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. : Encantamento : .

Giremos em torno do caldeirão,
para lá jogarmos intestinos envenenados.
Sapo, que durante trinta e um dias
e trinta e uma noites
ficaste dormindo embaixo de pedra fria,
teu veneno vertendo, ferve,
em primeiro lugar na panela encantada.
Dobrem e redobrem
a lida e o trabalho.
O fogo cante
e o caldeirão borbulhe.
Filé de serpente dos pântanos,
no caldeirão ferve e cozinha.
Olhos de camaleão e dedo de rã,
pêlo de morcego e língua de cão,
forquilha de víbora e ferrão de lacrau,
perna de lagarto e asa de corujinha,
para fazer um encantamento de poderosa força,
fervei e borbulhai, como filtro infernal.
Dobrem e redobrem
a lida e o trabalho.
O fogo cante
e o caldeirão borbulhe.
Escamas de dragão, dente de lobo,
múmias de feiticeiras, mandíbulas e estômago
de voraz tubarão,
raiz de cicuta arrancada nas trevas,
fígado de judeu blasfemo, fel de bode
e ramos de teixo cortados em noite de eclipse da lua,
nariz de turco e lábios de tártaro,
dedo de criança estrangulada ao nascer
e lançada pela mãe num fosso,
fazei que a massa fique espessa e viscosa.
Acrescentemos, em nosso caldeirão,
entranhas de tigre como ingredientes.
Dobrem e redobrem
a lida e o trabalho.
O fogo cante
e o caldeirão borbulhe.
Vamos esfriá-lo com sangue de babuíno
para que o feitiço seja firme e forte.
in Macbeth, Shakespeare (1606)
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Já viraram porcos
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Amor Pagão
Amor Pagão (Helena Quental)
Um, somente um, apenas um beijo, dado meio à sorrelfa, aqueceu-me nas veias, o sangue. Vi outros sois, outras luas, num segundo! depois que tive o afortunado infortúnio de, em meio a multidão, te reconhecer!
Esqueceste por um átimo do teu tempo; que eras do amor impuro, escravo e emprestaste-me tua boca-cereja que morceguei com vampiresco prazer!
Sossego, nunca mais tive. Prazer igual, nunca mais! Pena que não me gostes. Serves à Apolo e a Zeus...
Ficarei te desesquecendo a cada minuto do tempo meu. E quando ele chegar ao termo, lá do zenit do mundo, observarei teu mergulho de escravo no pélago negro, profundo, buscando tesouros para Eles que só são deuses porque têm a ti...
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