19 de outubro de 2011

CHIFRES

Em diversas culturas, os chifres aparecem em referência a deidades poderosas, na maioria das vezes, deidades masculinas, mas também femininas. Os chifres, embora deturpados com o passar do tempo, sempre foram símbolos de poder.

Guerreiros de inúmeras culturas usavam chifres como símbolo de sua força e poder, dentre eles os celtas, os vikings e os gregos. Até mesmo nas histórias cristãs... Para representar isso, Michelangelo esculpiu a estátua de Moisés com chifres. Entre os africanos e os pajés indígenas também encontramos os chifres como emblema de poder.

No Egito, em Karnak, em honra ao Deus Amon-Rá, o deus de chifres de carneiro. Nessa mesma cultura temos vários deuses e deusas representados com chifres. Entre os minoicos e suas inúmeras representações de chifres taurinos. Entre os celtas, temos as representações de Cernunnos e, posteriormente, Herne, o caçador. Na Grécia, temos Dionísio e Pã, deuses de chifres ligados à vida e ao êxtase. Na Babilônia temos a imagem de Enkidu, bastante parecida com a imagem posterior do diabo cristão. Temos também o epíteto de Shiva, o senhor dos gados, como Pashupati.

Podemos observar que embora muitos de nós cultuemos deidades europeias, os chifres não são exclusividade dessa região.

Poderíamos ficar aqui elencando as inúmeras representações dessa força selvagem, potente e profundamente ligada à humanidade. Ligação que, aliás, permanece até hoje numa versão demonizada... trazendo a relação do poder do chifre e também do medo. Essa ideia persiste na figura do diabo cristão, que atormenta e traz o mal àqueles que não seguem os preceitos do deus cristão.

Nem mesmo a jocosa relação dos chifres com a infidelidade tirou da cabeça da humanidade (olha o trocadilho) o medo dos chifres... Dizem que onde há medo, há poder... Bom, em se tratando de chifres isso é bem verdade.

Há outras referências aos chifres... A cornucópia da abundância nada mais é que... chifre. Entre os tropeiros, o chifre se tornou instrumento de agrupamento de animais, de chamada... o berrante. Muitas são as histórias de feitiçaria pesada feita para os inimigos usando chifres de bode. Aliás... o próprio sacrifício de bodes é, na verdade, uma reminiscência de antigas práticas.

Enfim, o chifre é bastante poderoso. E não é à toa que muitos de nós, bruxos e bruxas, chamamos o a figura masculina da divindade de chifrudo, cornífero, deus de chifres...

Muitos, mas não todos.

Não podemos negar que o ressurgimento da Bruxaria trouxe à luz antigos cultos e histórias de deuses de chifres. Mesmo que muitos assim não queiram admitir a Wicca foi a porta para que muitos de nós soubéssemos da existência de um deus de chifres. Nessa vertente de Bruxaria, tem-se a ideia de que o consorte e filho da Deusa Mãe é o Deus de Chifres, trazendo para a modernidade antigos deuses de antigos povos e crenças.

Significa dizer que “Cornífero” é uma denominação moderna para as diversas formas masculinas da divindade. A essência comum de todas essas mitologias é a profunda ligação de todos os deuses chifrudos com a natureza. Num primeiro momento, a natureza selvagem, intocada, fértil e poderosa. Num momento posterior, já com o descobrimento da agricultura, muitas figuras dos deuses chifrudos foram associados às culturas agrícolas, como o deus das colheitas, que se oferece em sacrifício para que a humanidade possa sobreviver.

Mas assim como muito na Arte, há também diversidade no culto aos Deuses. Nem todo bruxo ou bruxa necessariamente é um cultuador de um Deus necessariamente chifrudo. Porém, as figuras masculinas de deuses, com chifres ou não, com as quais as bruxas e bruxos se ligam bastante, possuem uma essência muito marcante que é um misto de potência, poder, de fertilidade, fertilização, sexo, matéria... E quando pensamos nisso tudo, voltamos... aos chifres.

Seja como for, é bastante difícil traçar uma linhagem histórica dessa figura chifruda atual, o Cornífero, pois embora ela hoje se apresente como tal, seu surgimento se dá em culturas diversas, épocas diversas, sob nomes diversos...

O ideal é que se eleja uma divindade masculina chifruda e se discorra sobre ela. Do contrário, eu ficaria aqui por anos e anos escrevendo sobre as tantas figuras de homens/deuses de chifres. E se mesclarmos isso às figuras femininas de chifres então... é um trabalho para anos de pesquisa. Não que não seja legal, é muito... mas, no momento, não tenho como fazer isso.

Assim, deixarei para que cada um escolha sua divindade chifruda preferida e discorra sobre ela em nossos estudos no Grupo de estudos do Caldeirão de Circe.

Acho que será muito enriquecedor para todos.

Beijos,

Lua Serena

22 de setembro de 2011

EVIDÊNCIAS HISTÓRICAS DO CULTO A DEUSA

Quando iniciei meu caminho na Arte, mal sabia que isso iria me levar por inúmeros caminhos do saber!

Acho que dentre as poucas coisas que aprendi, uma das mais importantes foi que se queremos, de fato, entender o que praticamos, devemos beber de inúmeras fontes do saber... Matemática, Geografia, Filosofia, Arte, Antropologia, Geologia, História, e por aí vai... Sem dúvida, quando nos damos conta disso, entendemos por que é que vamos à escola. E por que é que na Antiguidade existiam as escolas de mistérios. Nosso estudar deriva delas. Ou seja, nada está dissociado, nossa vida material não é separada de nossa vida espiritual... Para constatar isso, basta que olhemos as coisas sob outro prisma, não é mesmo?!

Enfim, estudar de verdade aquilo que praticamos nos levará por muitos caminhos do saber. Um deles, foco deste nosso estudo agora, é a História.

As evidências históricas do culto à Deusa foi o tema de uma palestra eu que tive oportunidade de ministrar em três ocasiões diferentes. Cada uma dessas ocasiões foi especial para mim, atraiu diferentes pessoas, todas interessadas em descobrir as origens do culto ao Feminino. Houve, de fato, um culto pré-histórico ao Feminino, que teria sobrevivido até os dias atuais? Acredito que muitos se perguntam a respeito disso. Bem, assim como tantos outros assuntos relacionados com a Bruxaria, vocês perceberão que não há uma resposta sem oposições.

Vejam que um estudo aprofundado sobre este tema é vasto e daria uma dissertação de mestrado ou tese de doutorado. Então resolvi desenvolver esse tema enfocando uma pequena parcela do assunto. Mais ou menos o que eu fiz quando ministrei a palestra.

Primeiro vamos entender uma questão conceitual.

Quando falo de evidências do culto à Deusa, entendam “Deusa” como sinônimo de “sagrado feminino”, que é a sacralidade do sexo feminino. Em outras palavras, quando eu digo “Deusa”, não estou afirmando que havia um culto idêntico espalhado pelo mundo que tinha como foco de reverência uma Deusa única. Mesmo por que, eu não acredito nisso. Eu acredito que as evidências apontam para uma reverência ao sagrado feminino, ao corpo feminino reverenciado pela sua natureza geradora. E que essa ideia pode ou não ter sido compreendida como um microcosmo. Em outras palavras, eu acredito que o feminino foi reverenciado como sagrado e que pode ter partido daí a ideia de uma Deusa, o macroscosmo. Mas não significa que nós, lá no paleolítico, por exemplo, tínhamos uma noção de Deusa, ou de religião como temos hoje. Acho que é preciso que a gente tenha isso claro em mente para podermos discutir o assunto. Para mais informações sobre isso, procurem ler sobre proto-religião, religião primal, religião natural, dentre outros termos, que são conceitos sobre o tipo de religiosidade que se estabeleceu entre os seres humanos da pré-história.

Pois bem, a partir do século XIX, essa religião primal foi alvo de inúmeros estudos. Um dos que se debruçaram sobre o assunto, foi Johann Bachofen, um jurista e antropólogo suíço, que defendeu a existência de um Direito Matrilinear, que ele chamou de “Direito-Mãe”.

Bachofen traçou inúmeros paralelos sobre esse direito e as religiões primais da humanidade, afirmando que essa primeira manifestação de religiosidade humana era focada na mulher. Seus estudos foram criticados por muitos, mas também foram a base de estudos de muitos outros.

Bachofen defendeu essa tese em razão de inúmeras estatuetas encontradas na Europa e em outras localidades do nosso mundo vasto mundo. Essas estatuetas ficaram conhecidas como as “Vênus Esteatopígicas”, ou simplesmente, “As Vênus”, que são figuras femininas, em geral com as partes íntimas exageradamente grandes.

A primeira foi descoberta no século XIX pelo Marquês de Vibraye, na França. A partir disso, inúmeras outras foram encontradas. A mais famosa, inclusive entre nós pagãos, é a Vênus de Willendorf. Ela foi encontrada em 1908 no vale do Danúbio, na Áustria. A mais antiga dessas “senhoras vênus” – pelo menos na Europa – é a Vênus de Hohle Fels, descoberta em 2008, na Alemanha.

Pois bem, os anos foram passando e enquanto as Vênus surgiam em mais e mais números, muitos outros estudiosos seguiram os passos de Bachofen, formulando teses sobre o signo, significado e simbologia dessas estatuetas e também sobre o foco religioso dos povos do passado. Muitos foram os que defenderam a existência de civilizações matriarcais, matrifocais e matrilineares.

Antes de avançarmos, vale a pena entendermos o que cada um desses termos significa.

MATRIARCAL: Forma de estrutura social em que todo poder está com as mulheres, seja esse poder, político ou espiritual. Se bem que, é importante dizer, em civilizações antigas o poder político e social muitas vezes não era apartado do poder espiritual. O Matriarcado se caracteriza pela supremacia feminina. Podemos, inclusive, falar em dominação e opressão. Quando falamos de Matriarcado, o sentido é o mesmo que Patriarcado, só que no primeiro caso, o foco dominante é feminino.

MATRIFOCAL: Sistema social com enfoque no feminino, sem que haja dominação. Nesse caso, o enfoque é feminino, mas não há dominação. Eu costumo dizer que nossa sociedade hoje é patrifocal, uma suavização do patriarcal de um tempo atrás. Ou seja, hoje o mundo é bastante focado no masculino, mas não significa que o universo feminino seja desconsiderado, nem significa que as “coisas de mulher” sejam tão ridicularizadas como eram no passado. Mas ainda há um foco no homem. Espera-se que as pessoas tenham muito mais posturas masculinas que femininas. Eu percebo esse patrifocal muito forte também quando assisto a alguns filmes. Se um filme tem como personagem principal um homem e sua vida (profissional, relacionamento, etc), esse filme é aceito normalmente por homens e mulher. Ou seja, homens ou mulheres, tanto faz, possivelmente se identificarão com o personagem ou sua história, postura, etc... Mas se o personagem é feminino e a história fala de sua vida... em regra ele é classificado como um filme feminino, para mulheres... Enfim, uma visão particular, mas que ilustra o que vem a ser um patrifocal, ou um matrifocal quando falamos do foco feminino.

MATRILINEAR: Trata, em termos gerais, de linhagem sanguínea derivada da mãe, sobre Direitos dos filhos nascidos de determinada mãe. Um exemplo moderno de matrilinearidade é a sucessão de sobrenomes na Espanha. Até hoje, o sobrenome que é passado de uma geração a outra, é o feminino.

Pois muito bem, muitos defenderam a existência de sociedades cujo feminino era dominante ou focado. Uma dessas civilizações foi a Civilização Minóica ou Minoana. Esse nome foi cunhado por Arthur Evans, antropólogo não profissional que descobriu a existência de uma civilização extremamente desenvolvida na região das ilhas gregas do mar egeu. Dentre essas ilhas, a mais conhecida era e é Creta, onde, inclusive, Evans descobriu o Palácio de Cnossos.

O nome da civilização guarda relação com o nome de seu rei, Minos. E segundo as descobertas e conclusões de Evans, a mulher nessa sociedade detinha poder e status, e eram as condutoras dos ritos iniciáticos da religião minoica. Não é possível saber tudo sobre essa civilização, mas sabemos que muitos deuses gregos são de origem minoica, como por exemplo, Rhea ou Réia, a mãe comum de todos os seres. E isso não foi Evans quem disse. Evans defendeu a proeminência política, social e religiosa da mulher naquela civilização. Ele não disse que eles adoram a uma única Deusa, até mesmo por que as escavações na região e outras referências histórias demonstram que a religião minoica era politeísta. Contudo, há também muitas referências a uma Deusa Mãe Minoica, mãe de todos os outros Deuses...

De todo modo, Evans também foi extremamente criticado por suas conclusões acerca da posição feminina na sociedade minoica. Suas conclusões foram aclamadas e criticadas, mas seu legado é referência até hoje.

Outra figura importante para estudarmos é Marija Gimbutas, antropóloga lituana que, Influenciada pelas descobertas, principalmente de James Mellaart no sítio arqueológico de Çatalhouyk, na Turquia, estudou os artefatos neolíticos encontrados até a década de 60, em vasta área (da Rússia a Itália), e concluiu que aquelas sociedades tinham uma raiz religiosa matriz: a figura de uma Deusa Mãe.

Marija Gimbutas apontou diferenças entre a religiosidade primal da Europa, focada na figura feminina da Divindade e na mulher, e entre a religiosidade com um modelo Indo-Europeu patriarcal. Tendo esse último suplantado o primeiro. De acordo com esta interpretação, as sociedades ginecocráticas, dominadas por mulheres, eram pacíficas e igualitárias, enquanto as sociedades androcráticas, ou dominadas pelos homens (que Marija chamou de Kurgans), por outro lado, teriam invadido a Europa e imposto sobre os nativos o domínio dos homens guerreiros. Essa teoria foi extremamente criticada por uns, assim como aceita por outros. Um de seus críticos foi o arqueólogo britânico Colin Renfrew.

Colin Renfrew sempre se pôs à teoria de que os Kurgans teriam migrado e dominado povos do Neolítico, trazendo a supremacia masculina. Sua teoria é de que os povos indo-europeus teriam se expandido a partir da Anatólia, parte da atual Turquia. Esse ramo de estudo se mescla com o estudo da Linguística, e há muitas controvérsias tanto na teoria de Marija, quanto na teoria de Renfrew.

A teoria dos Kurgans foi uma das teorias elaboradas, por aqueles que defenderam um culto ao feminino, para a extinção das sociedades focadas nas mulheres ou até mesmo igualitárias dos gêneros, dando lugar às primeiras ideias de patriarcado. Outras teorias sugerem uma mudança gradual do enfoque de gênero baseado na força física, no fato da mulher engravidar... há também quem afirme que o matriarcal deu lugar ao patriarcal exatamente em razão da opressão das mulheres nos homens. Enfim, especulações, teses variadas...

Tenho estudado a cultura minoica há algum tempo e naquela sociedade em particular – que para mim caracterizava-se por ser matrifocal – eu creio que o patriarcal tomou lugar quando houve a grande explosão do vulcão na ilha de Thera.

Thera, onde hoje está a ilha de Santorini, era o coração religioso da civilização minoica. Para esse povo, as mulheres exerciam poder espiritual. Ou seja, assuntos espirituais eram domínios femininos, mas admitiam alguns homens. Já assuntos comerciais eram domínios masculinos, embora também houvesse abertura às mulheres. A política, naquela época nem um pouco apartada das questões religiosas, era exercida por homens e mulheres.

Quem detinha o poder de falar com os Deuses eram as sacerdotisas, que durante séculos desempenharam corretamente esse papel, aplacando a fúria dos Deuses por meio de rituais e sacrifícios. No entanto, as sacerdotisas não conseguiram impedir que o vulcão em Thera entrasse em atividade e provocasse o fim da civilização minoica... então podemos imaginar como foram encaradas essas sacerdotisas. Essa erupção foi extremamente impactante na sociedade minoica. Tudo mudou ainda mais com a invasão dos micenos, povo de orientação patriarcal. A mitologia grega como a conhecemos é um misto do panteão minoico e miceno. Eu acredito que a queda da força e respeito ao feminino na Grécia, tanto socialmente falando, quanto espiritualmente falando, foi bastante influenciada pelo evento em Thera. Mas é uma conclusão minha que precisa de mais pesquisa para poder se sustentar. Quem sabe um dia...

Bem, toda essa discussão sobre como e por que haveria ocorrido essa mudança de enfoque de gênero nas civilizações antigas somente tem sentido se considerarmos a premissa de que, de fato, existiram sociedades matriarcais, matrifocais, matrilineares, ou igualitárias.

Contudo, há controvérsias, claro. Muitos foram os que criticaram essas ideias que surgiram com a descoberta das Vênus.

Um dos críticos, o antropólogo britânico Peter Ucko, publicou, na década de 1960, inúmeros estudos questionando o método de análise e conclusão das Vênus, que chamou de “figurinhas femininas”. Para ele, os defensores da ideia matriarcal sofriam da “Síndrome da Falsa Memória”.

Em 2000, Cynthia Eller publicou o polêmico livro “O Mito da Deusa”, rebatendo as afirmações de Marija Gimbutas sobre a condição feminina no passado. Para ela, o fato de ter havido um culto à Deusa, não significa que a mulher na sociedade possuía status de privilégio ou até mesmo de igualdade com o masculino.

Alguns arqueólogos e estudiosos chegaram a dizer que o fato de haver um culto ao corpo feminino não significa necessariamente que havia um culto à Deusa. Em outras palavras, o fato de as Vênus existirem não significaria que elas eram objetos ritualísticos, nem que havia uma visão feminina de Deus, ou uma religiosidade focada na mulher. Outra explicação dada por alguns arqueólogos e antropólogos, como Paul Mellars, era de que as Vênus eram a primeira forma de pornografia que a humanidade conheceu, reafirmando o corpo feminino não como algo a ser reverenciado como sagrado e portanto divino, mas como objeto de desejo e prazer masculino.

É importante entendermos que ideias, teses, teorias, são aceitas, depois são desacreditadas, depois são aceitas novamente... é sempre assim no mundo acadêmico.

Em reportagem da revista Galileu sobre as evidências histórias das sociedades matriarcais e ao culto à deusa, em abril de 2005, a escritora brasileira Rose Marie Muraro, referência do feminismo no Brasil e autora de um livro sobre a sociedade matrifocal, sabiamente afirmou: "Agora as opiniões se inclinam num sentido, mas já apontaram na direção oposta. É assim que funciona o debate científico.”

Timothy Taylor, arqueólogo britânico e crítico da visão matriarcal das sociedades do passado, admite que hoje não há consenso sobre o que as Vênus significam. Em outras palavras, embora ele afirme que a teoria de Gimbutas, por exemplo, sobre as sociedades matriarcais pacíficas, seja seguida de forma minoritária pelos estudiosos acadêmicos do assunto, outras evidências deixam margem para dúvidas, não havendo como afirmar categoricamente X ou Y.

De qualquer maneira, gosto muito de lembrar das palavras de Erich Neumann, psicólogo e filósofo alemão, que defendeu fortemente as raízes históricas da Deusa, tratando de ligar fatos históricos e descobertas arqueológicas com conceitos psicológicos. Para ele, a Deusa jamais se perdeu ou se perderá, pois está na psique humana.

Ou seja, essa figura está presente no interior, íntimo da natureza humana, e por isso teorias que abordam a existência de uma Deusa sempre renasce. Alguns se ligam mais à ideia de uma Deusa, outros menos... Mas de qualquer modo, tem a ver com o sagrado de cada um e sendo de cada um, há que se ter respeito. Coisa que algumas pessoas não tem... infelizmente.

Um beijo a todos,

Lua Serena

29 de agosto de 2011

DEIDADES DA ARTE: deus e deusa como polaridades da energia criadora. todos os deuses são um único deus?

Mais um pouco dos infinitos questionamentos na Arte...

Entendendo a Bruxaria como um gênero com inúmeras espécies, podemos dizer que em todas as vertentes da Bruxaria há culto a um casal divino?

Na Arte, cultuamos uma única força, multifacetada em deuses e deusas dos mais variados panteões? Ou cultuamos deuses e deusas diversos, distintos entre si?

Bem, para tentar responder a este questionamento, devemos mergulhar em uma série de conceitos...

Podemos começar com os “teísmos”, que são diversas formas adotadas pelas religiões para tentar compreender a natureza da força criadora. Vamos aos conceitos:

MONOTEÍSMO: é a crença na existência de apenas um só Deus

POLITEÍSMO: consiste na crença em mais do que uma divindade de gênero masculino, feminino ou indefinido, sendo que cada uma é considerada uma entidade individual e independente com uma personalidade e vontade próprias, governando sobre diversas actividades, áreas, objectos, instituições, elementos naturais e mesmo relações humanas.

PANTEÍSMO: crença em um Deus que está em tudo, ou a de muitos deuses representados pelos múltiplos elementos divinizados da natureza e do universo.

PANENTEÍSMO: ou krausismo, é uma doutrina que diz que o universo está contido em Deus (ou nos deuses), mas Deus (ou os deuses) é maior do que o universo. É diferente do panteísmo (pan-teísmo), que diz que Deus e o universo coincidem perfeitamente (ou seja, são o mesmo). No panenteísmo, todas as coisas estão na divindade, são abarcadas por ela, identificam-se (ponto em comum com o panteísmo), mas a divindade é, além disso, algo além de todas as coisas, transcendente a elas, sem necessariamente perder sua unidade (ou seja, a mesma divindade é todas as coisas e algo a mais).

HENOTEÍSMO: crença em um deus único, mesmo aceitando a existência possível de outros deuses. Termos equivalentes a essa ideia são "monoteísmo inclusivo" e "politeísmo monárquico". Nesse sentido, um "deus" pode se referir a uma personificação (entre outras) do Deus supremo, mas também pode-se atribuir a esse Deus o poder de assumir múltiplas personalidades.

Bem, já deu para perceber que o tema é longo e profundo, ou seja... vai longe!

Pelo pouco que já vivi, li e ouvi de muitos pagãos, a definição da Arte como isso ou aquilo é tão variada quanto é variada a forma de conceituar Bruxaria. Talvez até mais. Em outras palavras, há visões diversas sobre a natureza da Divindade cultuada na Bruxaria.

Acho muito importante estudar esses conceitos, compreende-los, assim como é bastante importante entender os conceitos de imanência e transcendência da Divindade. Para quem não conhece esses termos, vamos aos conceitos:

IMANÊNCIA: é um conceito religioso e metafísico que defende a existência de um ser supremo e divino (ou força) dentro do mundo físico. Este conceito geralmente contrasta ou coexiste com a ideia de transcendência.

TRANSCENDÊNCIA: Deus está completamente além dos limites do mundo.

Percebam que esses conceitos meio que complementam ou estão inseridos nos conceitos dos “teísmos”.

Bem, como eu disse, é importante estudar, compreender esses conceitos... mas é também importante (bem mais, na minha opinião) perguntar a si mesmo como vc entende a Divindade. Estamos falando do sagrado de cada um... e se é de cada um, entendo que é preciso haver respeito dentro da diversidade.

Vou dar a minha opinião sobre a natureza da Divindade...

Deusa e Deus é uma forma de falar do grande mistério (que envolve questionamentos do tipo "quem somos?" "de onde viemos?" "para que viemos?" "Quem criou a vida?" "Pq?" etc e tal). Meio que seria a forma que conseguimos encontrar para entender tudo o que envolve essas e outras muitas questões.

Para mim a forma mais próxima de entender o grande mistério é através de um casal divino.

Explico: a vida como conhecemos, nós humanos, só é possível através de um nascimento. Eu só vivo pq nasci... e para eu nascer, um homem e uma mulher tiveram que se unir sexualmente. Duas energias juntas formaram uma terceira energia, no exemplo: eu... que carrego o DNA do meu pai e da minha mãe, e de toda a minha linhagem ancestral.

De alguma forma, por onde eu olho, vejo que a união de duas forças gerando uma terceira força, que por sua vez se unirá a outra energia oposta da sua e fará surgir mais uma energia, que por sua vez... e por aí vai.

Pitágoras, curiosamente, explicando a existência de Deus, nos fala dessa trindade. Para ele, o 1 junto do 2 foram o 3. A famigerada trindade, tão misteriosa, presente em diversas crenças, inclusive, para muitos de nós, pagãos. É uma das formas de compreender e exprimir a nossa limitada compreensão do grande mistério da vida.

Por outro lado, de uma forma que não vou saber dizer muito bem com eu sei e pq sei (pois é um sentimento que nem eu mesma entendo muito bem), embora eu entenda o sentido não há um Deus de Chifres fisicamente na floresta, nenhuma Deusa morando na Lua, devo dizer ao mesmo tempo que sim, eles estão lá. E no físico! Pois Eles são a própria floresta (fisicamente), a própria Lua (fisicamente), as próprias estrelas (fisiscamente) também são muito mais que isso.

Ou, para aqueles que não acreditam na matéria (teoria meio Matrix de ser): Nós, presos a esta ilusão (Maya... uma Deusa), acreditamos que existe floresta, Lua, chão, Mac Donalds, corpo e Deuses personificados... mas no fundo, não existe nada disso... o que existe é energia...

E o que é energia? Pois é... sempre acabamos chegando no mesmo lugar, qual seja, o grande mistério.

Todo esse assunto nos leva a falar sobre politeísmo, panteísmo, monoteísmo... E a questionar tb a devoção em determinado Deus, determinada Deusa e então entraremos na questão da fé.

Muita gente diz que a afirmação "todos os Deuses são um único Deus e todas as Deusas são uma única Deusa" é errada, é burra e aqueles que ousam afirmar isso são alvejados com uma porção de explicações do tipo: uma Deusa celta e uma Deusa romana são divindades distintas, que esses povos eram inimigos, que essas energias são contrárias (daí a questão do choque de egrégoras). Mas para mim, sim, todos os Deuses e todas as Deusas podem ser compreendidos como uma única força.

Porém, o que se quer dizer com essa frase não é que Eostre é a mesma coisa que Kali ou Nu Kua. Da mesma forma que eu não sou a mesma pessoa que minha amiga Anitsi. Não dá na mesma dizer Lua ou dizer Anitsi... Nâo dá na mesma dizer Kali ou Nu Kua...

No entanto, numa visão macro, Lua e Anitsi são partes de uma mesma coisa, muito maior... tão maior que a gente não tem como entender ou explicar com exatidão. É um grande mistério... opa! Chegamos ao mesmo ponto novamente.

Talvez a tão proclamada unidade de Deus tenha sido um grande equívoco (ou uma sacada oportunista, dependendo do ângulo) de algumas pessoas que não enxergavam tudo com uma visão holística.

Mais ou menos no mesmo sentido, devemos compreender que as palavras são ainda mais limitadas que a nossa capacidade de compreensão , por isso muitas vezes não conseguimos traduzir em palavras aquilo que estamos sentindo.

Em outras palavras (olha a dificuldade aí), se compreender o grande mistério já não conseguimos plenamente, que dirá explicar isso para alguém (momento em que precisaremos de palavras, não tem escapatória).

É por esse motivo que muita coisa vivida iniciaticamente só pode ser dita àqueles que já são iniciados. E não estou falando de juramento de Tradição. Isso é outro papo. Estou dizendo que certas coisas, certos insights, certas conexões que temos com os Deuses só são compreendidas por aqueles já experienciaram tais situações, sensações. Por isso a Bruxaria é iniciática e mistérica, por isso dizemos que "devemos acessar os mistérios" ou que existem mistérios maiores e mistérios menores...

Contudo... ironicamente quando nos deparamos com alguém que já acessou alguns mistérios, as palavras são dispensáveis, pois a comunicação é no olhar. Vc não precisa tentar explicar com um discurso enoooorme, uma ou outra palavra já basta.

Assim, enxergando holisticamente, Kali, Afrodite, Nu Kua, Inanna, Eros, Thor, Dionisio e Zeus... eu, Anitsi, o meu vizinho, o cara que mora na China que eu jamais conhecerei, minha cachorra Shanta, meu gato Tigor... são partes de uma mesma coisa, muuuito mais... tão maior que a gente não tem como entender ou explicar com exatidão. É um grande mistério.

Concluindo, para mim, essa força criadora é dual (Deus e Deusa) e manifesta-se de diferentes formas, com diferentes nomes, mas ainda assim é a mesma força.

E para você?

Uma dica de livro bastante interessante sobre o nosso tema é PAGANISMO, Uma Introdução da Religião Centrada na Terra, de River e Joyce Higginbotham.

As fontes dos conceitos que utilizei aqui são da Wikipédia.

Beijos,

Lua Serena

2 de agosto de 2011

Paganismo, Bruxaria e Wicca: conceitos, diferenças, semelhanças e polêmicas


Esse é um assunto que gera muita discussão e confusão na mente das pessoas. Até hoje não vi consenso entre as pessoas, o que acaba gerando uma certa pane na cabeça especialmente daqueles que se interessam em aprofundar os conhecimentos históricos sobre a Arte. Paganismo, Neopaganismo, Bruxaria, Wicca, Arte, Witchcraft, Bruxaria Moderna, Bruxaria Tradicional, Bruxaria Eclética... são muitos termos para denominar certas práticas que envolvem o culto a deidades pré-cristãs.

A proposta desse estudo é apresentar alguns conceitos, delineando um quadro mais ou menos organizado do que vem a ser isso que uns chamam de um nome X e que outros chamam de um nome Y. Será que é tudo a mesma coisa? Essa pergunta eu deixo para vocês refletirem e responderem ao final da leitura.

Primeiramente, para que ninguém se perca, chamarei de Caminho o que alguns chamam de Bruxaria e outros de Wicca, sem distinção. Em outras palavras quando eu escrever “Caminho” estou me referindo à prática de todos os adeptos de Bruxaria/Wicca, ok?!

Muito bem. Gosto muito de escrever sobre o que eu sinto e sobre como eu sinto as coisas, logo, vou começar nossos estudos por minha própria experiência. Conheci o Caminho em 1995 e passei a praticar em 1996. O primeiro termo que encontrei para me autodenominar foi “bruxa”. Naquela época, eu não sabia que existia outro termo para “isso”. Para mim era Bruxaria e ponto. Somente em 1998 eu vi pela primeira vez a palavra “Wicca”, e para mim soou como sinônimo de Bruxaria. Eu tinha uma forma muito peculiar de praticar, era solitária e não tinha acesso à internet (possivelmente por essa razão eu demorei para esbarrar no termo “Wicca”). Em 1999, comprei meu primeiro computador. Ainda no site de buscas “Cadê?” coloquei lá “Bruxaria” e então muita coisa mudou no meu mundo. Com uma enxurrada de informações, eu fui ficando cada vez mais feliz e cada vez mais confusa. Naquela época, Bruxaria e Wicca, para mim, eram sinônimos. Stregheria (ainda não se falava muito de Stregoneria) e Bruxaria Tradicional eram, no meu modo de ver, vertentes de Bruxaria/Wicca.

Comecei a conhecer gente estranha como eu, e aí começaram novas confusões. Uns diziam que eu era praticante de Bruxaria, outros que eu era praticante de Wicca ou Wica. Surtei por um tempo e logo depois, como é bem a minha cara, cansei disso e quando alguém perguntava o que eu era eu dizia “pagã”. Aí uns me corrigiam de uma forma nada delicada (muito típico de certos adeptos do Caminho) e diziam que eu era, na verdade, neopagã. Diacho! Me enchi de tudo isso e quando alguém me perguntava o que eu era, eu respondia “sou gente”. Coisa que aprendi com uma grande amiga chamada Lucinha.

Passei a estudar, observar, ler e ouvir muitas opiniões sobre o assunto. Coletava tudo e então refletia. Entendi uma coisa que eu acho muito válido partilhar com vocês: esse é um dos temas do Caminho que talvez jamais encontre uma definição. Então, estudem, leiam, ouçam as pessoas e então pensem, reflitam e formulem suas próprias conclusões. Isso vale para outros temas ligados ao Caminho.

Bem, para começar a entender toda essa celeuma. Vamos tentar conceituar as coisas. A partir de agora, passarei a dar a minha visão sobre o cenário, trazendo sempre a visão de outras pessoas. Não encontrei melhor modo de fazer isso, senão a partir do que eu compreendo sobre essa “bagunça”.

Pois bem. Primeiro precisamos entender que Bruxaria, Wicca, Bruxaria Tradicional, Bruxaria Eclética e outros termos, são religiões (para alguns) e ofícios (para outros) que envolvem o resgate de conceitos e práticas pré-cristãs voltadas à natureza + o uso de magia. Assim, podemos dizer que o Caminho faz parte do Neopaganismo, que por sua vez seria o resgate de práticas pré-cristãs ligadas à Terra. Aqui já temos algumas visões sobre o termo neopaganismo. Vejamos.

No Wikipédia encontramos as seguintes informações: “Neopaganismo, por vezes referido simplesmente como paganismo, é um termo utilizado para identificar uma grande variedade de movimentos religiosos modernos, particularmente aqueles influenciados pelas crenças pagãs pré-cristãs da Europa. Os movimentos religiosos neo-pagãos são extremamente diversificados, com uma vasta gama de crenças, incluindo o politeísmo, o animismo, o panteísmo e outros paradigmas. Muitos neopagãos praticam uma espiritualidade que é completamente moderna em sua origem, enquanto outros tentam reconstruir precisamente ou reviver, religiões étnicas como os encontrados em fontes históricas e folclóricas. A maior parte das religiões neopagãs são tentativas de reconstrução, ressurgimento ou - mais comumente - adaptação de antigas religiões pagãs, principalmente as da antigüidade pré-cristã européia, mas não restritas a estas, sem perder de vista as experiências e as necessidades apresentadas pelo mundo contemporâneo. Alguns neopagãos enfatizam sua conexão com formas antigas do paganismo, em uma forma de continuidade histórica marginal (à margem da religião que se auto-afirmava como única verdade no Ocidente, a cristã). (...) Este uso tem sido comum desde o renascimento neopagão na década de 1970, e agora é usado por acadêmicos e adeptos tanto para identificar novos movimentos religiosos que enfatizam o panteísmo e a veneração da natureza, e/ou que procuram reviver ou reconstruir os aspectos históricos do politeísmo. Cada vez mais, escritores eruditos preferem o termo "paganismo contemporâneo" para cobrir todos os novos movimentos religiosos politeístas, um uso favorecido pela publicação The Pomegranate: The International Journal of Pagan Studies. O termo "neopagão" proporciona um meio de distinguir entre pagãos históricos de culturas politeístas antigas e/ou tradicionais e os adeptos de movimentos religiosos modernamente constituídos. A categoria das religiões conhecidas como "neopagãs" inclui desde abordagens sincréticas ou ecléticas como a Wicca, o Neodruidismo, o Dianismo e o Neoxamanismo a abordagens mais ligadas a tradições culturais específicas, como as muitas variedades de reconstrucionismo politeísta (Helênico, Nórdico, etc). Nesse sentido, alguns reconstrucionistas rejeitam o termo "neopagão", porque pretendem criar uma abordagem historicamente orientada para além do neopaganismo mais eclético e geral.”

Eu achei essas explicações constantes do Wikipédia boas, mas com algumas confusões conceituais sobre Dianismo e os “teísmos” (monoteísmo, politeísmo, panteísmo, etc). Com relação ao Dianismo... no meu modo de ver, Dianismo é uma característica de determinadas vertentes do Caminho, não devendo estar enquadrada do lado do Neodruidismo ou Neoxamanismo, por exemplo. Mas isso é algo que preciso pensar melhor. Os “teísmos” seriam formas de culto daquilo que chamamos de Deus/Deusa/Deuses. Assim, cada religião caracteriza-se por ser monoteísta, politeísta, panteísta, etc. (em breve falaremos disso mais profundamente também), não são religiões em si.

Mas, em suma, o que o Wikipédia coloca é que Neopaganismo ou Paganismo Contemporâneo seria o conjunto de práticas religiosas, distintas entre si, mas pautadas em culto centrado na Natureza, tendo como talvez a maior foco as práticas oriundas da velha Europa (mas, frise-se, não apenas de lá).Essa associação do Neopaganismo com as práticas da velha Europa fazem com que muitas pessoas automaticamente pensem que Neopaganismo e Bruxaria são sinônimos, quando na realidade não são.

Bem, em linhas gerais, eu concordo com a forma de compreender o Neopaganismo colocada no Wikipédia, mas vejamos outras maneiras de encarar o termo Neopaganismo.

No site Bruxaria.net, encontrei um texto bacana para iniciantes, mas que, na minha opinião, contém algumas incorreções. Leiam o texto, vale a pena. Ao final, eu passo o link. Separei um trecho do texto para comentar:

“O Paganismo não é uma religião única, mas um termo que engloba todas as religiões que se baseiam no culto à Terra, à Natureza, às divindades naturais. O termo pagão foi generalizado a todos aqueles que não fossem batizados, mas o fato é que o significado do termo é bem mais profundo. Pagão vem do latim pagus ou paganus, que significa, basicamente, “morador do campo” ou “aquele que vive no campo”. Isso porque os povos do campo celebravam as colheitas, tinham sua religiosidade própria; não eram cristãos. Esse foi o termo utilizado pelos cristãos para denominar as pessoas que praticavam os ritos ligados à Natureza. Assim, quando alguém se diz pagão ou neo-pagão, está dizendo que sua religiosidade está ligada ao conceito que tem de sacralidade da Terra, e não que é contra o Cristianismo ou é satanista. Aliás, Satanismo nada tem a ver com Bruxaria, a não ser por definições pejorativas e cristãs.”

Esse trecho é bastante legal por nos fornecer a origem do termo “pagão”. Eu complementaria dizendo que o termo foi cunhado pelo Império Romano para tratar as pessoas do campo, mais ou menos como “caipiras”. Existe um texto muito interessante que eu retirei de um site chamado Neopagan.net, há anos atrás. Nesse texto, o autor explica de forma bastante interessante como esse termo era, na realidade, uma forma pejorativa de denominação daqueles que não eram adeptos do Cristianismo romano. Essas pessoas do campo eram diferentes das pessoas das cidades e mais voltadas ao culto da Terra e foram tidas como “menores”. Está aí a primeira forma de Bullying religioso e geográfico. Até hoje a gente sofre o ranço disso. Muitos de nós ainda carrega a ideia de que as pessoas das grandes cidades são melhores que as pessoas do interior, separamos as pessoas da cidade grande, dos caipiras... pois é, olha de onde isso vem.

Outra coisa legal de se atentar nesse texto, é que o autor fala de Paganismo ou Neopaganismo como sinônimos. E nós mesmos, no dia a dia, fazemos isso. Não há nada de errado nisso, mas se queremos falar, digamos, academicamente, devemos nos autodenominar Neopagãos, pois o que fazemos é resgate de práticas pré-cristãs nos dias de hoje, mesclado com práticas modernas.

Para apimentar as informações, também retirei do Neopagan.net, o trecho de um texto sobre variações do termo “Paganismo”. Vejam:

“Como outros termos universais usados para as religiões, Pagão/Paganismo requerem prefixos, ou adjetivos com o objetivo de exemplificar abordagens especificas, denominação ou sectos. Os termos abaixo são os que foram estabelecidos nos últimos 35 anos: “Paleopaganismo” ou Paleo-Paganismo é um termo universal para as fés originalmente politeístas, centradas na natureza dos povos tribais da Europa, áfrica, Ásia, America, Oceania e Austrália, como elas eram (e em alguns casos ainda são) praticadas como sistemas de crença intactos. As ditas “ grandes religiões do mundo”, Hinduísmo (anterior ao influxo do Islã na Índia), Taoísmo e Chintoismo, por exemplo, caem dentro dessa categoria, ainda que muitos membros dessas fés relutem em usar esse termo. Alguns sistemas de crenças paleopagaos são racistas, sexistas, homofobicos, etc. há bilhões de paleopagãos vivendo e cultuando os seus Deuses atualmente. “Mesopaganismo” ou Meso-Paganismo é um termo universal para uma variedade de movimentos, tanto organizados quanto não organizados, que começaram como tentativa de recriar, reviver ou continuar o que seus fundadores achavam que eram os melhores aspectos dos caminhos Paleopagaos dos seus ancestrais (ou predecessores), mas que foram altamente influenciados (acidentalmente, deliberadamente e ou involuntariamente) por conceitos e praticas provindas das visões de mundo monoteísta, dualísticas ou ateístas do Zoroastrismo, Judaísmo, Cristianismo, Islamismo e do Budismo mais recente. Exemplos desses temas de crenças Mesopagaos incluem a Maçonaria livre, o Rosacrucianismo, a Teosofia, o Espiritualismo, etc, assim como aquelas formas de Druidismo influenciadas por esses movimentos, as muitas fés africanas sobreviventes nas Américas (tais como o Vodu, a Santeria, o Candomblé, etc) Sikhismo, muitos sectos do Hinduísmo que foram influenciados pelo Islamismo e Cristianismo, Budismo Mahayana, a religião/ filosofia de Aleister Crowley, chamada Thelema, Odinismo (paganismo nórdico), muitas “tradições familiares” de bruxaria (aquelas que não são completamente falsas) e grande parte da Wicca ortodoxa (isto é a Wicca Tradicionalista Britânica). Também incluídos como Mesopagaos poderiam estar os assim chamados “pagãos-cristãos”, aqueles que chamam a si mesmos de “pagãos monoteístas”, e talvez aqueles satanistas que cultuam o deus egípcio Set, se realmente há algum deles. Os satanistas que insistem que eles não cultuam nada além deles mesmos, mas que gostam de usam o nome Satã por causa do seu significado “amedrontador” são simplesmente cristão e heréticos, assim como os Humanistas Seculares e outros ateus ocidentais, pois o Deus e o Demônio no qual eles não acreditam são aqueles definidos pela doutrina crista. Alguns sistemas de crenças mesopagaos são racistas, sexistas, homofobicos, etc. Existem pelo menos um bilhão de mesopagaos vivem e cultuando as suas deidades hoje. Neopaganismo ou Neo-paganismo é um termo geral para uma variedade de movimentos, tanto os organizados quanto os não organizados (a maioria), que surgiram a partir de 1960 A.D. (apesar de que eles tiveram fontes literárias provindas desde meados do século 19), e que são tentativas de recriar, reviver e continuar o que os seus fundadores acharam que eram os melhores aspectos dos caminhos Paleopagaos dos seus ancestrais, combinado com ideias humanistas e pluralistas modernos, ao mesmo tempo que esforçando-se conscientemente para eliminar tanto quanto possível o monoteísmo, dualismo e puritanismo tradicionais do ocidente. A essência das crenças Neopagas incluem uma multiplicidades de deidades de todos os gêneros sexuais, uma percepção dessas deidades como sendo tanto imanente quanto transcendente, um compromisso com as causas ecológicas e uma disposição para executar rituais mágicos, assim como espirituais, para ajudar a si mesmos e aos seus semelhantes. Os sistemas de crença neopagaos NÃO SÃO RACISTAS, SEXISTAS, HOMOFOBICAS, etc. O termo “Neopaganismo” foi popularizado nos anos 60 e 70 por Oberon Zell, um dos fundadores da Igreja de Todos os Mundos.”

Enfim, além de conceitos bastante complicados e uma aparente mistura confusa, eu não tenho certeza se essas definições são de fato corretas, embora me pareçam de certo modo coerentes. Então eu continuo entendendo o termo Neopaganismo como já descrevi, compactuando mais ou menos com o que está escrito no Wikipédia.

Bem, evoluindo nos estudos, podemos dizer então que o Caminho está dentro do Neopaganismo? Acredito que sim e afirmar isso talvez não gere tanta polêmica. O que gera polêmica é dizer que Bruxaria e Wicca são sinônimos ou que não são... Aí a coisa começa a complicar. Vamos tentar desenhar um cenário organizado. Para tanto, vou tentar dividir as turmas, de um lado aqueles que defendem que Wicca e Bruxaria são coisas diferentes, e de outro aqueles que defendem que são a mesma coisa.

Muitos dos que defendem que Bruxaria e Wicca são diferentes, se pautam nos seguintes preceitos, de modo geral:

Alguns afirmam que a Bruxaria não é uma religião, mas um ofício. O que isso significa? Bem, significa mais ou menos que você pode ter uma determinada religião e praticar Bruxaria. Assim, temos aquelas pessoas podem ir à igreja e praticar Bruxaria. Algo como uma tradição que seria passada de geração em geração.

Eu, particularmente, não sei se concordo plenamente com esse raciocínio, por que entendo que essas pessoas não estão praticando Bruxaria, mas apenas magia. Podemos pensar que algumas pessoas, na Idade Média, por exemplo, ia para a igreja e fazia feitiços e poções, mesclando conjurações pagãs com orações cristãs. Isso é bem comum até hoje... Mas isso, no meu modo de ver, é prática de magia, não de Bruxaria. Do contrário, eu seria bruxa hereditária então, pois a minha família possui uma série de práticas mágicas que é passada de mãe para filha (sim, na linhagem matrilinear). Essas práticas envolvem “coisas” pagãs e cristãs, uma mescla... Mas se você ousasse chamar minha avó ou minha bisa de bruxas, elas se sentiriam extremamente ofendidas. Eram católicas e muito. Com muito ainda a pensar, eu aceitaria chamar essas práticas de feitiçaria... mas Bruxaria, para mim, é outra coisa. Então chegamos ao problema das definições. O que é a Bruxaria? Pois é, melhor a gente continuar... Mais para frente eu vou colar aqui um trecho do livro História da Feitiçaria, de Jeffrey Russel, onde ele trata das origens etimológicas do termo em inglês Witchcraft. Vamos avançando...

Outro ponto que podemos colocar aqui, e que é defendido pelos que distinguem Bruxaria de Wicca, seria mais ou menos como dizer que existem práticas tradicionais, antigas, anteriores à Wicca (Bruxaria Moderna), essa última nascida em meados do século passado, e que ganhou espaço com Gerald Gardner. Bom, com relação a essa afirmação, devemos tomar muito cuidado, pois elas em geral estão baseadas nos estudos e conclusões de Margareth Murray sobre os julgamentos durante a inquisição europeia. Os estudos e conclusões de Margareth Murray são tidos por historiadores como incorretos. É bem possível que Bruxaria como conhecemos hoje jamais tenha existido antes de ser difundida por Gardner e Cia.

Outro elemento que distingue a Wicca da Bruxaria, na visão dessas pessoas é o fato de a Wicca possuir certos dogmas que a Bruxaria não necessariamente possui. Exemplo: Lei Tríplice.

Aqueles que defendem Wicca = Bruxaria, sempre dizem que as diferenças ditas por aqueles que não acham que Wicca = Bruxaria não são substanciais, mas que fazem parte da flexibilidade e diversidade próprias do Caminho.

Os que defendem que Wicca e Bruxaria são a mesma coisa, geralmente, trazem informações históricas relativamente recentes sobre o desenvolvimento do Caminho, demonstrando, em linhas gerais, que em essência, quando as leis que puniam a prática de Bruxaria foram revogadas e Gardner trouxe ao público a Bruxaria Moderna, ele se baseou em diversas práticas pré-cristãs para delinear a Bruxaria como conhecemos hoje, sem haver distinção de Bruxaria Moderna ou antiga. Em outras palavras, tudo teria nascido junto.

Há mais ou menos três anos atrás, na comunidade do Orkut “Sociedade Wicca”, um tópico do qual eu mesma participei e teci comentários, o Claudinei Prieto trouxe uma série de informações válidas sobre os motivos por trás das separações dos bruxos e wiccans. Separei uns trechos para você lerem e refletirem. Abaixo o trecho em que o Clau responde a um post meu sobre as origens confusas do termo Wicca:

“Creio que para compreendermos o porque desta confusão de usos de termos, precisamos pensar um pouco no cenário Pagão da década de 50 e sua evolução a longo da história de nossa religião.

Lá, em meados da década de 50, falar sobre Bruxaria era considerado uma heresia e crime. Isso é compreensível em uma sociedade ainda influenciada por fortes preconceitos e conotações negativas atribuídas ao longo de processos de perseguições àquilo que se acreditava ser Bruxaria. Hoje, sabemos que na realidade muito disso era pura fantasia e invenção e que provavelmente a maioria das pessoas que morreram durante a Inquisição eram bons cristãos que incomodavam o pensamento da Igreja católica (a religião dominante e a lei) por algum motivo e que por isso precisavam ser banidas da sociedade. Então elas eram nomeadas de hereges e consequentemente Bruxas e condenadas à execução. Isso foi criando uma verdadeira programação social e assim surgiu o uso comum da palavra Bruxa para denominar os praticantes de todos os tipos de práticas espirituais, religiosas ou mágicas diferentes e estranhas às convencionais e aceitas: as cristãs. Quando a última das leis contra a Bruxaria foi banida na Inglaterra em 1951 Gerald Gardner apareceu na cena afirmando que as Bruxas pré-medievais e medievais perseguidas, na realidade, eram praticantes da Antiga Religião da Europa. Esta religião teria sobrevivido clandestina através destas pessoas, que se encontravam nas florestas para celebrar seus Antigos Deuses Pagãos e que as muitas retratações e relatos atribuídos aos encontros de Bruxas, feitos na época da Inquisição e ligando-os a um culto demoníaco era, na realidade, uma deturpação promovida por motivos religiosos e políticos para denegrir a imagem da Bruxaria, a verdadeira religião dos antigos europeus. Afirmou, ainda, que esta prática teria sobrevivido com um novo nome, cuja raiz da palavra chegaria até a palavra Bruxaria (em inglês Witchcraft) e que o nome moderno para esta antiga Religão era Wicca. Deixando as controvérsias sobre a veracidade das alegações de Gardner de lado, mas nos focando na história da evolução do uso comum das palavras Wicca e Bruxaria pois é isto que nos interessa, no início, estas duas palavras eram vistas como sinônimas, usadas intercaladamente, representando um sistema mágico-religioso promovido por Gardner e muitos dos Bruxos que se tornaram populares na época.

A própria Janet Farrar, iniciada de Alex sanders, disse em uma entrevista concedida exclusivamente à 3ª Conferência de Wicca & Espiritualidade da Deusa realizada em 2007, que o que o Alex Sanders fazia estava longe de ser o que hoje consideraríamos Wicca. Alex Sanders estudou Magia Cerimonial muito tempo antes de conhecer a Wicca e nela ser iniciado e encontramos várias incongruências em suas práticas. Quem já não viu suas famosas fotos dentro de um círculo de magia cerimonial com inscrições de nomes como Adonai, El Shaday e muitos outros dizendo que estava realizando um ritual Wiccaniano?! Pura contradição! Ela afirma ainda que ele, como muitos outros, no alvorecer da Wicca, estavam praticando um mix de folclore Pagão europeu e de Magia cerimonial cabalística fortemente influenciada por ordens como a Golden Dawn, ainda muito influentes na época. Isso está distante dos caminhos da Wicca propostos por Gardner e aqueles caminhos que ela acabou por percorrer, se afastando cada vez mais de elementos judaíco-cristãos para beber em fontes mais apropriadas ao espírito da Wicca: O Paganismo europeu autêntico, de bases puramente xamanísticas. Assim, vemos que esta confusão sobre o emprego do termo Wicca=Bruxaria não é recente. No entanto, a diferença é que na década de 50 a maioria das pessoas queriam dizer que estavam praticando Wicca=Bruxaria e isso trouxe uma superexposição à Wicca com práticas completamente diferentes e esdrúxulas, que muitos começaram a criar uma separação artificial para os dois termos quando na realidade o que deveria ter sido combatido eram as práticas esquisitas denominadas Wicca=Bruxaria da época e que estavam distantes da verdadeira Arte.

Ao longo desse processo muitas formas diferentes de Wicca=Bruxaria surgiram, o que fez com que muitos não considerassem esses caminhos como formas de Wicca=Bruxaria válidos, pois eram levemente diferenciados do caminho considerado por muitos o "original": O Gardneriano. O que precisa ficar claro é que Gardner jamais disse que somente o que ele fazia era Wicca e afirmou repetidamente em seus livros que existiam outras pessoas que praticavam em grupo ou solitariamente esta forma de religião e pontuou diversas vezes que as tradições de fé destas pessoas poderiam ser diferentes da sua, pois a Bruxaria o longo de sua história teria se tornado uma religião fragmentada, com cada pessoa ou grupo tendo acesso a uma parte ou partes dela. O que torna a Wicca=Bruxaria ainda mais difícil é o fato de haver diferentes "escolas" e sistemas. Não existe uma Wicca=Bruxaria única. Existe, sim, um corpo de conhecimento composto de tradições que comparativamente são tão variadas e diferentes quanto seriam os climas dos diferentes estados ou regiões de um país que compartilham traços em comum para que sejam considerados pertencentes a mesma nação. Na Wicca=Bruxaria esses traços são simples de serem determinados: qualquer Tradição ou prática pessoal e solitária cuja cosmogonia reconheça a Deusa Mãe e o Deus Cornífero como princípios criadores da vida, observe tanto a Rede Wiccaniana quanto a Lei Tríplice, centre sua espiritualidade na Terra tendo como base os 4 elementos e possua um calendário litúrgico que se baseie na mudança dos ciclos sazonais e das fases lunares é Wicca=Bruxaria. Dentro disso, muitos elementos podem varia substancialmente, fazendo com que uma Tradição diferencie-se enormemente de outras.

O que precisa ficar claro aqui é a distinção entre uma Tradição ou prática pessoal específica dentro de uma religião maior e uma religião com os seus traços elementares e o que determina que indivíduos possam chamar-se ou considerar a si mesmos como membros e praticantes daquela religião. Assim, Wicca é a religião que engloba a Tradição Gardneriana, Alexandrina ou até mesmo uma prática pessoal e solitária específica e não o contrário. Poderíamos dizer, por exemplo, que o Gardnerianimo é subgrupo dessa religião, assim como o Dianismo, o Alexandrinismo ou o Georgianismo, e nenhuma dessas Tradições expressam a exclusiva identidade da Wicca, pois esta identidade é fragmentada.

Os elementos que fazem uma religião incluem um conjunto de crenças relacionadas a forma e natureza da divindade, dias sagrados, símbolos, uma história compartilhada e um conjunto de diretrizes aceitas. Esse critério pode ser descrito como tribal, o laço que liga as pessoas e cria uma comunidade que compartilha valores em comum, tradições, rituais e costumes através dos tempos. Hoje, a maioria dos ramos da Bruxaria de Paganismo e muitas das Tradições da Deusa, apesar de suas diferenças em relação aos nomes das Divindades e variações em cosmologia, compartilham esses critérios. Qualquer cristão que estiver viajando próximo a data da Páscoa pode esperar encontrar uma igreja em qualquer cidade, onde outros cristãos estarão celebrando a Páscoa. Da mesma forma, um Wiccaniano=Bruxo que esteja viajando para a Europa, Austrália, Espanha ou Brasil próximo a data de um solstício, equinócio ou dos Grandes Sabbats pode, em teoria, buscar por um Coven local e/ou por uma celebração pública onde ele poderá participar da cerimônia e se juntar a outros que acreditam na mesmo que ele. Dentro do ritual, ele poderá perceber que o tema e a estrutura da celebração do ritual será no geral, mas não especificamente, familiar, incluindo o lançamento de um círculo, invocação aos quadrantes e Deuses, cânticos, elevação e canalização de energia e confraternização, apesar das diferenças operacionais poderem ser altamente diferentes das suas próprias ou daquelas praticadas em seu grupo, Coven, Grove ou Círculo. É precisamente e exatamente porque a Wicca=Bruxaria é uma religião que estes temas comuns podem ser reconhecidos e são familiares a qualquer praticante.

Uma Tradição, por sua vez, é um corpo de conhecimentos e práticas que são passados para outros dentro da estrutura da religião ou que se desenvolvem espontaneamente ao longo da prática de nosso caminho e se tornam frequentes, no caso dos solitários. Mesmo que haja similaridade entre todas as demais, cada Tradição ou praticante solitário possui elementos de prática peculiares inerentes somente a si, com uma específica linhagem de iniciadores, instrumentos, práticas, cosmologia, conjunto de diretrizes e uma liturgia consistente que distingue aquele caminho ou prática pessoal de todos os outros.

Qual a real diferença entre Wicca e Bruxaria (Witchcraft)?

Basicamente nenhuma! Porém encontramos muitas pessoas que preferem dizer que praticam Witchcraft(Bruxaria) em vez de Wicca. Isso se dá pelo fato delas afirmarem que as práticas da Witchcraft compõem a Bruxaria Tradicional e são mais antigas que a Wicca. Outros, no entanto, preferem dizer que são Wiccanianos por que não querem ver seus nomes associados à Bruxaria, por causa das inúmeras conotações estigmatizadas e negativas a ela atribuídas através dos tempos.

O que muitas pessoas dizem ser Bruxaria(Witchcraft) parece ter começado a tomar forma somente a partir da década de 70 ou 80, numa tentativa de separar determinadas formas de práticas e religiosidade da Wicca massacrada e superexposta da época. O mesmo fenômeno está acontecendo atualmente entre os Wiccanianos Tradicionais que estão passando a usar o termo Wica, com apenas um C, para distinguir suas práticas daquelas expostas pelas muitas Tradições contemporâneas de Wicca. Nesta época, o uso da palavra Bruxaria(Witchcraft) foi adotado por muitas Tradições e pessoas que não queriam ser confundidas como sendo Wiccanianas ou não queriam ser acusadas de praticar Wicca sem terem recebido uma iniciação formal em uma tradição "válida".

Muitos nos meados da década de 70 e 80 começaram a se dizer praticantes de Witchcraft, pois não se encaixavam nos padrões esperados a um Wiccaniano. Desta forma, começaram a praticar uma espiritualidade intuitiva e muitas formas de espiritualidade e sistemas de magia nada europeus passaram a ser incorporados no que eles chamavam de “Bruxaria”. Parece que o termo Bruxaria passa a ser empregado para denominar qualquer sistema individual de ou de um grupo que seja muito mais flexível e eclético no conjunto de práticas, cujo único ponto de ligação entre ele e a Wicca seja a observação dos fluxos da natureza e a reverência a ela.

Os Wiccanianos e os Bruxos Tradicionais Britânicos nunca aceitaram que o que estas pessoas praticam seja Bruxaria e até hoje há uma briga política para encontrar uma verdadeira classificação para as práticas individuais destas pessoas. Talvez esse seja o maior obstáculo a ser transposto em nossa religião na atualidade!

Os Wiccanianos e Bruxos Tradicionais Britânicos estão certos quando afirmam que essas práticas pessoais não são Bruxaria, assim como os que praticam uma forma de espiritualidade intuitiva, sem qualquer ligação com a Wicca, estão certos quando dizem que o que eles fazem é Bruxaria. A Bruxaria que cada um deles se refere são dois sistemas diferentes entre si.

Poderíamos dizer que a Bruxaria que muitos praticam e dizem ser diferente de Wicca ganhou notoriedade depois da década de 70 e trata-se de um conjunto e práticas individuais cujo pilar central indiscutivelmente se baseia na Wicca, acrescidos alguns adornos pessoais para arrematar o sistema. É nisso que reside seu grande fascínio. Enquanto muitas Tradições de Wicca são fechadas, engessadas e inacessíveis, essa forma de prática é universal e abrange todos os sistemas.

Talvez Feitiçaria (do inglês Sorcery) fosse um termo melhor para descrever estas práticas individuais e intuitivas. A palavra feiticeiro(a) (do inglês warlock) vem do anglo-saxão waerlog que significa "aquele que rompe o juramento". Muitos do que afirmam que praticam “Bruxaria” e não Wicca, estão na realidade apontando que suas práticas não se vnculam mais ao conjunto ético e estrutural inerentes a Wicca (por onde muitos entraram no Paganismo). Logo, estão rompendo com ela e muitas vezes com os seus juramentos se um dia tiveram passado por uma iniciação. Desta forma, etimologicamente, Feiticeiro(a) é um termo muito melhor apropriado para nomear tais pessoas do que Bruxo(a), que indica um Sacerdócio da Terra como a Mavesper apontou apropriadamente anteriormente. Isso torna o que cada um faz melhor ou pior? Não!!! São apenas formas diferentes de Paganismo.

Particularmente não considero o que os haitianos praticam Bruxaria. Para mim a religião deles tem um nome e é Vodú. O mesmo acontece com as muitas outras formas de espiritualidade Pagãs. O que uma Stregga pratica, é Stregheria; O que um reconstrucionista egipcío pratica é Kemetismo; o que um reconstrucionista grego pratica, é Helenismo; O que um Druida pratica, é Druidismo. Isso é Bruxaria? Um Cristão diria que sim, em função do uso comum da palavra, mas na essência sabemos que cada um desses caminhos pratica coisas completamente distintas. Estamos unidos porque somos todos Pagãos, mas o que praticamos é completamente diferente a ponto de não ser a mesma religião e seguramente, no meu ponto de vista, nenhum dos caminhos supracitados é Bruxaria.

Creio que o primeiro passo para que as brigas ideológicas internas deixem de acontecer dentro do Paganismo é começarmos a usar termos corretos para distinguir nossas práticas.

O Neopaganismo é ainda muito jovem se comparado ás outras formas de religião e ainda precisa de muito para crescer. Estamos apenas aprendendo como nos chamamos e o que verdadeiramente praticamos.”

Bom, gente, essas palavras do Clau foram para mim de extrema importância, pois me fizeram enxergar as coisas sob outro aspecto... Que motivos levaram as pessoas a se denominarem X ou Y, não é mesmo?

Depois de ler e reler inclusive o que eu mesma havia escrito lá sobre o assunto, eu cheguei a certas conclusões... Entendo como válidas as colocações do Clau, mas ao mesmo tempo, enxergo que algumas pessoas (e elas se autodenominam wiccans, wiccanas ou wiccanianas) possuem uma série de práticas muito, mas muito parecidas, quase que uniformizadas e que diferem de outras. Um grande exemplo disso é a Roda do Ano. Hoje, por exemplo, 02/08, o sabá para os que rodam no sul é Imbolc, em honra a Deusa Brigith. Mas há quem não celebre assim e não se intitule praticante de Wicca. Em contrapartida, eu já ouvi pessoas que fazem questão de se intitularem bruxos e não wiccanos exatamente por celebrar a Roda do ano nos moldes que lemos na maior parte dos livros de... Wicca. Enfim, é complicado.

Há alguns anos, circulava na rede um texto do Claúdio Crow sobre o termo Paganismo e a Wicca, separei um trecho muito bom para dividir com você, para complementar as visões: “Essas tradições originais chegaram ate nós de diversos modos: pela preservação de costumes populares, pelos estudos de sociólogos, lingüistas, arqueólogos, folcloristas, etc, através do sincretismo religioso, pelos tais rincões que preservaram de modo ate certo ponto puro o conhecimento e os mistérios das tradições antigas. Baseados nessas informações, alguns indivíduos ou grupos de pessoas resgataram e reacenderam a chama dos antigos cultos pagãos, dando origem a tradições neopagas -ou seja, uma nova forma de paganismo, inspirada nas antigas tradições, mas sem vinculo direto com elas. Costumo dizer que os bons wiccanos hoje reconhecem os méritos do senhor Gardner como compilador das antigas tradições, mesclando elementos de diversas tradições na formação da Wicca como a conhecemos. Mas a Wicca, por seus méritos intrínsecos, livrou-se de seu criador, e hoje é muito maior do que ele. Para efeito de comparação, vejamos o caso de Thelema. É impossível falar de Thelema sem falar de Crowley. Mas hoje da pra falar de Wicca sem falar de Gardner. A Wicca adaptou-se a sua época, e hj é definitivamente uma religião, que oferece aos que a procuram uma ótima oportunidade de compreender seu papel no universo, compreender que fazemos parte de um todo como um todo, compreender que a vida já é um ato de magia e que, muito mais que um celebrador de rituais ou um lançador de encantamentos, o verdadeiro wiccano é um adorador da vida – ou assim deveria ser. “

Bom, gente, como podemos perceber... a coisa vai longe... Eu entendo que há o Neopaganismo, dentro dele está a Bruxaria como um todo. Dentro da Bruxaria, há um conjunto de pessoas que, com o passar dos anos, delineou suas práticas de uma forma tal que se tornou bastante peculiar. Essas pessoas são os praticantes de Wicca. Assim, embora possamos dizer que em origem, tudo é Bruxaria... hoje conseguimos identificar grupos que tem práticas tão “parecidamente uniformes” que esses grupos ganharam o status de vertente da Bruxaria, enquanto essa última ganhou o status de gênero, Wicca tornou-se uma espécie. Esse é o cenário que eu vejo se formar, pelo menos aqui no Brasil.

Não deixem de ler o trecho do livro de Jefrey Russel, que segue abaixo... Vale muito a pena.

“O que é uma bruxa?

(...)

Respostas mais corretas e úteis são: 1) uma bruxa é uma feiticeira: este é o enfoque antropológico; 2) uma bruxa é uma satanista: esta é uma abordagem histórica; 3) uma bruxa cultua os antigos deuses e pratica magia: este é o enfoque favorecido pelas bruxas modernas. Cada uma dessas abordagens pode ser justificada.

(...)

A mais comum das concepções equivocadas a respeito da feitiçaria é que “uma bruxa é coisa que não existe”. Um congestionamento de outros deve também ser eliminado antes de prosseguirmos em nosso caminho. “Um curandeiro é um bruxo”. De fato, um curandeiro ou médico-feiticeiro pratica magia, mas a sua função é combater as ameaças ou efeitos da bruxaria. “A bruxaria é a mesma no mundo inteiro.” Na verdade, existe uma grande diferença entre a Bruxaria da Europa e a feitiçaria de outras culturas. “A possessão está relacionada com a bruxaria.” A possessão é um ataque interno infligido a um indivíduo por espíritos malignos, uma invasão da psique que faz desse indivíduo um possesso; a obsessão é um ataque físico. Em nenhum dos casos a vítima faz um pacto consciente com o espírito maligno. Na bruxaria diabólica, por outro lado, a bruxa convidou voluntariamente e deliberadamente o espírito maligno através da invocação ou por outros meios. A maioria das bruxas modernas repudia inteiramente semelhante invocação.

“A missa negra é uma parte integrante da bruxaria.” A missa negra é desconhecida na bruxaria histórica européia e rejeitada não só pelas bruxas contemporâneas mas até pelos satanistas. A única época em que a missa negra foi seriamente realizada foi durante o reinado de Luis XIV, e mesmo então não tinha qualquer ligação com a bruxaria contemporânea. “A bruxaria é característica da Idade Média.” A bruxaria européia só surgiu em fins da Idade Média. A grande caça às bruxas ocorreu durante o Renascimento,a Reforma e o século XVII. “As bruxas são, usualmente, mulheres velhas e feias.” Tanto no passado quanto no presente, muitos homens praticaram e continuam praticando a bruxaria, e muitas bruxas são muito jovens e bonitas. “A bruxaria é um tema ridículo e trivial”. Durante a caça às bruxas pelo menos 100.000 pessoas foram torturadas e mortas como bruxas. As crenças em bruxaria tiveram grandes efeitos psicológicos e sociológicos. Antropólogos, psicólogos e historiadores tratam agora a bruxaria como assunto sério.

Mas o que é realmente uma bruxa?

Uma resposta reside nas raízes e no desenvolvimento das palavras.

A palavra inglesa WITCH deriva do inglês arcaico WICCA (pronunciado “witcha” e com significado de “bruxo”) e WICCE (“bruxa” e pronunciado “witcheh”), e do verbo WICCIAN, que significa “enfeitiçar”. Ao invés da crença comum entre as bruxas modernas, não se trata de uma derivação céltica e nada tem a ver com o inglês arcaico WITAN, “saber”, ou qualquer outro vocábulo relacionado com “sabedoria”. A explicação de que WITCHCRAFT significa “arte dos sábios” é falsa.

O termo WARLOCK (feiticeiro) deriva do inglês arcaico WAER, “verdade”, e LEOGRAN, “mentir”. Significava originalmente qualquer perjuro ou traidor. Por volta de 1460, o termo foi equiparado a WITCH. WITCH aplica-se a ambos os sexos. WIZARD, ao contrário de WITCH, deriva realmente do inglês medieval WIS, que apareceu npela primeira vez em cerca de 1440 com o significado de “mago”; nos séculos XVI e XVII designava um mago dotado de poderes sobrenaturais (HIGH MAGICIAN) e só depois de 1825 passou a ser usado como equivalente de bruxo (WITCH).

SORCERER deriva do francês SORCIER, do latim pós-clássico SORTIARIUS, “adivinho” ou “ledor da sorte”. Em francês, SORCIER significa “feiticeiro” (SORCERER) e “bruxo” (WITCH) indistintamente. A palavra inglesa SORCERY (feitiçaria, bruxaria) foi introduzida no século XIV e tornou-se comum no século XVI. Tal como no francês, o vocábulo inglês nunca foi muito claro: ora se refere à simples feitiçaria, ora a alguma modalidade de feitiçaria diabólica.

MAGICIAN (mágico, mago) deriva do francês MAGIQUE, do latim MAGIA e do grego MAGEIA. A palavra grega MAGOS designava originalmente os astrólogos-sacerdotes persas que acompanharam o exército de Xerxes na invasão da Grécia. Usada em inglês nos fins do século XIV, MAGIC (magia) subentendeu freqüentemente um refinado sistema intelectual oposto às práticas mais grosseiras de “feitiçaria”.

Alguns antropólogos não fazem distinção entre bruxaria e feitiçaria. Outros, adotando o critério proposto por Evans-Pritchard, usam uma distinção africana entre magos maléficos que usam objetos materiais como ervas e sangue em seus conjuros malignos que prejudicam outrem por meio de uma qualidade inerente e invisível que possuem. Esses antropólogos designam a palavra inglesa SORCERER (feiticeiro) os primeiros e WITCH (bruxo) os segundos.

A distinção é válida, mas a escolha das palavras é arbitrária. A maioria dos historiadores distingue entre bruxaria européia, a qual era uma forma de satanismo, e a fetiçaria em escala mundial, que não envolve veneração, mas exploração de espíritos maléficos.

A palavra inglesa WICCA, “bruxa”, que aparece num manuscrito pela primeira vez no século IX, tinha originalmente o significado de “feiticeiro” mas, durante a caça às bruxas, foi usada como o equivalente do latim MALEFICUS, bruxo diabólico. As bruxas modernas adotam uma postura muito diferente da dos antropólogos e historiadores. Para elas, a bruxaria é a sobrevivência ou o ressurgimento do antigo paganismo. As bruxas modernas diferem das bruxas históricas porque rejeitam a crença no Deus cristão e no Diabo cristão. Diferem dos feiticeiros em sua ênfase sobre o culto dos deuses, mais do que sobre a magia.

Nenhum desses usos pode ser considerado inteiramente correto. O presente livro usa o termo “feitiçaria” para a feitiçaria praticada em todo o mundo, seja ela benéfica ou maléfica, mecânica ou invocadora de espíritos. E emprega “bruxaria” em referência tanto à bruxaria diabólica da caça às bruxas quanto à moderna bruxaria neopagã.”

Leituras indicadas

Livro:

História da Feitiçaria. Relançado sob o nome de História da Bruxaria. Jeffrey B. Russel

Sites:

http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=cadernos&subsecao=apologetica&artigo=neopaganismo&lang=bra (site cristão que demonstra enorme preconceito, mas também muita informação sobre o que vem a ser Neopaganismo. Vale a pena conferir).

http://bruxaria.net/atualizacoes/neo-paganismo-e-religioes-reconstrucionistas/ (link do Bruxaria.net que mencionei no texto e que vale a leitura).

www.neopagan.net

No Orkut, façam parte da comunidade Sociedade Wicca. Procurem o tópico “Revelando a Wicca”. Tem muita coisa bacana por lá.

5 de julho de 2011


Olá, pessoal!

Dia 01/08/11 vou iniciar um grupo de estudos virtual sobre Bruxaria.

Os estudos serão por e-mail, na lista de discussões do Caldeirão de Circe, que neste mês completa 10 aninhos de vida. Dirigir esses estudos é para mim uma forma de comemoração e agradecimento a tudo que eu tive oportunidade de receber naquela lista.

Bem, teremos temas semanais, seguindo o conteúdo abaixo relacionado (lógico com flexibilidade):

Paganismo, Bruxaria e Wicca: conceitos, diferenças, semelhanças e polêmicas.


Deidades da Arte: Deus e Deusa como polaridades da energia criadora. Os ”teísmos”. Todos os deuses são um único deus? Matriarcal, Matrifocal, Matrilinear X Patriarcal, Patrifocal, Patrilinear: Origens do culto à Deusa. Origens ao culto do Deus.

Ritual, feitiço, magia, celebração: conceitos. Magia negra na Arte? Pq nudez ritualística? Grande rito: o que é e qual o objetivo. Simbólico X real.

Instrumentos da Arte: existem instrumentos obrigatórios? Magia Cerimonial X Magia Natural.

Roda do Ano: origens e conceitos básicos, sul X norte, rodas híbridas.

Solitário, círculo, coven, grove, tradição: conceitos. Há o melhor caminho?

Dedicação e iniciação: conceito. Caminho solitário x grupal. Auto-iniciação? Existem falsas iniciações?

Lei Tríplice: origens e conceitos. Ética pagã, lei natural ou mecanismo de limitação e controle? A Lei Tríplice se aplica apenas para iniciados?

2 Temas livres: propostos pelos membros do círculo de estudos e escolhidos pela moderação.

Como funcionará?

Semanalmente, eu enviarei a vocês um texto sobre o tema da semana, juntamente com um pequeno questionário que deve ser respondido pelos membros e enviado para o grupo. Paralelamente, enviarei outros textos relacionados com o mesmo tema em debate como complemento.

No decorrer da semana, todos nós devemos comentar as respostas das pessoas, bem como os textos enviados.

Todos os membros podem enviar textos, perguntas, dúvidas, questionamentos e críticas pertinentes ao assunto em foco naquela semana. Da mesma forma, todos os membros podem e devem responder a essas manifestações.

A participação é gratuita, mas depende da efetiva participação daqueles que se propuserem a estar no grupo, sob pena de exclusão. Afinal, é um círculo de estudos e isso pressupõe troca de informações.

Ao aceitar participar, tenha em mente que não concordar com uma opinião não significa odiar mortalmente a pessoa que a expressou. Da mesma forma, se alguém de vc discordar, converse, exponha seu ponto-de-vista, apresente seus argumentos... não fique achando que as pessoas te odeiam só pq elas discordam de vc. Encare como uma oportunidade de crescimento e não tenha vergonha de ser o único a defender uma opinião, se essa faz sentido para vc. Vc tem esse direito. Mas defenda... não diga apenas que essa é sua opinião e ponto. Em contrapartida, não tenha vergonha de mudar de opinião, isso mostra a capacidade de aprender, de crescer e se desenvolver intelectualmente.

Tendo em vista tudo que acabei de escrever, claro que xingamentos, grosserias e falta de educação não serão toleradas. As mensagens do grupo serão moderadas.

Os interessados devem me procurar ou mandar um e-mail em branco para:

caldeiraodecirce-subscribe@yahoogrupos.com.br

Dúvidas, estamos às ordens!

Beijos e espero vcs por lá,

Lua Serena

Moderação e apoio:

Josy Büll,

Aline Pandora

Anitsi