24 de outubro de 2008

VENEZA, A Cidade Ocultista


Veneza situa-se na região nordeste da Itália e é conhecida mundialmente por seu carnaval, por suas românticas gôndolas, e por suas ruas antigas, recheadas de histórias de amores, encontros, suspiros... Quem é que nunca pensou em passar a Lua de Mel em Veneza?
Enfim, Veneza é repleta d’amore. Mas como nem só de amor se vive, Veneza também ficou conhecida como grande potência militar e um importante pólo comercial e cultural do mundo medieval.
Nesse contexto, e aqui viajamos para o século XVI, encontramos uma Veneza carregando uma bagagem interessantíssima, lotada de intelectualidade, filosofia e, o que nos interessa no momento, ocultismo.
Sabemos que, à época, Roma era a cabeça espiritual que regia todo o mundo dito civilizado, dando uma vasta “contribuição” a este com a famosa Santa Inquisição.
Ocorre que Veneza e Roma, bem como qualquer potência política, eram movidas por interesses e, como é se de esperar, certos interesses no mais das vezes geram conflitos.
Além de interesses políticos, Veneza e Roma discutiam calorosamente sobre doutrina religiosa e independência ideológica.
O então Papa Clemente VIII, que de clemente não tinha nada, nutria suas suspeitas de que Veneza era um enorme depósito de “hereges”, que eram na realidade calvinistas, luteranos e estudantes de ocultismo.
A bem da verdade, ele não estava enganado, pois Veneza abrigava pensadores, intelectuais liberais e ocultistas. Havia um grande caráter liberal em Veneza, conquistado por meio de negociações entre os governantes venezianos e a Igreja.
É certo que Veneza teve concessões. Tais eram essas concessões, que podia-se encontrar “livros proibidos”, elencados no Índex da Igreja Católica, circulando pelas ruas da cidade. Por essa razão, Veneza atraía inúmeros estudiosos e pensadores não-ortodoxos. Um dos mais famosos foi Giordano Bruno, de quem pretendo tratar numa outra ocasião.
Em meados de 1521, Veneza, como não tinha sido diferente no passado, continuava desafiando o poder do Vaticano e criando suas próprias regras de Inquisição. Como, por exemplo, banir a tortura como método inquisitório.
Tamanha era a independência geradora de animosidade de Veneza em relação a Roma, que quando o rei da França Henrique III, homem conhecido por seu interesse em magia e patrono de Nostradamus, foi assassinado, Veneza deu asilo ao seu sucessor, que era simpatizante do protestantismo.
Dá para visualizar o porquê de Veneza atrair livres pensadores e ocultistas, não é?
Em 1587, foi fundado em Veneza a Accademia degli Uranici, onde se reuniam famosos ocultistas da Idade Média.
Seu fundador, Fabio Paolini havia publicado várias obras importantes, entre as quais um tratado sobre a memória, chamado Hebdomades, que veio a se tornar uma espécie de bíblia ocultista, considerado por muitos como o maior exemplo do ocultismo veneziano.
As reuniões da Accademia eram realizadas, na maior parte do tempo, às escondidas nas casas dos membros.
Além de, claro, ocultistas e pensadores liberais, seus membros também eram compostos por livreiros ocultistas que eram a fonte da doutrina ocultista de Veneza. Um deles era Giovanni Battista, conhecido como Ciotto, seguidor das idéias de Giordano Bruno sobre mundos paralelos, e dono de uma livraria chamada Minerva, situada na rua Merceria, a mais importante da cidade.
Das reuniões ocorridas às portas fechadas em lugares discretos de Veneza pouco se sabe. Mesmo depois que a Inquisição conseguiu capturar alguns de seus membros, nada se falou sobre as tais reuniões. Nos processos pelos quais passavam os acusados, quando algo relacionado a ocultismo, Accademia, membros pertencentes, etc era suscitado, ninguém revelava nada. Ao contrário, negava-se veementemente qualquer ligação com magia, ocultismo ou reuniões para discutir idéias correlatas.
Mas a verdade sempre se esconde atrás daquilo que ilude nossos olhos, e o legado ocultista deixado por meio de idéias, livros, fragmentos, etc nos mostra o que realmente acontecia. Nada mais que uma forma de proteger o que e quem ainda restava livre das garras da Igreja.
Veneza, portanto, nos reserva tesouros importantes, além do amor e do romantismo, deve ser tratada com o carinho e o respeito que merece, por ter sido um lugar onde se podia desafiar, ao menos um pouco, o poderio da Igreja.
Passemos a olhar além dos olhos, a perceber do que somos capazes quando detemos conhecimento, sabedoria e vontade.
Veneza é o arcano 11 do tarô... Sem dúvida!

Beijos a todos

3 comentários:

Anônimo disse...

Eu moro aqui em veneza e digamos que por toda a cidade ainda se sente uma vibracao diferente de todas as demais cidades, apesar de toda a beleza, veneza possui um lado obscuras, tantas historias de pessoas, casas, fatos sao contados ainda pela populacao,me lembro em especial a historia da "casa da boneca" onde varias pessoas diziam ver uma boneca que caminhava sozinha pela casa, com olhos vermelhos e se observasse o jardim da janela do ultimo andar, se pode ver um pentagrama queimado na terra. A casa estava abandonada ateh pouco tempo quando foi restaurada e comprada pela igreja catolica, servindo de abrigo aos padres. Muita luz a todos!

Lua Serena disse...

Obrigada pela partilha!

Um dia ainda escreverei um artigo sobre as minhjas impressões pessoais, quando eu puder visitar essa cidade fantástica! Bênçãos

poliana marton disse...

com certeza,e tenho certeza q vc vai gostar mto!!!