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. : Encantamento : .

Giremos em torno do caldeirão,
para lá jogarmos intestinos envenenados.
Sapo, que durante trinta e um dias
e trinta e uma noites
ficaste dormindo embaixo de pedra fria,
teu veneno vertendo, ferve,
em primeiro lugar na panela encantada.
Dobrem e redobrem
a lida e o trabalho.
O fogo cante
e o caldeirão borbulhe.
Filé de serpente dos pântanos,
no caldeirão ferve e cozinha.
Olhos de camaleão e dedo de rã,
pêlo de morcego e língua de cão,
forquilha de víbora e ferrão de lacrau,
perna de lagarto e asa de corujinha,
para fazer um encantamento de poderosa força,
fervei e borbulhai, como filtro infernal.
Dobrem e redobrem
a lida e o trabalho.
O fogo cante
e o caldeirão borbulhe.
Escamas de dragão, dente de lobo,
múmias de feiticeiras, mandíbulas e estômago
de voraz tubarão,
raiz de cicuta arrancada nas trevas,
fígado de judeu blasfemo, fel de bode
e ramos de teixo cortados em noite de eclipse da lua,
nariz de turco e lábios de tártaro,
dedo de criança estrangulada ao nascer
e lançada pela mãe num fosso,
fazei que a massa fique espessa e viscosa.
Acrescentemos, em nosso caldeirão,
entranhas de tigre como ingredientes.
Dobrem e redobrem
a lida e o trabalho.
O fogo cante
e o caldeirão borbulhe.
Vamos esfriá-lo com sangue de babuíno
para que o feitiço seja firme e forte.
in Macbeth, Shakespeare (1606)
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Já viraram porcos
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ARCANO III - A IMPERATRIZ
A Imperatriz simboliza a vida plena, a preparação para os nascimentos físicos ou não. É por esse motivo que em muitos tarôs esse arcano é representado como uma mulher grávida sentada num trono, coroada e segurando um cetro, símbolos do comando, o comando dos mundos, pois ela é a Mãe do mundo. Alguns autores sugerem que a denominação Imperatriz tenha sido uma modificação do original dessa carta. Uma pista de sua origem perdida talvez seja o Tarô Carey da Revolução francesa, datado de 1791, em que a Imperatriz e o Imperador carregavam a denominação de "A Grande Avó" e "O Grande Avô".
De toda forma, a Imperatriz é a representação da Mãe material, diferente da Sacerdotisa, que representa a mãe espiritual.
A Imperatriz nos traz a fertilidade, o amor, as mudanças advindas de um nascimento, que pode ser o nascimento de uma criança, de uma idéia, de um projeto, etc.
É o arcano 3 por que três é o número da multiplicação, do crescimento e da fertilidade.
Outra forma de enxergar esse arcano é como o encontro entre os opostos (por isso em uma jogada pode simbolizar um amor). Podemos dizer que é o encontro dos pólos masculino e feminino manifestados através da gestação. 1 (masculino)+2 (feminino)=3 (união). Nesse sentido temos a Grande Mãe, a Grande Deusa, geradora de tudo, cultuada há tanto tempo. Ela é para os Incas Pachamama (Pacha significa universo e mama mãe), para os egípcios ela é Mut, para os gregos é Deméter e para os hindus ela é a Deusa tríplice, as shaktis (elementos femininos de Deus). É a representação da triplicidade da Deusa. Ao estudar essa carta compreendemos porque algumas correntes admitem a preponderância do elemento feminino (a Deusa) ao elemento masculino (o Deus), pois ela é tríplice (jovem, mãe e velha) e contém em sua face Mãe o encontro com o Deus simbolizado pela gestação.
Ela é a geradora de tudo, a Deusa como origem de tudo o que existe, a mãe do mundo, a própria Terra. Numa jogada ela traz a proteção, o casamento, o amor, o nascimento, a fertilidade.
Tal qual uma mulher grávida, ela nos traz a descoberta do corpo como um templo sagrado e valioso, e nos alerta para ter cuidado com as coisas do corpo, as coisas do mundo, as coisas materiais. Pode significar também que o consulente está descobrindo sua porção mulher, conscientizando-se de sua beleza - interior ou exterior - e preparando-se para projetar todo esse sentimento ao mundo através de seus atos. Marca um período em que os sentimentos são infinitamente mais evidentes que os pensamentos. Profissionalmente favorece ramos de alimentação, decoração, moda e artes.
A Imperatriz possui contornos diversos em alguns tarôs. Em alguns, como o de Marselha, ela exprime todo o seu poder de comando. Ela comanda o reino dos sentimentos, é esse o comando de que trata esse arcano.
No Old Path Tarot a Imperatriz é representada nutrindo seu filho. Nesse baralho ela não exprime sua autoridade com o cetro, a coroa e o escudo, como no de Marselha, mas nos ensina que a vida deve ser nutrida, alimentada e que, como dissemos, vida se alimenta de vida.
No tarô de Crowley duas luas simbolizam as faces da Deusa (e da mulher), é o desdobramento da mulher/deusa.
É um simbolismo interessante se pensarmos na relação da mulher com a lua. Ambas sempre estiveram relacionadas, o que se evidencia pela relação dos ciclos menstruais e as fases da lua. Por essa razão, pode significar problemas de saúde relacionados com a menstruação. Ainda com relação à saúde, num aspecto de desequilíbrio, pode significar o aparecimento de doenças nos órgãos reprodutores, inclusive doenças venéreas.
Vale notar que A Imperatriz é vida, é plenitude é fertilidade pura. Porém, devemos lembrar que vida se alimenta de vida.
Qualquer que seja o aspecto de criação, é preciso que a vida termine e sua essência volte à origem para que uma nova semente possa germinar. Deméter não é apenas a mãe cuidadosa de Perséfone. Ela é também a mãe enlutada. Essa é também a mensagem da Imperatriz para nós.
PALAVRAS-CHAVE: realização, fertilidade, maternidade, união, criação,feminilidade.
PERSONALIDADE: mulher que tem consciência de sua sexualidade ou uma mulher frívola; uma mãe bondosa ou uma mãe super protetora; a esposa, a mãe, a amante.
ASPECTOS POSITIVOS: casamento, união, amor, nascimento, mudanças, abundância, sentimentos, criação, riqueza, generosidade, prazer dos sentidos, dar e receber afeto, situação fecunda, inteligência criativa, boas relações, alegria, proximidade com jovens ou crianças, elaboração de projetos, etc.
ASPECTOS NEGATIVOS: luxúria, frivolidade, futilidade, super proteção, carência, esterilidade, ciúmes, perda de bens materiais, sedução vã, avareza, promiscuidade.  A IMPERATRIZ E A SENDA INICIÁTICA
"eu sou a mãe de todas as coisas e meu amor é derramado sobre a terra."
Bastaria copiar e colar o famoso texto A Carga da Deusa para falar da Imperatriz e sua relação com a Bruxaria. Desse pequeno trecho que trago a vocês é fácil compreender por que. Porém, a Bruxaria atrai gente que pensa e somos filhos da Deusa que tudo criou, e como tal, somos parte Dela e possuíamos a nossa centelha criadora. Vivenciamos a Imperatriz quando nos deparamos com a Deusa no nosso caminho mágico. Talvez muitos se perguntem com relação à Sacerdotisa, mas falaremos dela quando chegar a hora.
Como disse a vocês no início, a senda iniciática não pode e nem deve ser relacionada com o tarô de uma forma estanque e padrão. O caminho é individual. Porém, consideradas as ressalvas necessárias, eu formei uma estrutura do processo de iniciação na Bruxaria com as cartas dos arcanos maiores e estou apresentando a vocês um pouco desses meus devaneios. Tudo isso para dizer que sim, a Sacerdotisa vem antes da Imperatriz, ambas simbolizam a Deusa e outras particularidades (ou faces da Senhora). ao final dos nossos estudos espero poder ter contemplado e abarcado todas as dúvidas sobre esse, e outros, pontos. Agora voltemos à Imperatriz.
Sem dúvida ela está presente no início, meio e fim (se é que há um fim) de nossa jornada. Mas aqui estamos falando do nosso primeiro contato com A Imperatriz no nosso trilhar mágico. E isso acontece, regra geral, no nosso período de dedicação.
A dedicação é um período de estudos prévios que antecedem a nossa iniciação de primeiro grau. Todos que conhecem a Arte passam por esse período que, formalmente, corresponde a um ano e um dia. Entretanto, esse tempo de estudos e práticas varia muito e posso dizer com firmeza a vocês, ele jamais termina. A dedicação acompanhará vocês a vida inteira, pois o caminho é um caminho de estudo profundo sobre o que está, aparentemente, fora de você e o que está visivelmente dentro de você.
Pois bem, durante o nosso período de dedicação sofremos um processo de transformação. Aliás, essas transformações também acompanharão o praticante da Arte por toda a senda, porém no período de dedicação essas transformações vêm de uma forma surpreendentemente nova, pois iniciamos o nosso trilhar espiritual segundo os preceitos da Arte. E é aí que nos encontramos com a Imperatriz, a Grande Mãe manifestada em nossas vidas.
Primeiro encontramos A Sacerdotisa, que é a Deusa no seu aspecto espiritual, exprimindo uma faceta que é a dos mistérios. Somos atraídos em razão dos mistérios. Quantos de nós não chegou na Arte por meio da curiosidade com relação a feitiços, a mistérios, ao submundo?
Esse é o domínio da Sacerdotisa, a primeira face da Deusa que encontramos em nosso período de dedicação. É como se disséssemos que A Sacerdotisa é Perséfone e A Imperatriz é Deméter. Depois de encontrarmos a Sacerdotisa e sermos atraídos pelos mistérios da Bruxaria, conforme avançamos em nosso período de dedicação, nos deparamos com A Imperatriz e nesse momento somos tocados pela Grande Mãe de uma forma extremamente forte.
A partir desse momento nos redescobrimos filhos de uma Deusa, não apenas filhos de um Deus. E a sensação é realmente mágica. Compreendemos que a Deusa é nossa Mãe. Ela gera tudo, dá vida a tudo e no fim tudo volta para sua origem: a Deusa. Essa é a mensagem de fecundidade transmitida a nós durante o período de dedicação. E esse despertar vem recheado de amor, um amor indescritível. Redescobrir a Deusa é redescobrir o amor sob todas as formas. A Deusa é puro amor.
"De mim todas as coisa vêm e pra mim todas devem retornar." "Pois minha lei é a do amor para todos os seres."
Durante essa redescoberta percebemos que a Deusa não é a figura feminina do Deus cristão. Claro que já sabemos disso intelectualmente falando, mas nesse período percebemos de uma forma mais espiritual, mais interior que a Deusa é a Deusa mãe de todos, TODOS. E que a Deusa Mãe não é necessariamente um poço SOMENTE de bondade.
Quando vivenciamos essa redescoberta de forma verdadeira, temos a nossa vida sacudida pela Deusa muitas vezes (e assim seguirá por toda a vida), pois a Senhora é a Senhora de TODAS as coisas. É a Mãe da vida e é a Mãe da morte. E assim aprenderemos a viver, morrer e renascer muitas vezes.
Essa compreensão vem juntamente com a certeza que trilhamos nosso caminho individualmente. Talvez alguns de vocês tenha um mestre, uma mestra, um grupo. Tudo válido e verdadeiro, mas aprendemos que o caminho é sozinho, o trilhar a senda mágica é entre você e os Deuses.
"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite." (Clarice Lispector) A Imperatriz é a representação de tudo isso. A Deusa tríplice (estamos falando do arcano 3, não é mesmo?), a iniciadora, a destruidora e a realizadora, começa a se manifestar em sua vida agora. E uma vez tocado VERDADEIRAMENTE por Ela... não há mais volta.
FIGURAS: The Heling Tarot e Universal Goddess Tarot
Identidade: BRUXA
Alguns conceitos mudaram desde o meu primeiro contato com o mundo pagão. De início, a maioria das pessoas se intitulava bruxa com muita naturalidade e até com certo orgulho. Para muitos era como se ser bruxa ou bruxo fosse mesmo um título. Como bruxas, nos sentíamos diferentes, especiais, originais, dotadas de um conhecimento que nem todo mundo tinha. Talvez esse quadro tenha se formado em razão da bibliografia à disposição. Os livros relacionados à Bruxaria tratavam de enaltecer o ser bruxa, filha da terra, mulheres que operavam sua alquimia na cozinha, entre os temperos e as panelas.
Todas as mulheres que, de alguma forma, se identificasse com as poéticas palavras dos livros passava a se autodenominar bruxa.
Depois de um tempo, houve quem levantasse a bandeira do não-bruxa dentro do próprio Paganismo. O argumento era que a palavra 'bruxa' fora usada como forma de estigmatizar pessoas, carregada, portanto, de uma conotação terrível e de baixa energia. Sendo assim, não seria o mais acertado usarmos a palavra 'bruxa'. Nesse meio tempo, havia aqueles que defendiam que bruxa que é bruxa pratica Bruxaria. Trata-se, portanto, de uma religião. Dessa forma, impossível dizer que uma bruxa possa rezar o terço católico ou benzer usando preces cristãs ou de outra religião.
Pois bem, o tempo foi passando e nem precisou de muito tempo para que as pessoas acabassem, cada qual, seguindo seu rumo, umas desistiram de se autodenominar bruxas, outras acabaram por defender a Bruxaria como religião, outras 'esqueceram' a Bruxaria e passaram a se autodenominar 'caminhantes' ou, simplesmente, 'pessoas comuns'.
Então eu acabo, hoje, por me perguntar o que de fato é uma bruxa.
Pensei um pouco e cheguei a muitas conclusões, dentre as quais que, de certa forma, cada um desses pontos-de-vista tinham (ou têm) lá suas coerências. Vamos falar do primeiro... AS BRUXAS QUE POETIZAM. Nada mais poético e mágico que transformar a nossa casa, em especial a nossa cozinha, em um depósito de feitiços, encantamento e sonho. Eu, muitas vezes, lendo alguns livros das bruxas que poetizam, me deliciei com a forma divertida, poética e mágica de descreverem o sentir bruxa, o viver bruxa. Me identifiquei muitas vezes, aprendi uma porção de coisas com aquelas palavras doces e cheirosas. Para mim, as bruxas que poetizam têm a magia do viver a terra, possuem a graça e a força da Deusa, nos ensinam muito com esse lado poético, tratando a Bruxaria como ela deve ser tratada: como Arte.
Já AS BRUXAS QUE SE ESCONDEM... (eu acredito piamente que tem gente que esconde o jogo!) possuem características muito interessantes. Já ouvi dizer, ou li em algum lugar, que bruxa que é bruxa não diz que é bruxa. Essas pessoas que não querem o rótulo de bruxas, em minha opinião, não se curvam diante de rótulos, não procuram se dizer ?bruxas? para receber aplausos ou para ter um séquito. O que para mim tem tudo a ver com ser bruxa. Uma bruxa mesmo não precisa de rótulos, não precisa de seguidores.
A Bruxaria não prega o proselitismo.
O terceiro grupo, o das BRUXAS ATIVISTAS, talvez seja o mais forte dos três grupos.  Essas bruxas defendem sua Arte, exigem respeito, dão a cara à tapa, vão à luta pela sua Religião. Vivem, respiram Bruxaria e são ativas, reúnem pessoas para falar da Deusa e do Deus, esclarecem. Existe muita confusão quando o assunto é Bruxaria...
As bruxas ativistas são, talvez, as que mais trabalhem em favor da Bruxaria, pois procuram desmistificar e tirar das sombras a Arte.
Vejo nos três grupos coerência e tenho minha opinião sobre se chamar ou não de bruxa. Mas procurei aqui levantar uns questionamentos acerca desse tema porque, de fato, creio que tudo o que nos separa é infinitamente menor daquilo que nos une. E isso quem disse foi Doreen Valiente. Tenho amigos no grupo dos que poetizam, amigos no grupo dos que se escondem e amigos no grupo dos ativistas.
Cada qual com suas razões e seus argumentos para discordar ou concordar uns com os outros. Mas, para mim, todos estão vivendo o Paganismo, ou Neopaganismo, cada um à sua maneira.
Ser bruxa, ser pagã, ser caminhante, ser uma pessoa comum... Cada um que assuma sua postura (ou não assuma), cada um que se denomine como quiser (ou não se denomine), mas que o façam em prol de algo maior, seja uma crença, uma ideologia, uma filosofia, uma religião, uma postura.
Meu desejo é que o Paganismo brasileiro seja mais unido em sua diversidade, que possamos conviver com o diferente, com aquele que pensa diferente.
Esse é, para mim, o mais importante e é o que nos identifica.
Eu opto por me identificar como BRUXA, mas dependendo da pessoa que pergunta eu me recolho porque não sou dada a ter gente pendurada pedindo feitiços ou iniciações. Portanto eu também opto por me esconder de vez em quando, apesar da minha identidade de bruxa.
E também gosto de poetizar e gosto do ativismo. De vez em quando eu desato a escrever (com certeza não tão bem como muitas bruxas que poetizam) e de vez em quando eu desato a defender a minha Religião, com questionamentos sempre, pensando e agindo.
Posso viver todo esse (falso) antagonismo?
Sou diferente de alguns... Mas será que somos assim tão diferentes?
Eu fico a me perguntar.
Beijos e Bênçãos, Lua Serena
Figuras: desconheço os autores, se alguém souber me passe para eu colocar nos créditos. :)
ARCANO I - O MAGO

O Mago, também chamado por alguns autores como O Saltimbanco ou O Mágico, representa o princípio, o início da concretização de uma vontade, a ação que leva a uma concretização. Somos nós agindo de acordo com a nossa vontade primeira. Essa é a idéia primeira do arcano um, o que explicaria, inclusive, O Mago ser o primeiro arcano.
O um simboliza tudo o que vem primeiro, a independência, a liderança, a iniciativa, o vanguardista, o pioneirismo em qualquer área da vida, a capacidade de pensar e realizar. O Mago é O Louco maduro para alguns, aquele que já detém algum conhecimento, mas que não sabe de toda a sua potencialidade, aquele está no início de alguma etapa. É o aprendiz, o estudante, o candidato, o iniciante, o neófito com muito potencial que poderá tornar-se um dia O Hierofante, o mestre, o sacerdote, o superior hierárquico, o chefe, o conselheiro.
Num sentido mais espiritual, O Mago é aquele que possui aptidões para lidar com os elementos (ar, fogo, terra e água), é o bruxo no início de sua jornada.Nesse mesmo sentido, O Mago sabe criar através da manipulação dos elementos, mas não sabe por que faz isso e nem para que faz isso. Talvez falte no Mago um pouco de maturidade, compreensão e vivência para conhecer os mistérios espirituais.
No mundo dito profano, ou seja, no mundo material, podemos pensar no universitário recém formado (ou até aquele que ainda está se graduando) que é dedicado, que é estudioso, que conhece bem aquilo que seus professores lhe ensinaram, mas que ainda não possui vivência prática de seu ofício. É com certeza um profissional em potencial que poderá se tornar um grande líder, um grande mestre, mas ainda está no início de seu caminho. Talvez possa ser até um pouco arrogante... Mas isso é por que ele ainda está aprendendo.
No Tarô Mitológico, e também em outros baralhos, a figura mitológica atribuída a esse arcano é Hermes, Mercúrio, o mensageiro dos Deuses, o portador do Caduceu. Crowley chama O Mago de o portador do bastão, que é o símbolo do poder mágico. É com o bastão que o mago cria, dá forma no mundo material. Para os autores do Tarô Mitológico, O Mago representa o mestre espiritual. Para mim, mestre espiritual é O Hierofante. O Mago seria, portanto, o aspirante, aquele que um dia poderá ser o mestre, O Hierofante. No Mago temos a primeira iniciativa que nos levará ao Hierofante, buscamos no Mago a independência espiritual, nos tornando mestres de nós mesmos em muitos aspectos, ainda que ainda sejamos aprendizes de alguém.
Em boa parte dos tarôs, O Mago possui um chapéu em forma de oito deitado (lemniscata) que é o símbolo do infinito e do conhecimento esotérico.A mão esquerda do Mago está direcionada para o alto e a mão direito para o chão. Isso significa que O Mago conhece a máxima "em cima, como embaixo", de Hermes Trismegisto. Desta forma, O Mago conhece certas leis e faz uso delas para concretizar sua vontade. A mão erguida segura o bastão, símbolo do poder ativo, do princípio masculino, o fogo. Sobre a mesa podemos ver os símbolos dos outros três elementos dispostos. A Taça, símbolo da água, princípio feminino, aquele que mantém a forma, o amor, a beleza; a espada, símbolo do ar, da mente, do astral, da transformação,da ousadia; o masculino; e a terra, símbolo da matéria, da posse, do feminino. Há também uma tulipa aos pés do Mago (em outras representações verde, grama) que significa o início das atividade do Mago, a iniciação. PALAVRAS-CHAVE: independência, iniciativa, pioneirismo, potenciais.VERBOS: iniciar, começar, agir, fazer. SITUAÇÃO: o início de algo, o começo de uma empreitada. PERSONALIDADE: um líder em formação, um jovem ou uma pessoa que inicia algo, um candidato, um pretendente, um aspirante, o ser humano que pode influenciar os acontecimentos naturais, alguém que poderá a ser uma pessoa importante na vida (ou na vida do consulente). ASPECTOS POSITIVOS: início de alguma atividade, capacidade de organizar o início de algo, iniciativa, prontidão, força de decisão, vontade de criar/iniciar algo, vitalidade, eloqüência, comunicação, capacidade de aceitar riscos, inteligência, persuasão, habilidade, criatividade intelectual, capacidade analítica, capacidade de percepção. ASPECTOS NEGATIVOS: arrogância, presunção, exibicionismo, mentira, falácia, roubo, engano,ambição desmedida, falta de escrúpulos, amotinação, atividades sem razão, falta de atenção, falta de paciência, empreendimentos infelizes, desentendimentos, isolamento.  O MAGO E A SENDA INICIÁTICA "Saber, querer, ousar e calar" é outra máxima bem conhecida no mundo pagão. Mas o que, de fato significa? Para responder essa questão, devemos nos ater ao Mago, o neófito, o aprendiz,o iniciante, o dedicado.
O Mago somos todos nós no início da nossa senda mágica. Já não somos mais O Louco na beira do penhasco refletindo, já nos lançamos no abismo. E aqui, de fato, iniciamos nossa jornada dentro dos mistérios wiccanos. Já vivenciamos O Louco, deixamos para trás certos conceitos, religião, dogmas, dúvidas para adentrar os domínios dos Antigos. Já ouvimos o chamado da Deusa, agora estamos trilhando o caminho da Velha Arte.
O arcano 1 é toda a potencialidade do dedicado/dedicando. Nessa fase aprendemos os conceitos básicos da Bruxaria. Com relação à magia, uma das primeiras coisas que aprendemos é a manipulação dos elementos ar, terra, fogo e água. No período de dedicação, início do nosso treinamento mágico, realizamos inúmeros exercícios com os elementos a fim de aprendermos a manipulá-los. Na imagem do Mago isso fica bem claro. Quando aprendemos que somos senhores dos nossos destinos, que podemos manipular certas forças a ponto de influenciar os acontecimentos naturais nos tornamos o arcano 1. Sim, já sabemos operar magia em alguns níveis. Pode ser que até nos gabemos disso, nos sintamos melhores, especiais, poderosos... Mas o que O Mago nos alerta é que aprender a manipular os elementos, aprender a fazer magia é apenas uma pequenina etapa dentro de todo o caminho que trilhamos.
O Mago sabe que pode criar no mundo material se, por meio de sua mente, criar no astral. Ele conhece a máxima "saber, querer, ousar e calar", pois seu mestre lhe disse o que é ou o solitário leu em algum material. Ele faz uso de tudo isso e tem sucesso muitas vezes... Mas ainda não compreende certos mistérios, ainda não conhece profundamente a máxima "saber, querer, ousar e calar". O aprendiz deve prosseguir em sua senda para interiorizar de verdade essas palavras e outros conceitos que aprende durante seu período de dedicação.
Possivelmente muitos de nós, quando iniciam o trilhar mágico na Arte, pensam que a dedicação, a iniciação e o sacerdócio na Bruxaria se refere exclusivamente em saber operar magia. Porém, ser um Bruxo implica muito mais que saber manipular elementos e lançar feitiços.
O Mago possui dois aspectos. O primeiro aspecto é aquele que já tratamos, os primeiros estudos, o conhecimento mágico básico adquirido. Nesse ponto de nossa jornada somos tomados, às vezes, por uma certa prepotência. E aqui mora o perigo, talvez o primeiro de muitos que encontraremos no decorrer da nossa vida na Bruxaria. Se nos deixarmos levar pela idéia de que uma vez aprendido os conceitos básicos, uma vez aprendido como lançar feitiços, como influenciar acontecimentos com magia, somos Bruxos, somos diferentes, somos irreverentes, estaremos começando um período de estagnação. É nesse ponto que muitos deixam a Arte... Afinal, depois de um tempo deixará de fazer sentido tudo aquilo que aprendemos (ou melhor, achamos que aprendemos). Vemos então uma série de ex-bruxos, alguns até convertidos em religiões que atacam a Bruxaria, dando testemunhos de que a Bruxaria é coisa ruim, de que Bruxaria é superficial, de que Bruxaria é bobagem.Essas pessoas não conhecem O Caminho. Só COMEÇAMOS a conhecer verdadeiramente o caminho, quando então passamos para o segundo aspecto de O Mago. O segundo aspecto diz respeito a conhecimentos e aprendizagens também, mas num nível bem mais profundo. No primeiro aspecto aprendemos os conceitos básicos e como manipulá-los. Agora, já vivenciando O Mago mais profundamente, começamos a compreender que os conceitos que aprendemos são bem mais complexos. É como um despertar vagaroso. Iniciamos uma jornada incrível de conhecimento e sabedoria (conceitos que não são sinônimos). Saímos da capacidade analítica e racional, para a capacidade de percepção espiritual. Um exemplo disso é a compreensão de que os elementos ar, terra, fogo e água são usados para transformar também internamente. Passamos a vivenciar essas transformações e compreendemos os rituais,os exercícios que fizemos e fazemos com esses elementos. Nesse ponto, muita coisa que lemos ou ouvimos de nossos mestres passa a fazer sentido, um sentido que antes não conseguíamos sequer vislumbrar, pois estávamos tão felizes com nossos novos conhecimentos mágicos, com nossos rótulos de bruxos, dedicados, que não percebemos. Compreendemos então o que verdadeiramente significa saber, querer, ousar e calar. Não pretendendo aqui esgotar o assunto, mesmo por que existem conhecimentos que só são entendidos quando a pessoa vivencia, são impossíveis de exprimir em palavras. O que posso dizer é que saber não é apenas saber operar magia; querer não significa apenas a vontade de mudar algo, de manipular algo; ousar não significa apenas realizar um ritual, lançar um feitiço, operar magia, e calar não significa somente não contar para ninguém o feitiço que se fez. Esse despertar deve ser vivido durante a dedicação e é por essa razão que esse período não dura uma no e um dia. Um ano e um dia refere-se a uma dedicação formal, em que vivenciamos o primeiro aspecto do mago. O segundo aspecto não tem período estabelecido, vai depender de cada dedicado. É possível, inclusive, que vivenciemos o segundo aspecto do Mago após a nossa primeira iniciação. Para alguns pode ser sem sentido, mas eu digo a vocês que é possível, pois a dedicação vai "perseguir" vocês o resto da vida!
Bênçãos, Lua Serena
Figuras: The Yeager Tarot of Meditation e The Wirth Tarot
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