12 de fevereiro de 2010

A Colcha de Retalhos


Fiquei intrigada com índice de tristeza que vem assolando as pessoas ao meu redor ultimamente...

Mas, afinal de contas, o que tem a ver esse sentimento com magia, espiritualidade, bruxaria e afins?

Eu diria que muito!

Afinal, a Arte é a arte de transformar... Transformar também as tristezas e amor puro, claro.

E é por esse viés que eu começo a tecer essa pequena colcha de idéias sobre o amor e bruxaria.

Mesmo por que... as bruxas possuem uma entrelaçada ligação com o tear, afinal de contas, somos filhas da Fiandeira do destino, Aquela que tece... tece...
ESCOLHENDO OS TECIDOS
Viver a Bruxaria requer bem mais que apenas estudar as origens da nossa crença ou saber que planta ou pedra usar para a feitura de um feitiço. Ser bruxa de verdade requer profunda transformação, trilhar a senda da Bruxaria é transformar-se.
Portanto, uma mulher que se diz bruxa deve escolher muito bem os tecidos que usará em sua colcha.

É bem possível que no decorrer do tempo, vocês, mulheres como eu, tenham vivido alguns relacionamentos que em nada levaram. Talvez vocês tenham se deixado levar, é tão fácil se escravizar, virar o satélite de alguém... por amor (?).

Complexo viver nos dias de hoje em que temos de ser perfeitas criaturas, lindas, sexy, boas mães, boas profissionais, boas em tudo. É fácil nos perdermos no meio de nós mesmas. É fácil ficar perdida entre o que somos, o que fomos, o que devemos ser, o que querem que sejamos. De fato temos respostas para todos esses questionamentos?

Talvez o cerne de tudo esteja nos tecidos que escolhemos para fazermos a nossa colcha do amor.Não precisamos buscar no baú das nossas lembranças apenas os tecidos mais belos e mais fortes, pois a nossa colcha deve ser feita também com os tecidos menos bonitos.

Reúnam os retalhos da vida, desde aquela seda maravilhosa, o algodão macio, até a lã mais felpuda... juntem com aqueles retalhos ásperos que as incomodam ao passar a mão. Para cada retalho áspero, dois retalhos suaves são suficientes.

Uma boa colcha de retalhos, para nos agasalhar, deve conter todos os retalhos que no baú das lembranças a gente encontrar.

Para saber se é um retalho que servirá para a sua colcha, peguem-no, coloquem-no junto ao peito, sintam o cheiro. Para onde ele te leva? Os cheiros nos levam a tantos lugares... Se o retalho fizer o corpo reagir, o coração acelerar, os olhos marejarem, a boca se abrir num sorriso ou num suspiro... Então é um bom retalho para a colcha de vocês. Se o retalho lhes incomodar quando vocês o trouxerem junto ao peito, se o retalho pinicar o corpo, se fizer com que suas sobrancelhas se juntem franzidas... Então também é um bom retalho para fazer a colcha.

Não que seja preciso dizer mas... deixem de lado retalhos sem cor alguma, tecidos neutros não devem fazer parte da colcha de vocês.

Acreditem, com essas dicas, vocês saberão distinguir quais os retalhos ideais para a colcha.Lembrem-se: para cada retalho áspero, dois retalhos macios.
SEPARANDO AS LINHAS
Depois de reunir os retalhos é importante separar as linhas para que vocês consigam unir os retalhos macios com os ásperos.
Procurem no baú da memória aquelas linhas mais fortes e de cores mais intensas. Dê preferência àquelas linhas e fios que remetem vocês a algum cabo de guerra da vida. Segurem firmemente os fios que você sescolheram ao abrir o baú e puxe com as duas mãos, lembrando que as cores vivas são importantes. Linhas vermelhas de paixão, de garra, de luta.
Para que a colcha não se desfaça nos invernos que ainda estão por vir, as linhas precisam ser fortes como aquele tempo em que achávamos que podíamos mudar o mundo, ou como aquele momento em que estivemos tão certas daquilo que queríamos e lutamos até sangrar para conseguir.

Cores quentes e vibrantes de linhas fortes e duráveis... Ideal para unir os retalhos bons aos ruins.

Lembrem-se: para cada retalho ruim, dois retalhos bons estão de bom tamanho.
TECENDO A COLCHA
Vocês já escolheram os retalhos e as suas linhas, agora é hora de tecer.A colcha deve ser tecida de forma que a linha forte que vocês escolheram prenda o retalho áspero entre os dois retalhos macios. Isso é muito importante!
Quando envolvemos o retalho áspero com os retalhos macios damos a oportunidade do retalho áspero fazer seu trabalho, que é dar forma e rechear os retalhos macios. Sem o retalho áspero não saberíamos quão macios são os retalhos que servirão para nos cobrir. Os retalhos ásperos não devem ser sentidos enquanto nos cobrimos com a colcha.
Portanto, prenda muito bem os macios. Usem as linhas fortes para segurar o retalho áspero dentro dos dois retalhos macios.Vocês sentirão que a colcha feita desta forma irá cobrir vocês com o peso ideal.
Não se faz uma verdadeira colcha de retalhos do amor só de retalhos macios, fica leve demais, parece que estamos sozinhas, sozinhas de nós mesmas... pode não ser suficiente para cobrir nas noites frias do inverno.É importante ter o peso dos retalhos ásperos presos com os fortes fios, para que os retalhos não se soltem à medida que vocês se movimentam debaixo da colcha. Vocês podem colocar em risco todo o trabalho construído.
DAR O NÓ DA MANEIRA CERTA
Agora que vocês já uniram os retalhos e já os costuram de maneira firme, é hora de dar os nós. Sim, por que se não der um nó bem dado, as fortes linhas de nada adiantarão. Os retalhos vão se soltar, pode acontecer de algum retalho macio se soltar e deixar o retalho áspero te cutucar. É muito ruim sentir os cutucões dos tecidos ásperos enquanto o que se pretendia o tempo todo, é que esses servissem de recheio para os felpudos.

Dar os nós nas nossa colcha mágica não tarefa fácil. Somos facilmente tentadas a deixar um ou outro frouxo, fazendo escapar algum ponto “farpento” do tecido áspero incomodar o nosso aconchego.
Quantas vezes, quando o aconchego está perfeito, quando tudo mais está perfeito, nos deixamos incomodar com as aspereza de algum tecido duro, não é mesmo? É como se não conseguíssemos desfrutar do momento, pois ficamos focadas naquele ponto áspero, insistente, que tira o sono e não nos deixa ser feliz.

Aqui se requer muita habilidade e responsabilidade na hora de dar o nó, pois se os retalhos se soltarem... a culpa será só nossa,pois fomos nós quem não demos o mó da maneira devida.

Outro ponto importante para a confecção da nossa colcha é dar o nó firme, mas deixar que ele fique em relevo, pois nós em relevo também incomoda. O nó deve ser parte integrante da colcha sem que nós percebamos nitidamente.
Lembrar toda hora do nó na hora de se cobrir com a colcha deixa marcas pelo corpo, incomoda ficar lembrando dele, gera medo dele se soltar e nos faz duras, afirmando a nós mesmas o quanto pode ser desastroso se o trabalho se perder por que não demos o nó certo. Pode prejudicar o sono, embaralhar a mente e nos impossibilitar de curtir todo o trabalho que tivemos.

O medo do nó soltar é o equivalente àqueles momentos em que sabemos que fizemos um bom trabalho, em que demos o melhor de nós mesmas e usamos todo o nosso amor e habilidade para construir algo, mas que tudo pode se perder...
Ficamos o tempo inteiro pensando que tudo poderá ir por água abaixo...

Então, façam seus nós com firmeza e de modo que ele seja mais um ponto natural da colcha que você vagarosamente confeccionou.
Vocês dormirão mais tranqüilas.
DEBAIXO DA COLCHA
Sua colcha está feita!

E como é bom terminar um longo trabalho!

Como é bom saborear a conclusão do processo difícil de juntar os nossos pedaços, digo, de juntar os nossos pedaços de pano...

Agora é hora de vocês se cobrirem com a colcha que vocês fizeram com suas mãos, seus tecidos e suas linhas. Se cobrir com a colcha equivale àqueles momentos sem explicação em que despertamos em uma manhã, seja ela fria ou não, nublada ou ensolarada, e estamos tão aconchegadas com nós mesmas.

Estamos protegidas pela colcha mágica dos nossos retalhos, com todos os fios e nós em perfeita harmonia e conseguimos até cobrir aqueles que amamos com os nossos pedaços unidos, digo, os nossos pedaços de panos unidos com nossas linhas.

Quando vocês terminarem a colcha, cobram-se com ela, cubram-se sem medo dos nós se soltarem. Vocês fizeram um bom trabalho.

Cubram-se sem roupa, sem medo, sem medo de que os tecidos ásperos incomodem a mente e o corpo.

Cubram-se, esse é o manto que vocês fizeram, o manto de vocês mesmas.
HORA DE SE DESCOBRIR
E, por fim, devo dizer a vocês que talvez a melhor parte de todo o trabalho nem seja se cobrir com a colcha, mas se descobrir.

A colcha de retalhos do amor tem o seu poder potencializado quando nos descobrimos.

Sim, ela nos aquece e nos acomoda gostoso, mas o melhor momento talvez seja aquele em que, depois de um tempo cobertas, aquecidas com os retalhos que vocês souberam alinhavar muito bem, vocês se descubram... nuas, livres, apenas sendo o que vocês são.

Ao se descobrir, guarde a colcha num lugar especial, com alguns ramos de lavanda para perfumá-la, vocês sempre terão os retalhos unidos na colcha mágica.

Descubram-se sempre... e recorram à colcha sempre.

Não esqueçam dela jamais... Valorizem-na, ela e o trabalho magnífico de vocês.

Essa é uma lição muito importante para toda costureira que se preze!

Vocês construirão muitas colchas no decorrer da vida...

Quem sabe uma colcha gigante não possa se formar ao final, não é mesmo?
E é assim, tecendo, fiando, costurando os tecidos e as linhas das nossas vidas que aprendemos alguns mistérios magníficos da Grande Fiandeira, Aquela de cujos dedos são feitos o sonho e a realidade, o adormecer e o despertar... tudo junto num enorme manto multicolorido.

Somos filhas da Grande Tecelã da vida... e, por Ela, jamais nos esqueçamos disso!
Beijos alinhavados,
Lua Serena

8 de dezembro de 2009

Esbat: Acessando os Mistérios Lunares (VIDEO)

Povo,

Este é um vídeo com os slides da palestra que ministrei no 1º Congresso de Wicca e Paganismo no RJ.

Bênçãos,
Lua Serena


17 de novembro de 2009

Lâminas d'A Justiça

Povo,
Fiz um videozinho com algumas imagens de lâminas do arcano VIII, quem quiser a autoria de alguma das lâminas é só me escrever.
Link no Youtube aqui.
Bênçãos,
Lua Serena

Esbat: Acessando os Mistérios Lunares


Oi, povo!


Cliquem na imagem para poder ver melhor!!!


Bênçãos,

Lua Serena



12 de novembro de 2009

Povo,
Em dezembro estarei no 9º Encontro Anual de Bruxos palestrando sobre o Sacerdócio Solitário na Bruxaria. A idéia é falar do caminho mágico solitário, abordando temas como desenvolvimento mágico solitário, conexão com os Deuses, dedicação e iniciação no caminho solitário, entre outros.

Vai ser bem legal!

Beijos,

Lua Serena

9 de novembro de 2009

ARCANO VIII - A JUSTIÇA


Esse arcano é também conhecido pelo nome de O Ajustamento, pois muito mais que justiça – que é um conceito deveras humano e relativo – o arcano 8 simboliza os ajustes da vida, que muitas vezes podem ser bem distantes da justiça compreendida pelos homens.

A justiça é em si um conceito complexo que depende de muitos fatores, tais como cultura, momento histórico, enfim, não é dessa justiça que trata o arcano 8.

A Justiça do Tarô está relacionada com as forças que equilibram a vida, forças essas que, novamente vale dizer, podem não ser justas na concepção humana do termo.

Nas palavras de Crowley, “apesar de ser exata, a Natureza não é justa sob nenhum ponto de vista teológico ou ético”.

Esse arcano nos fala da causa e efeito de nossos atos, o recebimento do troco por nossas ações como forma de equilíbrio natural das coisas.

É a carta da lógica, da sequência de atos, da razão muitas vezes incompreensível ao ser humano. Isso por que essa carta nos mostra o sistema organizado da teia cósmica, a ordem do universo, a lógica obscura de dar aquilo que se recebe.

Em outras palavras, embora possamos prever os movimentos dessa carta, não podemos prever ou compreender sua lógica, como a própria vida: tudo aquilo que transmitimos a nós retorna, mas não necessariamente nos exatos moldes que transmitimos. A causa pode gerar diferentes efeitos, mas sempre gerará efeitos invariavelmente. É como dizem, se pegarmos o cabo de uma panela quente, vamos nos queimar, por melhores que sejam as nossas intenções ao pegar a panela.

A lógica e a razão inerentes a esse arcano não devem ser interpretadas como frieza ou indiferença. A própria imparcialidade simbolizada nessa carta não significa indiferença. Talvez a imagem de uma mulher nas representações gráficas queira nos dizer exatamente que a razão/lógica/imparcialidade não devem ser vistas como frieza.

A incompreensão dessa idéia também se pode ver exprimida nas Deusas que encontramos representadas nesse arcano: Atena e Ma’at.

Vistas muitas vezes erroneamente como Deusas frias, tanto Atena como Ma’at são Deusas da sabedoria, da estratégia, da lógica das coisas.

Atena nos ensina a vencer a guerra através da mente, da sabedoria, do conhecimento das leis cósmicas. Ma’at, Aquela que é a Verdade, coloca em sua balança uma pena de coruja em um prato e o coração humano no outro. É preciso que o coração seja tão ou mais leve que a pena para que suas bênçãos nos alcancem.

Por vezes implacáveis, essas Deusas nos mostram a verdade por detrás de nossas ações. O resultado daquilo que plantamos explicita a relativa impotência de nossa vontade perante as leis cósmicas.

É o arcano que nos ensina a não culpar o outro por nossas mazelas, nem de julgá-los por suas imperfeições.

Em alguns tarôs poderemos encontrar a numeração desse arcano invertida com a carta da Força. Cada estudioso encontra razões que justificam essa e outras alterações. No entanto, entendo por certo manter a sequência tradicional que atribui a esse arcano o número oito. Até mesmo por que o oito é o número da justiça.

Numa jogada pode simbolizar o recebimento por nossas ações ou reflexões sobre nossas vidas, uma revisão de nossos atos por meio da análise dos resultados. Ou ainda um momento em que se necessita de ajuste, de equilíbrio. Talvez a vinda do equilíbrio não signifique tranqüilidade, é o que esse arcano nos vem mostrar. Ajustar a vida de vez em quando se revela extremamente doloroso, bagunçado, rígido e pouco justo para os corações humanos que compreendem a justiça como sendo a SUA justiça, aquilo que lhe beneficia. A justiça, no tarô, não é isso. De outro turno, a lei do retorno expressa nesse arcano não significa punição, mas resultado. E, venhamos e convenhamos, nós seres humanos, somos da lei... da lei do menor esforço conjugada com a teimosia. Resultado: aprendemos da maneira mais difícil muitas vezes. Talvez as maiores de nossas lições de vida sejam aprendidas mediante a dor, a dificuldade de passarmos pelos ajustamentos da vida.

Lições importantes começam a se revelar, é o que esse arcano vem dizer. E não são, nem de longe, momentos fáceis. É o que alguns chamam de lei cármica, ajuste cármico, carma.
Pode simbolizar, portanto, ajustes necessários, negociações, intenções, a necessidade de sermos honestos conosco.

Aqui temos a correção de nossos atos, seja por nossas próprias mãos ou pela mão de Ma’at.
Nos fala também da equidade, probidade, honestidade, o triunfo daqueles que ficam do lado da lei, a manifestação da justiça que muitas vezes não entendemos. Nos fala do receber o que se é merecido, a necessidade de encarar a verdade de uma situação com honestidade... ou da desonestidade e negação em ver a verdade.

Outras Deusas relacionadas a esse arcano: Astrea, Diké, Ananke, Temis, Nemesis e Líbia.

PALAVRAS-CHAVE: Ajuste, carma, equilíbrio, transigir, ação, reação, organização.
ASPECTOS POSITIVOS: Equilíbrio, disciplina, harmonia, organização, honestidade, verdade.
ASPECTOS NEGATIVOS: Dureza, intransigência, intolerância, injustiça, parcialidade, erro de julgamento.
PERSONALIDADE: Alguém ligado às leis, alguém que julga ou que é julgado, com discernimento ou não, dependendo das cartas que a acompanham.




Figuras: Hand of Destiny e Universal Goddess
[i] O Tarô da Deusa Tríplice, p. 137.

29 de outubro de 2009

Oi, povo!

Vim compartilhar com vcs mais um evento pagão, o 1º Congresso de Wicca e Paganismo no Rio de Janeiro, que será realizado nos dias 27, 28 e 29 de novembro!

Muitas atividaes, palestras e workshops interessantes sobre temas relacionados ao Paganismo.

Eu também estarei por lá ministrando a palestra "ESBAT- ACESSANDO OS MISTÉRIOS LUNARES".


Depois de 5 anos de sucesso com a Conferência de Wicca & Espiritualidade da Deusa em São Paulo, a organização da CWED está ampliando o seu trabalho e em NOVEMBRO DE 2009 realizará o 1º CONGRESSO DE WICCA & PAGANISMO NO RIO DE JANEIRO.

Da mesma forma que a tradicional CWED de São Paulo, o CONGRESSO DE WICCA & PAGANISMO NO RIO DE JANEIRO é um evento dirigido aos praticantes da Religião Wicca e simpatizantes das muitas Espiritualidades e religiões centradas na figura da Deusa e no Sagrado Feminino. Dirige-se também aos praticantes das religiões da Terra e dos diversos caminhos Pagãos e Neopagãos.
Além de palestras e workshops com palestrantes brasileiros, Laurie Cabot, a Bruxa oficial de Salem e autora do livro "O PODER DA BRUXA", estará presente no 1º Congresso de Wicca & Paganismo no Rio de Janeiro através de uma videoconferência imperdível ao vivo diretamente de Salem, Massachusetts.
Não perca esta oportunidade única de conhecer melhor uma das Bruxas mais importantes, atuantes e influentes do mundo, praticante da Arte há mais de 40 anos.

Laurie Cabot é mundialmente conhecida por suas aulas sobre a Ciência da Bruxaria e foi fundadora da Witches' League for Public Awareness.
Para mais informações sobre essa e outras palestras, confira o site do evento: http://www.congressodewicca.com.br/



22 de setembro de 2009

ARCANO X - A RODA DA FORTUNA




A Roda dos Mundos, A Roda da Vida, A Roda da Fortuna, A Retribuição, A Mudança são alguns de seus nomes. Todos eles simbolizam a essência desse arcano: o movimento incessante da vida, mesmo em alguns momentos não percebamos.



A Roda representa a mutação e o sentido do eterno. Para alguns, a Roda é a representação máxima da lei do eterno retorno, A Roda das Encarnações. Segundo tal entendimento, estamos fadados a reencarnar eternamente... Em contrapartida, alguns entendem que esse retorno não seria eterno e através das encarnações e aprendizados, um dia, deixaremos de encarnar na Terra, evoluiremos.


Independente disso, se eternamente estarei retornando ou se um dia não retornaremos mais, o que importa é a mensagem desse arcano, ele representa a mutação da vida de cada um de nós, nos mostrando que ora estamos em cima, outra estamos embaixo, e que certos padrões podem se repetir. É o destino, a sina, a sorte, a fortuna que vem por que tem de vir, muitas vezes imprevisíveis, muitas vezes sem que notemos. Um dia em que saímos atrasados para o trabalho, perdemos aquele metrô, escolhas pequeninas que podem marcar para sempre nossas vidas.


Quem de nós não se lembra de algum momento em que teve determinada atitude que desencadeou uma série de acontecimentos, como se estivéssemos de verdade presos em uma roda, sentindo como se embora fossemos responsáveis por nossas vidas, algo muito maior, algo que talvez nos tenha impulsionado a fazer um trajeto diferente do cotidiano tenha se apresentado como fator transformador em nossas vidas...


Possibilidades, encontros, desencontros, o universo em constante movimento são elementos desse arcano. E nós, como parte desse universo também somos responsáveis pelo toque que girará a roda.
As Moiras, As Queres, As Nornas, As Parcas, as Senhoras do destino de cada um reinam nesse arcano, nos ensinando que tudo muda o tempo todo. Cloto é a que fia o tecido da vida, Lachesis mede a linha do destino, da vida, e Atropos é aquela que invariavelmente corta o fio da vida. Assim é para todos.
A Deusa e seu útero como origem de tudo é também representado nesse arcano, embora tenhamos de escavar o simbolismo desses arcano e ir até muito tempo atrás.


A Deusa como O Grande Círculo, a Roda, é o próprio universo, a origem de tudo. Erich Neumann nos fala sobre esse antigo conceito ao falar de Tiamat, a escuridão de onde tudo se originou. Tiamat, que foi transformada em monstro, demônio, é a própria Deusa que de seu útero escuro eu à luz e deu a luz.
[1]
A roda é o eterno movimento, mas nos ensina que seu eixo é firme e não se mexe. O eixo em si é a Divindade como cada um compreende, podendo representar também nosso eu interior, onde, de fato, mora a Divindade. Significa que diante das mutações da vida, devemos manter o centro firme, nunca estático no sentido de algo sem fluidez, mas algo sólido e forte para sustentar o girar da roda de nossas vidas.


O simbolismo da roda, do círculo, do redemoinho, da espiral nos fala daquilo que não é linear. Nos ensina que a vida não é linear, embora tenhamos essa sensação. Por isso aqui temos a noção das estações do ano, sempre mudando, mas sempre vindo cada uma delas novamente. Jamais igual, jamais cessando.


Na maioria das representações desse arcano temos três figuras girando na roda: Esfinge, Hermanubis e Tífon. Só a pesquisa e estudos dessas três figuras dariam um livro inteiro. Mas basicamente, cada um deles tem um propósito de estar li. Existem uma série de opiniões do porquê de tais imagens estarem dispostas dessa forma. Eu tenho uma forma muito particular de interpretar a figura...


Divido com vocês uma interpretação para tais figuras, embora eu não concorde inteiramente. Para Johann Heys “uma esfinge se encontra no topo, aparentemente mune à rotação e suas mudanças. O símbolo da esfinge é antigo e abrangente, evocando consciência superior, serenidade e sabedoria. O macaco Hermanubis, que já apareceu no arcano do Mago, está em ascensão na roda e representa energia crescente, agitação inquietude. O terceiro ser, em movimento de descida, é Tífon, um monstro filho da deusa Hera que foi criado como vingança desta deusa ao saber que seu marido Zeus havia criado Atena sozinho. TÍfon vem então a ser inimigo natural de Atena. Esses três seres mitológicos que habitam a roda representam diferentes tipos de pessoas e situações, bem como sua alternância na roda da vida.”[2]


Pode ser uma carta afortunada ou não, dependendo muito do contexto em que ela sai e dependendo também da associação desse arcano com os demais numa determinada jogada.



A Roda da Fortuna, portanto, nos alerta para a mudança na roda, aquele que esteve embaixo, subirá, os de cima cairão e assim será, assim é. Mudanças boas ou ruins, crescimento em razão de um novo momento da vida. Nesse momento, não temos certeza absoluta do que vem pela frente, sabemos apenas que as coisas mudarão. Em geral prenuncia uma mudança que será marcante em nossa vida, pessoas, fatos, circunstâncias que serão agentes dessa mudança e que jamais esqueceremos... mesmo depois do girar de muitas rodas.
PALAVRAS-CHAVE: mudança, mutação, movimento.ASPECTOS POSITIVOS: força vital, mudança interior e exterior, renovação, aprendizado, destino, encontros, determinação, ousadia, vontade, receptividade a mudanças e às novidades, vitória sobre as adversidades, talento para guiar um projeto, vida agitada, expansão de idéias, abundância, prosperidade, novas situações, pessoas novas em sua vida e pessoas que se afastam para seu crescimento.
ASPECTOS NEGATIVOS: mudança de uma situação boa, instabilidade, insegurança, falta de base, inflexibilidade ou dificuldade para lidar com mudanças, rigidez, queda, perdas sucessivas.

[1] “Quase todos os documentos mais antigos e primitivos, porém, já revelam o conhecimento da origem do mundo e do ser humano a partir das trevas, do Grande Círculo, da deusa.” (...) Tiamat é,porém, o verdadeiro elemento de origem, a mãe dos deuses, a possuidora das tábuas do destino.” (A Origem da Consciência, Ed. Cultrix).

[2] O Tarô de Thot, Ed. Nova Era.





Figuras: Tarot fo the sevenfold mistery e Wetzel