23 de janeiro de 2006

O que buscam os Neopagãos?


O Cristianismo começou como uma religião de oprimidos. Romanos e judeus dominavam os tesouros e riquezas e às mulheres e aos escravos não restava alternativa que não fosse a subserviência. Logo, a nova religião transformou-se na saída possível, já que aceitava a todos como filhos de um mesmo pai. No entanto, com o tempo tal cenário foi se modificando. As classes dominantes tomaram para si o controle do cristianismo a fim de subjulgar os mais fracos. Assim se passaram os últimos 1.500 anos da história.

Mas o que tem se visto nos últimos 50 anos é uma "não-tolerância" a essa dominação. A população começa a questionar a necessidade de um intermediário no contato com o divino e busca, nas crenças anteriores ao cristianismo, uma maneira de espiritualizar-se.

Com o desenvolvimento dos estudo arqueológicos e antropológicos, chega ao conhecimento destes como viviam os povos pré-cristãos, e na tentativa de resgatar esse contato direto com o divino é que nasce o atual movimento Neopagão.

Mas quais são as bases desse novo modo de ver o mundo? De início, tem-se a religação com a natureza. Os povos primitivos eram, em sua maioria, agrícolas, e era no ambiente onde viviam que buscavam seus deuses. Daí surge o próximo conceito, que seria a sacralidade diária. Assim, os deuses se manteriam e apresentariam na rotina e no habitat de seus cultuadores. O ato de viver torna-se sagrado. Dá-se mais valor aos processos naturais como o alimentar-se, envelhecimento, contato sexual etc.

A partir da observação mais próxima dos processos naturais e da Natureza em si, vem a consciência da não-existência da bipolaridade "bem/mal" ou, no antigo conceito judaico-cristão, "Deus/Diabo". Passa-se a perceber a multipolaridade ou totalidade dos processos naturais. Dessa maneira extingue-se o conceito de Pecado.

As religiões monoteístas afirmam que o "agir mal", ou agir em oposição à doutrina, afasta a pessoa da divindade e a leva de encontro ao personificador do mal, ou Diabo. Para se ver livre desse pecado, o cristão, judeu ou mulçumano tem de recorrer ao auxílio de um sacerdote. Somente este tem o contato com o divino e o poder de lavar a alma do pecador e encaminhá-la ao Paraíso, para sua libertação.

Já o paganismo, ou neopaganismo, ao eliminar o pecado e ao trazer a divindade ao cotidiano, elimina também a necessidade de um intermediário, ou sacerdote. Cada um passa a ser o seu próprio sacerdote, e a manter contato direto com os deuses que cultua.

A sacralização do corpo e do habitat só traz resultados positivos. O neopagão não age pensando no Paraíso ou no contato com Deus post-mortem. Pelo contrário, respeita a si e ao meio-ambiente, sabendo serem estas a moradas de seus deuses.

Logo, como ser neopagão nos dias de hoje? A palavra-chave é EQUILÍBRIO. É isso que se deve buscar. Não é vantajoso ser "bonzinho" para assim atingir o Éden. Deve-se criar a consciência de que o Jardim Encantado é aqui e que, somente preservando-o, há que se viver bem.
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