19 de março de 2019



Olá, pessoal!

Separei 7 dicas importantes para aqueles que se interessam por ervas e suas propriedades mágicas e medicinais.

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DICA NUMERO UM: CORRESPONDÊNCIAS ASTROLÓGICAS
Vocês, com certeza conhecem as classificações encontradas em diversos livros de bruxaria e magia, nas quais se colocam planetas e elementos de regência das plantas, não é mesmo?
Mas vocês já pararam para pensar de onde vem essas classificações?
Bem, a maioria delas vem de um estudioso muito importante para a Herbologia, que é Paracelso.
Paracelso foi um médico, alquimista, físico, astrólogo e ocultista europeu que desenvolveu um estudo profundo de relação entre as plantas, os planetas e os elementos.
Todo estudioso de magia com ervas já leu ou ouviu falar do livro A Botânica Oculta, onde os ensinamentos de Paracelso sobre a energia e a magia das ervas foram espalhados pelo mundo ocultista.
Uma curiosidade sobre essa obra: este livro é uma compilação dos estudos de Paracelso, mas não teria sido exatamente escrito por ele, mas organizado por outros estudiosos, de acordo com os seus ensinamentos.
É nessa obra que encontramos as tabelas de correspondências de planetas, signos e elementos com as plantas, de acordo com as suas características botânicas. A partir delas, é possível analisar a regência de qualquer planta.
A maior dificuldade desta dica pode ser compreender bem as tabelas e saber trabalhar com elas, mas eu tenho certeza de que você consegue!

DICA NUMERO DOIS: AS ERVAS NA MITOLOGIA
Uma forma muito bacana de buscar as propriedades mágicas de uma planta é a sua associação com deuses e deusas. Diversas plantas possuem uma posição de destaque na mitologia.
Podemos citar como exemplo a ROMÃ, no mito de Perséfone, a ARTEMÍSIA e sua relação com Ártemis, a Hera com a deusa grega HERA, e o LOURO com Apolo.
Para os povos chamados de Celtas, as árvores eram consideradas sagradas, possuindo, cada qual, uma história riquíssima de poder mágico. Dentre elas estão o SALGUEIRO, o TEIXO, o ÁLAMO e a BÉTULA.
Busque estudar os mitos e faça as correlações tendo como base a relação da planta com a deidade, o seu raio de atuação e a sua função, descritos no mito.

DICA NÚMERO TRÊS: CONHECIMENTO POPULAR
Busquem estudar a associação mágico-popular das ervas da sua região. O Brasil é um país riquíssimo e possui muitos tesouros mágicos escondidos nas raízes de nossas plantas.
O conhecimento de erveiras e erveiros é tão bem-vindo quanto os ensinamentos dos povos nativos da nossa terra, além de ensinamentos trazidos pelos africanos. A mescla desses conhecimentos compõe uma profunda e importante medicina popular herbal da nossa terra.
Fazem parte desse legado riquíssimo, plantas como o GUINÉ e o COMIGO NINGUÉM, ambas para fins de limpeza; a COPAÍBA e a ANDIROBA contra inimigos; e a ERVA DE BUGRE para purificação e contato com a energia indígena da nossa terra.
Não deixem essa sabedoria morrer. Estudem as propriedades mágicas de nossas plantas nativas também. Na medida do possível, eu vou vir aqui e dividirei as minhas pesquisas sobre elas com vocês.

DICA NÚMERO 04: ANÁLISE DO NOME CIENTÍFICO
Toda planta possui nome científico.
O nome genérico é sempre uma palavra, latina ou latinizada, indicando o gênero a que a planta pertence, escrita com a inicial maiúscula e, às vezes, esse nome nos dá pistas de como essa erva era encarada magicamente por povos antigos ou pode nos fazer relacionar uma erva com uma força ou uma divindade. Então, uma boa dica é analisar o nome científico da planta que você deseja estudar.
Veja o exemplo da Melissa Oficinalis.
Essa erva é conhecida como ERVA CIDREIRA em algumas regiões do Brasil. O nome MELISSA guarda relação com as abelhas que se atraem muito por essa erva, em razão de seu óleo essencial. Mas se formos mais a fundo, encontraremos a deusa Melissa, a senhora das abelhas de Creta, sendo, portanto, uma erva muito utilizada para amor, doçura e também para questões proféticas e ampliação de dons psíquicos.
Outra erva que possui um nome científico que nos dá pistas de sua atuação mágica é o Ocimum basilicum, o MANJERICÃO. O basilicum de seu nome guarda relação com o ser mitológico basilisco... e não, não estou falando do Harry Potter.
O basilisco é uma espécie de dragão, serpente, da mitologia grega, extremamente venenoso e de olhar mortal.
O poeta inglês Percy Bysshe Shelley fez também a seguinte alusão ao olhar mortífero do basilisco:
“Sê como o basilisco, que o inimigo mata por invisível ferimento.”
Os antigos acreditavam que apenas o Manjericão era capaz de matar o basilisco e que era, portanto, uma arma poderosa de proteção contra o mal.
Na Índia, a planta, numa outra variedade, é conhecida pelo nome de TULASI, sendo relacionada à Lakshmi, senhora da abundância e proposeridade; e à Tulsi Devi, deusa ligada à terra e consorte de Vishnu.

DICA NÚMERO 5: ANÁLISE DAS PROPRIEDADES FITOQUÍMICAS DAS PLANTAS
Ao analisarmos a medicina de uma determinada planta, podemos transpor seus poderes para uma análise metafísica, levando em consideração a multidimensionalidade de todos os seres. Significa dizer que, se uma planta atua no nosso corpo físico, ela também tem uma atuação nos demais corpos energéticos que nos compõem. Por exemplo, uma erva depurativa pode ser uma excelente erva purificadora de nossas emoções, de nossos pensamentos, de nossas ações.

DICA NÚMERO 6: ESTUDE OS NOMES POPULARES DA ERVAS EM OUTRAS LÍNGUAS
O nome popular das ervas em outras línguas. Às vezes, uma erva com um nome pouco ou nada mágico em nosso idioma, possui um nome popular bastante relacionado com as propriedades mágicas da planta.
É o caso da Hammamelis, que em inglês se chama Witch Hazel, ou Aveleira de bruxa.
Da Erva Moura (Maria Preta venenosa), BlackShade, ou sombra negra.
E a Erva Moura Azul, Bluewitch Nightshade / Bruxa-azul-da- sombra da noite.
O nome popular dado a essas ervas nos conecta diretamente com o passado e em como os antigos encaravam determinada planta.
Não é uma regra, mas é bastante comum que plantas venenosas tenham nomes associados a bruxas, o que nos remete, de certo modo, ao aspecto energético e funções mágicas delas.
Aliás, uma dica interessante é também prestarmos atenção a ervas que possuem nomes de santos católicos, pois foi uma prática muito comum, com o intuito de apagar antigas práticas pré cristãs, tanto nativas de nossa terra, quanto pagãs, trazidas de outros povos.

DICA NÚMERO 7: ESTUDE, FAÇA CURSOS E SE DEDIQUE
O estudo das plantas e seus aspectos mágicos é algo extremamente extenso e profundo. Logo, vale a pena você buscar cursos e livros interessantes.
Nós aqui no Instituto Mãe Terra ofereceremos o curso MAGIA DAS ERVAS, confira as informações detalhas e, caso tenha vontade de juntar-se à nós, fale conosco:

CURSO MAGIA DAS ERVAS

Como manipular e utilizar o poder das plantas no dia-a-dia.

com Elfo Lunar e Lua Serena

CERTIFICADO E APOSTILADO

Valor: R$290,00

ACEITAMOS CARTÕES DE CRÉDITO E DE DÉBITO
DIVIDIMOS NO CARTÃO DE CRÉDITO EM 2X SEM JUROS

Quando:
30 e 31 de março de 2019.
Sábado: das 9h às 18h
Domingo: das 9h às 18h

Local: Instituto Mãe Terra

Para mais informações e inscrições:

(12) 98252-2943
(11) 97285-6137

mailing.imt@gmail.com

Apresentação:

O uso energético e mágico das plantas é uma das mais antigas práticas da humanidade.
Do conhecimento erudito, com associações elementais e astrológicas, aos conhecimentos populares de erveiras e erveiros do mundo, o Instituto Mãe Terra busca resgatar esse conhecimento a partir de suas bases energéticas, terapêuticas e mágicas, harmonizando a teoria e a prática, proporcionando aos alunos as capacidades adequadas para o trabalho com ervas.

Carga Horária: 16 horas

Conteúdo Programático:

- História do uso de plantas nas acepções mágica e fitoterapia
- Aspectos mágicos e medicinais: uma dissociação necessária ou uma impossibilidade?
- Cultivo de plantas medicinais: cuidados mágicos e práticos
- Aprendendo a identificar as funções energéticas e mágicas das plantas;
- Plantas e divindades;
- Ervas e trabalhos para o sagrado masculino
- Ervas e trabalhos para o sagrado feminino
- Ervas para o amor
- Ervas para prosperidade
- Ervas para proteção e defesa contra ataques psíquicos
- Ervas para saúde
- Ervas para trabalhar capacidades psíquicas
- Ervas para autoconhecimento e equilíbrio emocional
- Plantas de poder
- Espíritos das plantas: quem são e dicas de contato
- Técnicas de manipulação de plantas:
chás: infusão e decocção
unguentos
poções
óleos
banhos
defumações
incensos
amuletos de ervas
poções
pós mágicos
garrafadas
pout pourris
temperos
- Perigos e cuidados no uso de plantas
- Ética
- Prática de confecção de defumadores, óleos, pós e banhos

Bom, estas foram algumas dicas para começar o trabalho com as plantas mágicas.
Tais dicas foram fundamentais para que eu mergulhasse nos mistérios de algumas plantas. E eu espero que sejam igualmente úteis a vocês.

Um beijo,
Lua Serena



3 de março de 2019

Baba Marta






Dia da Vovó Marta (ou simplesmente Baba Marta, em búlgaro : Баба Марта) é um feriado celebrado na Bulgária , no dia 1º de março. 
Nesse dia, são feitas as Martenitsas, geralmente na forma de uma pulseira, que consistem em pequenos bonecos de fios combinados na cor vermelha e branca. As martenitsas são usadas naquele dia e durante todo o mês de março, que lá marca a chegada da primavera. Aaté que uma cegonha ou uma árvore em flor seja vista, simbolizando a chegada da primavera, ninguém tira a Martenitsa.
Uma vez que a cegonha ou árvore em flor aparece, a Martenitsa é retirada e pendurada em uma árvore. É comum na primavera ver árvores enfeitadas em Martenitsas.

Os búlgaros mais velhos o chamam de Birch Month (Mês da Bétula), pois é na época em que as bétulas começam a dar seiva. Há uma grande quantidade de folclore sobre o dia da vovó Marta e o caráter da própria Baba Marta.

Existem várias teorias, sugestões e até mesmo várias lendas envolvendo baba Marta e sobre o simbolismo das cores vermelhas e brancas de que são feitas as Martenitsa . Uma explicação óbvia, e talvez uma crença comum que as pessoas compartilham, é que "vermelho" significa "vida/nascimento" e "branco" significa "novo/ luz". Combinados juntos, eles significam "recém-nascido", "renascimento" e "um novo começo"; uma celebração da vida e da sobrevivência.

Outra explicação popular é que o branco significa sabedoria e o vermelho para uma boa saúde, o que significa que qualquer um que lhe dê uma Martenitsa está desejando a você sabedoria e saúde durante o ano novo.

Em março, esses amuletos, usados ao redor dos pulsos e em seus trajes, podem ser vistos em quase toda parte na Bulgária e nas regiões vizinhas. Sendo um ritual puramente pagão por origem, o Baba Marta Day é uma das tradições mais antigas da Europa.

SOBRE RELAÇÕES TÓXICAS


Rezo para que você encontre um grande amor na vida, dois... até três, se for o caso. É possível amar grandemente mais de uma vez na vida.


Mas se ao encontrar um "grande amor", esse alguém pedir, direta ou indiretamente, que você escolha entre o seu filho e ele, entre a sua religião e ele, entre a sua carreira e ele, entre os seus projetos e ele, entre qualquer coisa sua e ele... Veja, ele não é um grande amor, mas pode ser um grande terror disfarçado de amor, uma prisão disfarçada de relação.

Quando alguém pede para você fazer escolhas assim, entre ele e qualquer aspecto de sua vida que te faz ser quem você é, que é parte de quem você é, ele está fazendo com que você o escolha acima de você, ele está pedindo que você se abandone e escolha a vida dele em detrimento da sua.
E, muitas vezes, ao te fazer escolher, ele o fará de forma encantadora, te cobrindo mimos, de um falso amor. De forma sorrateira ele poderá quase te fazer pensar que a ideia foi sua.
Noutras vezes, transvestido de uma doce e falsa insegurança, ele poderá te fazer sentir que se não o escolher, ele não mais poderá viver. Nem mesmo você poderá viver sem esse “amor”!
Não admita isso.

Admita que, por carência ou medo, por crenças limitantes sobre si mesma, que seja, você se deixou levar, se deixou envolver e se deixou manipular. Acontece todo dia...
O caminho para a quebra disso e a reconstrução de sua vida pode ser doloroso... Vai exigir de você força, vai exigir de você perdão – principalmente de si para consigo – e vai exigir muito trabalho interno e externo.

Essas relações tóxicas podem deixar marcas profundas, difíceis, sim, de superar... Mas você não precisa fazer tudo isso sozinha. Se precisar de ajuda, procure um terapeuta. Ele pode te ajudar no caminho de volta a si mesma.

Beijos,
Lua Serena

27 de fevereiro de 2019

Sobre ser madrinha mágica de uma criança pagã...


Em nossa prática espiritual não batizamos crianças.
Não existe um rito para livrá-las do pecado ou para introduzi-las nos preceitos de nossa religião. O que existe é uma apresentação aos Deuses Antigos, seguida de bênçãos para a vida da criança.
Por vezes, os pais ou padrinhos sentem que uma ou mais divindades que se apresentam para cuidar do pequeno, por vezes não. Por vezes, essa criança é ungida com óleos abençoados, preparados por quem oficia o ritual, por vezes ela recebe um banho de ervas especiais. Normalmente, as pessoas mais próximas da criança estão presentes no ritual, sejam elas pagãs ou não. Por vezes, os pais optam por um rito fechado. Por vezes, os pais fazem oferendas aos Deuses, por vezes não. Tudo isso depende muito da vertente, do clã, da tradição. Não existe uma regra, exceto a de que os padrinhos daquela criança zelarão pelo bom andamento espiritual dela durante toda a vida, independente do caminho religioso que a criança venha a trilhar.
Quando meu filho nasceu, eu não conhecia qualquer pessoa pagã de confiança para amadrinhá-lo. Mesmo assim, fiz sozinha um rito de apresentação com ele ainda bebê. O casal de Deuses padrinhos dele foram invocados e me disseram que eu fizesse a revelação apenas quando de seu rito de passagem para a vida adulta. Então, ele cresceu sem nem ao menos saber quem eram esses Deuses. Fiz isso para que ele pudesse ser livre para escolher sua senda espiritual. Curiosamente (ou não) meu filho sempre nutriu muita afeição por esses Deuses e pelo panteão ao qual pertencem, rs*.
Anos mais tarde, conheci dois grandes irmãos de Caminho, que se tornaram madrinha e padrinho de meu filho. 18 anos após seu nascimento, meu filho conheceu seus deuses padrinhos, quando de seu rito de passagem. A emoção foi enorme e hoje ele carrega tatuado no braço um símbolo do Deus.
Sou madrinha mágica de cinco crianças pagãs: Mayla (que nem é mais criança, rs*), Lucca, Luara, João Pedro e, agora, a pequena Kali.
Antes deles, fui chamada para ser madrinha do filho de uma grande irmã de vida, o Mateus, que vi nascer e se tornar um grande rapaz. Seus pais e ele são cristãos, não o batizei na igreja, por inúmeros motivos. Porém, o amor que sinto por ele é igual ao de qualquer
um de meus afilhados e ele está sempre em minhas orações, é sempre lembrado em minhas preces e sei que ele está bem encaminhado espiritualmente.
Todas essas crianças me são enormemente caras e zelo por elas, oro aos Deuses Antigos todos os dias por suas vidas e para que façam boas escolhas.
Ser a madrinha mágica de uma criança não sobre dar presentes caros, é sobre presentear com o mágico exemplo.
Ser madrinha mágica é sobre abençoar, é sobre zelar pela espiritualidade, é sobre aconselhar, é sobre proteger, é sobre usar a sua voz para alcançar os mundos e pedir aos Deuses que guarde sua criança. É sobre ser a mão que pega no colo e ensina a andar... a mesma mão que empunha o athame, gira e finca para proteger, se preciso for.
Ser madrinha mágica não é sobre estar 100% do tempo junto, mas é estar sempre atenta aos sinais, é falar, brincar e proteger sua criança em sonhos.
Ser madrinha mágica é torcer para que a sua criança cresça e queira contigo aprender as artes antigas, mas é também estar ao lado dela, se a escolha não for essa.
Dizem por aí que as bruxas e as fadas possuem uma estreita relação... Bom, gosto de pensar que sou para minhas crianças a bruxa e a fada madrinha, pois, zelar pelo espiritual deles é, por vezes, ser fada e, por vezes, é ser bruxa.
Que os Deuses abençoem sempre minhas crianças mágicas!
Beijos da dinda Lua



22 de novembro de 2018

Quando, diante de alguma situação difícil, escuto algum pagão perguntar "pq os deuses permitiram isso acontecer?", logo percebo que ele ainda não alcançou a profundidade do Caminho, e que ainda se encontra preso, ainda que inconscientemente, em ideias tolhedoras, como na ilusória ideia de barganha espiritual, de culpa, de castigo, numa ideia de divindade bastante superficial.

A eles?

Esclarecimento, conversa...

Às vezes precisa de um afago, de um colo para chorar... por que a frase pode carregar dores profundas. Doses de empatia são fundamentais, mas sempre misturadas com esclarecimento.

Indico conexão, ritualizar, praticar, sentir. Indico canto, reza, tambor, chocalho, pés descalços tocando a Terra de mansinho.

E para ajudar, indico essa leitura:

Paganismo. Uma Introdução da Religião Centrada na Terra, de Joyce e River Higginbotham


Peça que pessoa anote o nome, por que nesses momentos de dor, ela não vai se lembrar.




Beijos,
Lua Serena.

8 de outubro de 2018

#elenão


Queria contar algumas coisas para quem quiser e tiver ovários ou testículos dispostos para ler...
Eu sou mulher... e como mulher, a gente aprende a viver num mundo bem complicado para o pluralismo feminino. Um mundo bem machista, um mundo reducionista, que valoriza um tipo de mulher apenas. Vivemos um modelo social que desvaloriza mulheres fora do padrão, fazendo com que as vozes femininas atípicas, que bradam alto, sejam demonizadas ou ridicularizadas... exceto se tais vozes fizerem ou tiverem o apoio a modelos masculinos.
Eu sou uma mulher e sempre fui muito pobre, morei minha vida quase inteira na periferia de SP/SP. Sou mais um número na estatística de mães adolescentes de periferia, meus caros. Engravidei com 16 anos, pari com 17. Com 18 eu já era sozinha criando meu filho, trabalhando em subempregos, sem carteira assinada, empregos que exigiam pouca escolaridade. Estudei a vida inteira em escola estadual de periferia, então, as minhas chances de concorrer a uma vaga em universidade pública eram nulas.
Nesses muitos anos, meus caros, além do meu bebê, eu tive três pessoas ao meu lado: meu pai, minha mãe e minha irmã. Sem eles... não sei o que teria sido de mim.
Nesses anos, o amor era motivo de tristeza, já que ninguém gosta de apresentar para a família uma suburbana, recepcionista, mãe solteira, por mais bonitinha que ela seja. Ainda mais se ela for bocuda, se falar demais ou um pouco mais alto... “Essas são para comer”, como se diz por aí...
Nesses anos, amigos, por mais que eu trabalhasse, ganhasse pouco e criasse meu filho com a ajuda dos meus pais e minha irmã, eu era tachada de puta pelas línguas hipócritas. Diziam que eu não trabalhava nada, que eu dormia com meus chefes. E, assim, garantia meu sustento.
A verdade curiosa é que jamais dormi com chefe algum, em toda a minha vida. Mas se tivesse dormido, o meio das minhas pernas sempre foi meu mesmo...
Enfim, foram anos bem difíceis, com luz cortada inúmeras vezes, com pedidos para descer pela porta da frente de ônibus, com despejos, com brigas familiares por falta de grana.
Foi duríssimo.
Mas tem uma coisa que mudou tudo. Com muita dificuldade e lágrimas, mas mudou: eu sou uma mulher branca e bastante padrãozinho de beleza. Com “cara de bem-nascida”, como me disseram algumas vezes, com cara de gente fina, porém, sem um tostão no bolso. Uma grande amiga, que se ler vai se reconhecer nesta parte, brincava comigo, dizendo que eu abria a carteira com toda pose e tirava uma nota de 1 real – na época das notas de 1 real.
É verdade.
Essa grande amiga cuja vida foi infinitamente mais dura que a minha, que viveu um relacionamento abusivo, que teve de se prostituir muitas vezes para ganhar a vida, foi impossibilitada de terminar a faculdade e teve que se prostituir para viver. Vinda da Bahia, uma linda mulher negra, poderosa... que muitas, muitas vezes, me ajudou financeiramente. Não me esqueço.
É... ser branca, ter cabelos e olhos claros, ser padrão, não me fez ter que trabalhar menos, não. Não me fez deixar de ter que correr atrás do meu, não.... Porém, com tudo isso, eu não tive a necessidade de optar pelo trabalho que de fácil não tem absolutamente nada. Eu tive alguns privilégios sim, meus caros, e eles fizeram toda a diferença nas minhas escolhas, na minha vida.
Não só por isso, mas também graças a isso, eu fui conseguindo algumas oportunidades que foram negadas a tantas outras pessoas. Certa vez, consegui um emprego e depois meus chefes disseram que eu consegui por causa da minha aparência. Mostraram meu CV escrito “ok. Gostosa”. Me senti constrangida, para dizer o mínimo.
Mantive-me nesse emprego por meus méritos, e fui indicada para trabalhar na empresa que comprou a empresa que me empregou primeiro, por meus méritos. Mas eu entrei por ser branca e padrão, por não parecer uma mãe solteira da periferia... embora eu sempre tenha sido.
Eu fiquei com a vaga de uma moça que era deficiente. Que não ganhou o cargo exatamente por ser deficiente. Ela tinha muito mais qualificação que eu, porém, tinha também uma formação deficiente na perna em razão da poliomelite – na época não havia política de cotas para deficientes em empresas, ninguém falava disso.
Isso me afetou bastante, ficou em mim como algo a pensar, refletir... mas eu continuava empregada e podendo criar meu filho. A vida seguiu. Ganhei muitos empregos mais, muito mais colocações, afinal, eu era magra, branca, padrão, sem nenhuma deficiência...
Eu tinha uma irmã, uma grande parceira, alguém que sempre foi das pessoas mais importantes da minha vida, que já foi para o país de verão, cedo demais... Laura era alta, uma mulher grande de 1,80 e que pesava mais de cem quilos... Ela teve muita dificuldade de arrumar empregos, de comprar roupas, de namorar... E como será que foi para ela ouvir a vida inteira que nós não éramos parecidas. Isso me feria... Mas certamente a feriu muito mais. Quantas vezes talvez eu a tenha ferido, sem querer, com alguma fala dura tão peculiar a mim, como irmã mais velha...
Laura tinha um coração grande, como a pessoa grande que ela foi... a segunda mãe do meu filho. E tudo o que eu queria era poder fazer pelos filhos dela o que ela fez pelo meu. Mas nunca vai acontecer. Seu grande coração, um dia, não aguentou mais estar aqui e simplesmente parou.
Entrei, fiz, terminei a minha faculdade por que consegui FIES, minha gente. Entrei, fiz e terminei por que eu tinha pai, mãe e a Laura a olharem meu filho. Sempre tive um teto – alugado, sim, às vezes moramos de favor... muitas vezes fomos mandados embora por que atrasamos o aluguel.... mas sempre tive um teto. A gente dava um jeito. Eu tive com quem contar, por mais difícil que tenha sido... eu tive minha família do meu lado.
Não foi fácil, mas eu tive privilégios. Eu nasci numa família padrão, que se manteve unida diante das intempéries da vida. Tem muita mãe adolescente que não tem isso... Na rua da casa da minha avó, tinha uma amiga, da mesma idade (crescemos juntas), mesmo mundo, mas nascida negra, numa família com histórico de uso de drogas, abusos. Ela hoje tem quatro ou cinco filhos, de pais diferentes. Ela ainda mora no mesmo lugar, um dos filhos mais velhos (que brincou com meu filho, inclusive) já foi preso...
Ela é ainda tachada de várias coisas hoje, enquanto eu – que também fui a mulher para comer e não para casar, nas bocas malditas – sou a guerreira que se formou e deu orgulho, exemplo de superação...
Me orgulho de minha trajetória, sim... Mas existe algo nisso tudo que me faz sempre ver a imagem da Liz (nome fictício para a minha amiga) e de seus filhos...
Isso sempre esteve em meu coração, me fazendo pensar. E se eu não tivesse a minha família... e se eu fosse negra?
Hoje eu sou uma mulher casada com um grande homem que me ama e ama meu filho, somos formados, pós-graduados, temos uma empresa, temos casa própria com vista para a serra e portas altas de vidro que me permitem vê-la, temos carro, nosso filho está fazendo faculdade e residência em São Paulo, tenho grandes amigos, uma vida próspera. Não é uma vida de rico, mas é boa, com muito trabalho ainda hoje, mas é boa. Sou grata demais e trabalho bastante para manter isso, trabalho para dar o meu melhor... por que houve muito suor para a conquista de tudo isso. Parece ser legal ser nosso amigo, não é?! Parecemos exemplos de vida...
Mas e se fôssemos um casal gay? E se ele fosse uma mulher... ou eu fosse um homem?
Toda vez que eu o abraço, que eu o beijo, toda vez que brinco maliciosamente com ele em público, fico pensando nos meus amigos gays que não podem viver seus amores em liberdade, como eu posso.
Quando eu me casei, meu filho tinha 11 anos... Antes disso, ouvi inúmeras vezes que deveria ter alguém, que eu deveria arrumar um bom homem para mim e para o meu filho e me casar. Quando, finalmente, me casei, foi uma alegria geral. Fico me perguntando se todos ficariam felizes se ele fosse uma mulher... ou se nós fôssemos dois homens se casando e criando um menino de 11 anos...
Então, eu também sou muito privilegiada pelo relacionamento heterossexual padrão que tenho, ouço muitas vezes que somos exemplo e casal. Mas nunca ouvi que meus amigos e amigas gays, casados, são exemplo de relacionamento. Muito pelo contrário... Eu ouvi certa vez que algumas pessoas, parentes, que não gostavam de estar em minhas festas de aniversário por que nelas havia muitos homossexuais... Pois é...
Essas pessoas me lembraram de outra situação. Eu tive um longo relacionamento com um rapaz, certa vez. Um homem muito esforçado, muito trabalhador. Muito bonito e negro. Talvez ele jamais tenha sabido as inúmeras vezes que me perguntaram se eu não me olhava no espelho, se eu não me dava valor... É... Eu nunca tive coragem de contar a ele esse tipo de coisa que eu ouvia, pois eu jamais o quis ferir com esses absurdos.
Enfim, amiguinhos... são muitas, muitas histórias... e eu poderia contar muitas e muitas mais... Eu nem falei de religião... que seria um assunto e tanto para trazer nessas linhas...  Mas elas já são muitas.
E se você chegou até aqui nesse texto, obrigada por ler parte da minha história de vida. Peço que você não me veja como uma incrível pessoa, nem talvez como alguém que está escrevendo esse texto e contando essas coisas para se vangloriar de algo. Se pareceu isso, devo refazer minhas palavras.
Minha intenção é dividir... refletir.
Olho para o passado e me lembro de quem estava lá comigo em todas essas e outras histórias... Quem sempre esteve comigo de verdade?
Quem me olhou mais que um pedaço de carne?
Quem me respeitou como mulher?
De quem eu tirei a vaga?
Quem eu ultrapassei, superei pelos meus privilégios?
Quem contribuiu para que eu fosse quem sou?
Sim, me orgulho muito de quem sou. Minha vida são minhas escolhas... Então, eu jamais poderia escolher qualquer caminho que ferisse, que ameaçasse aqueles que comigo estiveram e que são um comigo, pois sou fruto de um pouco de cada uma dessas pessoas que citei... e outras tantas.
Eu tenho orgulho de quem sou, mas nem sempre foi assim. E se hoje é assim, é por que todas essas pessoas existiram em meu caminho. Nós somos uns os outros, de certo modo. Eu devo a elas e farei o meu melhor, me esforçando para me corrigir quando errar, me esforçando ao máximo para fazer deste um lugar melhor.
Por isso, estou com todos vocês para sempre, se vocês assim me quiserem.
Logo farei quarenta anos nesse Brasil que se apresenta... e um filme passa pela minha mente. Reflexões que queria dividir com vocês.
Venha o que vier, não me calo.
E se você acha que é mimimi, bobagem... vá com ter com os teus e me deixe aqui com os meus, com meus mimimis, com minhas bobagens, com meus pensamentos e minhas pessoas... pois sou e pertenço a tudo isso e elas são e pertencem a mim. Somos um.
E mesmo que haja um sim, nós estaremos aqui para lembrar que #elejamais !
Beijos,
Lua Serena