o outro por nossas mazelas, nem de julgá-los por suas imperfeições.

Em alguns tarôs poderemos encontrar a numeração desse arcano invertida com a carta da Força. Cada estudioso encontra razões que justificam essa e outras alterações. No entanto, entendo por certo manter a sequência tradicional que atribui a esse arcano o número oito. Até mesmo por que o oito é o número da justiça.

Numa jogada pode simbolizar o recebimento por nossas ações ou reflexões sobre nossas vidas, uma revisão de nossos atos por meio da análise dos resultados. Ou ainda um momento em que se necessita de ajuste, de equilíbrio. Talvez a vinda do equilíbrio não signifique tranqüilidade, é o que esse arcano nos vem mostrar. Ajustar a vida de vez em quando se revela extremamente doloroso, bagunçado, rígido e pouco justo para os corações humanos que compreendem a justiça como sendo a SUA justiça, aquilo que lhe beneficia. A justiça, no tarô, não é isso. De outro turno, a lei do retorno expressa nesse arcano não significa punição, mas resultado. E, venhamos e convenhamos, nós seres humanos, somos da lei... da lei do menor esforço conjugada com a teimosia. Resultado: aprendemos da maneira mais difícil muitas vezes. Talvez as maiores de nossas lições de vida sejam aprendidas mediante a dor, a dificuldade de passarmos pelos ajustamentos da vida.

Lições importantes começam a se revelar, é o que esse arcano vem dizer. E não são, nem de longe, momentos fáceis. É o que alguns chamam de lei cármica, ajuste cármico, carma.
Pode simbolizar, portanto, ajustes necessários, negociações, intenções, a necessidade de sermos honestos conosco.

Aqui temos a correção de nossos atos, seja por nossas próprias mãos ou pela mão de Ma’at.
Nos fala também da equidade, probidade, honestidade, o triunfo daqueles que ficam do lado da lei, a manifestação da justiça que muitas vezes não entendemos. Nos fala do receber o que se é merecido, a necessidade de encarar a verdade de uma situação com honestidade... ou da desonestidade e negação em ver a verdade.

Outras Deusas relacionadas a esse arcano: Astrea, Diké, Ananke, Temis, Nemesis e Líbia.

PALAVRAS-CHAVE: Ajuste, carma, equilíbrio, transigir, ação, reação, organização.

ASPECTOS POSITIVOS: Equilíbrio, disciplina, harmonia, organização, honestidade, verdade.

ASPECTOS NEGATIVOS: Dureza, intransigência, intolerância, injustiça, parcialidade, erro de julgamento.
PERSONALIDADE: Alguém ligado às leis, alguém que julga ou que é julgado, com discernimento ou não, dependendo das cartas que a acompanham.

A JUSTIÇA E A SENDA INICIÁTICA

“Se mal nenhum causar, faça o que desejar”

Esse é um lema muito difundido na Arte, e expressa a verdade sobre nossos atos. No entanto, a real compreensão dessas palavras só temos quando compreendemos a lei tríplice que rege a Bruxaria.

Há muitas maneiras de compreender a triplicidade da lei do retorno. Alguns explicam essa triplicidade dizendo que se diz tríplice que por se recebe triplicado tudo aquilo que se faz, seja por meio da magia ou não. Outras explicações estariam relacionadas aos três planos de existência, os três mundos, à triplicidade da própria Deusa. Enfim, deixo com vocês o aprofundamento dessas questões.

O que nos importa aqui é saber que esse arcano nos fala da lei tríplice, lei do retorno ou como alguns costumam a dizer lei da causa e efeito. Embora esse último não seja necessariamente sinônimo da lei tríplice.

Depois de encararmos a nossa primeira morte no processo iniciático (O Carro), aqui nos deparamos com nosso outono, a estação da colheita. Nesse momento, tudo aquilo que se aprendeu e maneira como aplicamos o nosso conhecimento mágico nos é cobrado, e recebemos os frutos por tudo aquilo que plantamos desde os primeiros passos na Arte.

Nesse momento, para que sigamos em frente, os Deuses nos devolvem as verdades de nossas ações, percebemos pela primeira vez de forma clara e consciente a manifestação da lei tríplice em nossas vidas.

Aqui aprendemos mais profundamente e “materializadamente” a lei do retorno triplo. Aprofundamos o conhecimento sobre os efeitos de nossas ações, sobre a importância de nossas ações na teia cósmica e desvendamos um pouco mais da verdade alquímica que diz “o equilíbrio é a base da grande obra”.

A sabedoria da VERDADE em forma de coruja nos bica a carne e alma. É a nossa oportunidade de aprender. “O olho que tudo vê da coruja atravessa o céu da ilusão, libertando a humanidade das prisões da ignorância, a principal causa de todos os tipos de injustiça”.[i]

If you understand
or if you don't
If you believe
or if you doubt
There's a universal justice
And the eyes of truth
Are always watching you.

(Enigma - The Cross of Changes)


Figuras: Hand of Destiny e Universal Goddess

[i] O Tarô da Deusa Tríplice, p. 137.

publicada por Lua Serena às 11:15 PM 1 Comentários

Quinta-feira, Outubro 29

Oi, povo!

Vim compartilhar com vcs mais um evento pagão, o 1º Congresso de Wicca e Paganismo no Rio de Janeiro, que será realizado nos dias 27, 28 e 29 de novembro!

Muitas atividaes, palestras e workshops interessantes sobre temas relacionados ao Paganismo.

Eu também estarei por lá ministrando a palestra "ESBAT- ACESSANDO OS MISTÉRIOS LUNARES".


Depois de 5 anos de sucesso com a Conferência de Wicca & Espiritualidade da Deusa em São Paulo, a organização da CWED está ampliando o seu trabalho e em NOVEMBRO DE 2009 realizará o 1º CONGRESSO DE WICCA & PAGANISMO NO RIO DE JANEIRO.

Da mesma forma que a tradicional CWED de São Paulo, o CONGRESSO DE WICCA & PAGANISMO NO RIO DE JANEIRO é um evento dirigido aos praticantes da Religião Wicca e simpatizantes das muitas Espiritualidades e religiões centradas na figura da Deusa e no Sagrado Feminino. Dirige-se também aos praticantes das religiões da Terra e dos diversos caminhos Pagãos e Neopagãos.
Além de palestras e workshops com palestrantes brasileiros, Laurie Cabot, a Bruxa oficial de Salem e autora do livro "O PODER DA BRUXA", estará presente no 1º Congresso de Wicca & Paganismo no Rio de Janeiro através de uma videoconferência imperdível ao vivo diretamente de Salem, Massachusetts.
Não perca esta oportunidade única de conhecer melhor uma das Bruxas mais importantes, atuantes e influentes do mundo, praticante da Arte há mais de 40 anos.

Laurie Cabot é mundialmente conhecida por suas aulas sobre a Ciência da Bruxaria e foi fundadora da Witches' League for Public Awareness.
Para mais informações sobre essa e outras palestras, confira o site do evento: http://www.congressodewicca.com.br/



publicada por Lua Serena às 10:05 AM 0 Comentários

Quarta-feira, Outubro 21

Divindades da Wicca

Achei uma boa compartilhar!



http://www.youtube.com/watch?v=FykiTsoLiOE

Bênçãos,
Lua Serena

publicada por Lua Serena às 7:33 PM 0 Comentários

Terça-feira, Setembro 22

ARCANO X - A RODA DA FORTUNA




A Roda dos Mundos, A Roda da Vida, A Roda da Fortuna, A Retribuição, A Mudança são alguns de seus nomes. Todos eles simbolizam a essência desse arcano: o movimento incessante da vida, mesmo em alguns momentos não percebamos.


A Roda representa a mutação e o sentido do eterno. Para alguns, a Roda é a representação máxima da lei do eterno retorno, A Roda das Encarnações. Segundo tal entendimento, estamos fadados a reencarnar eternamente... Em contrapartida, alguns entendem que esse retorno não seria eterno e através das encarnações e aprendizados, um dia, deixaremos de encarnar na Terra, evoluiremos.


Independente disso, se eternamente estarei retornando ou se um dia não retornaremos mais, o que importa é a mensagem desse arcano, ele representa a mutação da vida de cada um de nós, nos mostrando que ora estamos em cima, outra estamos embaixo, e que certos padrões podem se repetir. É o destino, a sina, a sorte, a fortuna que vem por que tem de vir, muitas vezes imprevisíveis, muitas vezes sem que notemos. Um dia em que saímos atrasados para o trabalho, perdemos aquele metrô, escolhas pequeninas que podem marcar para sempre nossas vidas.


Quem de nós não se lembra de algum momento em que teve determinada atitude que desencadeou uma série de acontecimentos, como se estivéssemos de verdade presos em uma roda, sentindo como se embora fossemos responsáveis por nossas vidas, algo muito maior, algo que talvez nos tenha impulsionado a fazer um trajeto diferente do cotidiano tenha se apresentado como fator transformador em nossas vidas...


Possibilidades, encontros, desencontros, o universo em constante movimento são elementos desse arcano. E nós, como parte desse universo também somos responsáveis pelo toque que girará a roda.
As Moiras, As Queres, As Nornas, As Parcas, as Senhoras do destino de cada um reinam nesse arcano, nos ensinando que tudo muda o tempo todo. Cloto é a que fia o tecido da vida, Lachesis mede a linha do destino, da vida, e Atropos é aquela que invariavelmente corta o fio da vida. Assim é para todos.
A Deusa e seu útero como origem de tudo é também representado nesse arcano, embora tenhamos de escavar o simbolismo desses arcano e ir até muito tempo atrás.


A Deusa como O Grande Círculo, a Roda, é o próprio universo, a origem de tudo. Erich Neumann nos fala sobre esse antigo conceito ao falar de Tiamat, a escuridão de onde tudo se originou. Tiamat, que foi transformada em monstro, demônio, é a própria Deusa que de seu útero escuro eu à luz e deu a luz.
[1]
A roda é o eterno movimento, mas nos ensina que seu eixo é firme e não se mexe. O eixo em si é a Divindade como cada um compreende, podendo representar também nosso eu interior, onde, de fato, mora a Divindade. Significa que diante das mutações da vida, devemos manter o centro firme, nunca estático no sentido de algo sem fluidez, mas algo sólido e forte para sustentar o girar da roda de nossas vidas.


O simbolismo da roda, do círculo, do redemoinho, da espiral nos fala daquilo que não é linear. Nos ensina que a vida não é linear, embora tenhamos essa sensação. Por isso aqui temos a noção das estações do ano, sempre mudando, mas sempre vindo cada uma delas novamente. Jamais igual, jamais cessando.


Na maioria das representações desse arcano temos três figuras girando na roda: Esfinge, Hermanubis e Tífon. Só a pesquisa e estudos dessas três figuras dariam um livro inteiro. Mas basicamente, cada um deles tem um propósito de estar li. Existem uma série de opiniões do porquê de tais imagens estarem dispostas dessa forma. Eu tenho uma forma muito particular de interpretar a figura...


Divido com vocês uma interpretação para tais figuras, embora eu não concorde inteiramente. Para Johann Heys “uma esfinge se encontra no topo, aparentemente mune à rotação e suas mudanças. O símbolo da esfinge é antigo e abrangente, evocando consciência superior, serenidade e sabedoria. O macaco Hermanubis, que já apareceu no arcano do Mago, está em ascensão na roda e representa energia crescente, agitação inquietude. O terceiro ser, em movimento de descida, é Tífon, um monstro filho da deusa Hera que foi criado como vingança desta deusa ao saber que seu marido Zeus havia criado Atena sozinho. TÍfon vem então a ser inimigo natural de Atena. Esses três seres mitológicos que habitam a roda representam diferentes tipos de pessoas e situações, bem como sua alternância na roda da vida.”[2]


Pode ser uma carta afortunada ou não, dependendo muito do contexto em que ela sai e dependendo também da associação desse arcano com os demais numa determinada jogada.


A Roda da Fortuna, portanto, nos alerta para a mudança na roda, aquele que esteve embaixo, subirá, os de cima cairão e assim será, assim é. Mudanças boas ou ruins, crescimento em razão de um novo momento da vida. Nesse momento, não temos certeza absoluta do que vem pela frente, sabemos apenas que as coisas mudarão. Em geral prenuncia uma mudança que será marcante em nossa vida, pessoas, fatos, circunstâncias que serão agentes dessa mudança e que jamais esqueceremos... mesmo depois do girar de muitas rodas.

PALAVRAS-CHAVE: mudança, mutação, movimento.

ASPECTOS POSITIVOS:
força vital, mudança interior e exterior, renovação, aprendizado, destino, encontros, determinação, ousadia, vontade, receptividade a mudanças e às novidades, vitória sobre as adversidades, talento para guiar um projeto, vida agitada, expansão de idéias, abundância, prosperidade, novas situações, pessoas novas em sua vida e pessoas que se afastam para seu crescimento.

ASPECTOS NEGATIVOS: mudança de uma situação boa, instabilidade, insegurança, falta de base, inflexibilidade ou dificuldade para lidar com mudanças, rigidez, queda, perdas sucessivas.

[1] “Quase todos os documentos mais antigos e primitivos, porém, já revelam o conhecimento da origem do mundo e do ser humano a partir das trevas, do Grande Círculo, da deusa.” (...) Tiamat é,porém, o verdadeiro elemento de origem, a mãe dos deuses, a possuidora das tábuas do destino.” (A Origem da Consciência, Ed. Cultrix).

[2] O Tarô de Thot, Ed. Nova Era.


A RODA DA FORTUNA E SENDA INICIÁTICA

Esse arcano é dos mais complexos, através do qual vivenciamos inúmeros aspectos dos Deuses. Aqui nesse ponto da jornada, tendo adquirido alguns conhecimentos profundos vida, morte e renascimento, recebemos insights profundos sobre a relação da vida, da reencarnação, da noção do eterno e mutante existir.

Aqui nos encontramos com os Deuses do nosso destino, sendo comum a identificação e vivência de experiências de retorno a antigos questionamentos iniciáticos. Nesse ponto da jornada compreendemos a celebração dos festivais da roda do ano como momentos de culto à própria vida.

É comum experiências de lembranças de outras vidas ou situações antigas se repetirem a fim de que compreendamos o sentido de trilhar o caminho dos antigos.

A vivência desse arcano é amplo e suas lições envolvem o aprendizado da lei do retorno, da origem da vida, dos mistérios da terra e do céu.

Aqui começamos a compreender que somos responsáveis por nossas vidas, mas que muito também está além de nós, como uma força que nos leva ao encontro de muitos mistérios... Nesse momento encontramos algumas respostas, mas inúmeros questionamentos nascem e renascem também a partir da experiência desse arcano.

Arianrhod, a deusa da reencarnação é uma regente desse momento, assim como todas das deusas fiandeiras, e nos impõem tarefas que tem a ver com o reviver momentos difíceis e momentos bonitos de nossa vida, como se completássemos um ciclo e recomeçássemos tudo com nova sabedoria e muitas, muitas perguntas.
É a ação dos Deuses no cotidiano, podendo ser através de pessoas que surgem em nosso caminho mágico, para guiar ou para nos, aparentemente, desviar do caminho.

Momento e movimento de luz e sombra nos são impostos nesse momento. O aprendizado adquirido em outros arcanos se reúnem nesse momento e é como se, mesmo preenchidos e tocados pelos Deuses, nos sentíssemos vazios e prestes a sermos preenchidos com novos insights e aprendizados.

E embora estejamos confusos com tudo isso, uma noção profunda de integração com tudo, com o todo, nos toma de assalto e nos impulsiona a continuar rumo ao desconhecido que nos parece ao mesmo tempo extremamente com conhecido.
Figuras: Tarot fo the sevenfold mistery e Wetzel

publicada por Lua Serena às 1:30 AM 1 Comentários

Terça-feira, Agosto 18

ARCANO IX - O EREMITA

O Encapuzado, O Profeta, O Mago da Voz do Poder, O Eremita, O Ermitão ou O Buscador são apenas alguns dos nomes pelos quais esse arcano é conhecido. Ele nos fala da passagem do tempo e tudo que isso implica em muitos níveis, desde a maturidade e experiência adquirida com os anos e experiências vividas, até a negação da passagem do tempo, a resistência às mudanças e solidão, que muitas vezes é conseqüência dessa postura.

O Eremita representa todo aquele que leva a luz, o conhecimento, o esclarecimento. Por isso, na imensa maioria de suas representações, o peregrino na ilustração carrega uma lanterna em meio um caminho escuro. A lanterna é o símbolo da luz do conhecimento que brilha na escuridão e na solidão.

Essa carta nos revela a consciência das limitações de ser mortal, é a consciência da mortalidade e limitações do corpo, e é a consciência de estar sozinho na vida, por mais cercado de amor e de pessoas... somos sozinhos no corpo.

Tal qual os Deuses, somos uma parte de imenso todo, mas somos também indivíduos,somos únicos em nosso complexo modo de ser também... Deus. É disso que trata O Eremita.
Representa as lições da vida e do tempo que ensinamos aos que estão chegando, seja num caminho espiritual, num emprego, a um filho, a um amigo.

Pode representar um mestre espiritual, um velho sábio, ou a auto-iluminação, a auto-iniciação, um desejo profundo de seguir aquilo que é extremamente significativo e toca seu coração ou u momento de recolhimento temporário.

Numa jogada de saúde, pode simbolizar cura pelas mãos, complicações intestinais ou de coluna, bem como longevidade, dependendo bastante das cartas ao redor.

É um arcano que nos inspira a solidariedade e à busca por sermos uma pessoa melhor, é a compreensão de que tal busca e tal inspiração nasce de dentro e está diretamente ligada a nossos ancestrais, nossos mais velhos e nossos Deuses.

O Eremita simboliza os conhecimentos secretos que acessamos na solidão de nossas meditações, quando entramos em contato com nossos velhos mestres espirituais. Por isso, na verdade, esse arcano nos fala da solidão de associações mortais,físicas, pois espiritualmente nos conecta com os seres espirituais, muito embora nem todos dêem ouvidos a isso. Talvez esse seja o aspecto vivenciado m distorção que nos leva ao sentimento da solidão negativa.

Simboliza a busca de todos nós por respostas, e é nessa busca que alguns, de fato, tronam-se grandes eremitas, levando a luz aos outros que seguem atrás, usando seu trabalho no mundo como um caminho espiritual.

Alguns podem confundir esse arcano com O Hierofante. Nesse caso, vale a lição de Wirth, que nos diz o seguinte a respeito desse arcano: “A missão do Eremita não é fixar crenças pela formulação de dogmas, pois ele não é O Hierofante; ele não se dirige às multidões nem se deixa ser abordado com facilidade e, desta forma, ele prepara eventos formidáveis,pois por ser desconhecido de seus contemporâneos, ele se torna um moldador real do futuro. Sem interesses próprios, ele tece a teia sutil do que está para acontecer.”

Em outras palavras, O Eremita muitas vezes se veste de um estranho anonimato, sendo aquele que poucos percebem à frente. Um verdadeiro sábio que mesmo sem a pompa do Hierofante molda muitos que talvez jamais venham a enxergar isso.

PALAVRAS-CHAVE: sabedoria, busca, introspecção.

SITUAÇÕES E PESSOAS: Pode representar uma pessoa extremamente sábia, um conselheiro sutil, mas a quem o consulente deve muito. No negativo, pode representar alguém fechada em si, anti-social. Pode representar um período de busca, em que a vida amorosa fica em segundo plano. Pode também significar um período de muito trabalho, em que o consulente talvez não receba as honras por seus méritos, mas a recompensa estará em algo melhor, talvez a satisfação de estar trabalhando seja o melhor das honrarias, saiba disso o consulente ou não. Também pode simbolizar um período de isolamento ou sentimento de solidão.

ASPECTOS POSITIVOS:
bênçãos ancestrais, solidariedade, concentração, a paciência, a prudência, o silêncio, a meditação, a busca pela sabedoria, reflexão, introspecção e autoconhecimento, auto-análise, o afastamento das superficialidades.

ASPECTOS NEGATIVOS: introversão exagerada, solidão, auto-suficiência que afasta os outros, isolamento, timidez excessiva.



O EREMITA E A SENDA INICIÁTICA

Conhecimentos secretos e sagrados nos são revelados quando vivenciamos essa etapa do processo iniciático. Aqui somos apresentados aos mistérios da ancestralidade. Nesse momento, somos conectados aos nossos ancestrais, não sendo difícil vermos relatos sobre sonhos com antepassados.

Esse arcano nos ensina que é na solidão de nossas meditações que então nos conectamos aos nossos ancestrais, aqueles que nos ajudarão a trilhar o Caminho dos Antigos.

"é nesta solidão que as atividades mais profundas têm início. É aqui que você descobre a ação sem movimento, o trabalho que é um repouso profundo, a visão na escuridão e, além de todo desejo, uma realização cujos limites se estendem até o infinito." (Thomas Merton)

Definitivamente, não é por acaso que muitos chamam a Arte de O Caminho dos Antigos. Esse arcano nos revela a compreensão de que faltasse apenas uma pessoa em toda a nossa linhagem ancestral sanguínea... não estaríamos aqui, pelo menos não como somos hoje. São nossos ancestrais quem nos guiam agora, é nosso poder ancestral que nos conecta com os Deuses Antigos.

Mas vale dizer que a ancestralidade não se restringe à conexão sanguínea, pois os adotados, aqueles que não possuem conhecimento de sua família de sangue também possuem ancestrais, sejam esses espirituais ou mesmo carnais, dentro d sua família. Afinal, cada um aqui nessa vida possui lições a aprender e a ensinar, principalmente dentro de nossa família, nosso clã, nosso círculo primeiro. Também é aqui que muitos, dentro de um círculo, pode sentir necessidade de se unir mais a algum ancião da Tradição como forma de busca de conhecimento, ou até mesmo, pode haver a ocorrência de lembranças passadas que liguem o postulante àquele ancião.
Nesse momento, através da meditação – que nesse momento, torna-se uma ferramenta poderosíssima em nossas práticas – nos conectamos com nossos velhos mestres espirituais, estamos mais próximos dos Deuses Antigos e por isso a conexão com o passado e com o futuro se torna forte, podendo ocorrer regressões espontâneas durante as meditações, bem como premonições.

Nessa fase do caminho, começamos a compreender a união dos opostos, o amor da Deusa e da Deusa, a união sagrada de tudo aquilo que nos parece antagônico, como passado e futuro se apresenta para nós de uma forma nova.
Deusas como Hécate podem se fazer presente nesse momento através de revelações, visões, vozes. Não se assustem... Esse momento iniciático é extremamente forte e transformador. Siga em frente.

Estamos conscientes daquilo que já aprendemos e dividimos com os nossos irmãos. Os muitos Ermitões à nossa frente nos fazem enxergar nesse momento que também carregamos uma lamparina para tantos outros atrás de nós.

Aqui a nossa busca se torna extremamente séria, não que não fosse antes, mas aqui há uma consciência especial de responsabilidade Passamos pela Justiça, sentimos na pele a li tríplice agindo, recebemos aquilo que semeamos, aprendemos um pouco... é hora de levar o conhecimento ao outro que vem atrás.

A vida é isso, cada um vai abrindo caminho com a luz d sua lamparina e se guiando pela lamparina daquele que vai à frente. Aqui compreendemos que cabe a nós deixar aqui um mundo melhor pra os que estão por vir... seja na Arte ou em outro aspecto de nós.

Afinal, um dia também seremos o ancestral de alguém.
Bênçãos,
Lua Serena
Figuras: a primeira é do Mystic Tarot, a segunda desconheço o autor, quem souber, por gentileza me avise para eu citar a fonte.

publicada por Lua Serena às 11:15 AM 1 Comentários

Quarta-feira, Julho 1

ARCANO XIX - O SOL


O Sol é sinônimo de vida, de alegria, de fazer acontecer os nossos sonhos de alegria e prazer. É o despertar de nossa criança interior que nos leva a uma nova perspectiva de vida, com a liberdade de sermos quem somos.


Depois da Lua, a escuridão de nosso inconsciente, trilhamos o caminho da luz da consciência, conectados com o que somos, cientes de que somos trevas e de que somos luz. Aprendemos que não podemos ficar apenas na escuridão introspectiva, pois somos a luz, o movimento e a vida.


O Sol fertiliza a terra e é por isso que simboliza a vida. Mas, notem que esse arcano vem depois da Lua... por que para compreendermos sua luz e para sermos parte dessa luz, precisamos antes adentrar as nossas mais escuras profundezas. Somente damos valor e compreendemos a importância da luz quando nas trevas. De igual forma, a compreensão da importância da escuridão só pode ser plenamente compreendida quando encontramos com a luz.


Essa carta representa todos os caminhos abertos pela luz, seja pelos nossos próprios atos transparentes, seja pelo brilho dos Deuses. É uma carta de bênçãos plenas e brilhantes, do otimismo, da confiança em si e na vida, clareza nos caminhos.


É a carta da cooperação, da união que faz a força, da colaboração.Sentimo-nos entusiasmados com algum projeto, algum momento da vida. Simboliza também um início de um novo ciclo feliz que nos impulsiona ao FAZER, ao colocar em prática tudo aquilo que aprendemos até o momento. Aqui já trilhamos momentos difíceis, trevas e pedras, desmoronamentos, mortes... agora renasceremos livres de amarras e podemos agir sendo quem somos de verdade.
Em muitos tarôs a carta nos mostra duas crianças com aspectos felizes e símbolos dos signos do zodíaco. Significa dizer que é a carta da harmonia entre todos e a percepção consciente de que, de fato, “o sol nasce para todos”.


Pode significar também uma união, um casamento ou uma profunda amizade. Ao mesmo tempo tem-se a consciência da individuação, da unidade paradoxal de ser UM com o todo. Através da luz do Sol enxergamos a vida de uma forma nova, feliz e ativa.
No tarô egípcio esse arcano é denominado “A Inspiração”, que é obtida através do acesso à luz interior de cada um de nós.


Simboliza também a revelação de segredos, o enxergar sem ilusões.


Por simbolizar a consciência e a mente, esse arcano é símbolo da cabeça e cérebro, do que se infere que problemas nessa parte do corpo podem ser percebidos quando essa carta sai em uma jogada. Mas não podemos esquecer que é também o símbolo do coração, razão pela qual problemas no chacra do coração ou mesmo no órgão podem ser percebidos quando temos o aparecimento desse arcano numa jogada.


É o arcano da razão aliada à espiritualidade em seu aspecto mais benéfico.


No entanto, como já notamos, é também uma carta ambígua, pois o Sol que fertiliza a terra, também é responsável pela morte. O Sol, o fogo que aquece também destrói se não manipulado com equilíbrio. E é por isso que em seu aspecto benéfico trata da razão com espiritualidade ou sentimento. Razão e somente razão nos leva a extremos. Razão sem emoção ou sem espiritualidade pode nos levar aos caminhos da arrogância do tudo saber e com o ceticismo que cega. O Sol ilumina nossos caminhos, mas pode também nos cegar.


É preciso equilíbrio e sabedoria para vivenciar todo o brilho trazido pelo Sol, a fama, o sucesso, a grandiosidade são domínios do Sol.


Vivenciar o Sol plenamente é equilibrar razão e emoção, mente e espírito, uniões que se revertem em compaixão e ação.


PALAVRAS-CHAVE: Realização, ação, alegria, individuação.

PERSONALIDADE: Pessoa alegre, com sorte, feliz e radiante. Em seu aspecto negativo, pessoa arrogante, cega pela vaidade.

ASPECTOS POSITIVOS: Felicidade, satisfação, entusiasmo, clareza, caminhos abertos, união feliz, amizade, colaboração, magnetismo, cumplicidade, mente e espíritos iluminados, sabedoria, consciência plena, grandeza, sucesso, fama, proteção.

ASPECTOS NEGATIVOS: arrogância intelectual, julgar-se melhor e diminuir os demais, claridade que ofusca a visão, vaidade tola, atitudes superficiais, falsas alegrias.



O SOL E A SENDA INICIÁTICA
Nesse ponto de nossa jornada um renascimento profundo e feliz acontece. Estamos prontos para agir baseados em tudo o que aprendemos. Sabemos que muito ainda percorreremos e voltaremos a percorrer, mas nesse momento da jornada um sentimento profundo de amor e renascimento nos toma e somos iluminados pela luz do Sol.

Passamos por muitos percalços, encaramos todos os eus, todas as máscaras são retiradas e somos então o que de fato somos. Nos lembramos que também somos luz e a consciência do dia, da atividade nos toma de assalto. Sentimos que devemos agir e fazer algo com tudo aquilo que aprendemos.

É hora de agir e compartilhar com o mundo aquilo que recebemos. Estamos prontos para renascer nessa nova realidade que a partir do Sol começa a despontar radiante, iluminando-nos de dentro para fora.

Aqui compreendemos por que a carta da Lua vem antes, a escuridão necessária, as trevas do útero da Grande Mãe que gera tudo, inclusive a luz do Sol. A Deusa que gera a luz, que também a contém, sendo Ela também as trevas, nós e tudo o mais.

Como as crianças que se apresentam em muitos tarôs nos sentimos prontos e renascidos para a ação. Mas antes há ainda uma última lição a aprender. Uma lição que ao longo de nossa jornada já recebemos em escala menor, mas que nesse momento se torna central: administrarmos o nosso próprio brilho. Resta-nos aprender que o fogo que ilumina e aquece também fere e mata, o Sol que ilumina e germina a terra, também é capaz de nos cegar por completo e de destruir plantações.

Sim, aqui renascemos plenos de quem somos e aprendemos que somos brilhantes tal qual Apolo, Horus, Brighit, Sekhmet... Compreendemos que brilhamos e iluminamos os caminhos de outros, mas que também somos capaz de, cegos, cegarmos também os outros.

É o momento de unirmos a razão e a emoção, a mente e o espírito e atingirmos a iluminação, conscientes de que não só de luz somos feitos, mas também somos feitos! E devemos brilhar sim, e distribuir esse brilho por cada lugar por onde passarmos. A consciência de ser a Deusa e de ser o Deus deve vir acompanhada da ação e não da arrogância e ilusão, a “cegueira da visão”.

Aqui nesse ponto renascemos compreendendo que encaramos a Deusa na carta da Lua, o inconsciente, as trevas... compreendemos que no Sol encontramos o Deus, a luz, a consciência... mas além disso, compreendemos que Ele está também na escuridão e Ela também está na luz.
É a compreensão da unidade, de ser UM com tudo em suas muitas formas e ramificações. E atingir essa consciência só é possível após passarmos por muitos períodos que simbolizamos pelas cartas do tarô, cada qual com seu universo de aprendizado, de ensinamentos.

Agora é o momento de renascer em alegria e luz, conscientes de nossas trevas mais profundas. É o momento de renascer para a ação, para colaborar, para iluminar os demais e a nos mesmos.
Estamos renascidos, aguardando o chamado da Deusa em seu aspecto mais profundo, Nós o ouviremos no Julgamento.
Imagens: Gaian Tarot e Pomegranate Tarot

publicada por Lua Serena às 12:58 AM 1 Comentários